Violenta, eu?

Fico olhando os jogadores de futebol: caneladas e contusões fazem parte do jogo.  É incrível que, apesar desse risco, muitas mulheres adorem jogar.  Não é o meu caso: ficaria apavorada.  Goleira, então, nem pensar.  Se visse aquele petardo vindo na minha direção, o instinto de sobrevivência me faria correr na direção contrária.

Não contem comigo para agredir ninguém, muito menos para me deixar agredir. A coisa que, na prática, mais me aproxima de uma reação física violenta é guerra de travesseiros.

Talvez minha política de não-violência seja fruto do tal instinto de sobrevivência: não sou dotada do aparato físico necessário para me meter em confusões.  Ainda assim, frequentemente tenho ideias assassinas: quando alguém me contraria, a primeira coisa que me vem à cabeça é matar a pessoa.  No sentido metafórico, é claro.

O namorado aparece com uma desculpa esfarrapada para não encontrar você no sábado.  Dá ou não dá vontade de estapeá-lo até à morte?

A lambisgoia se insinuou a noite toda para o seu marido.  Quebrar a cara da fulana resolveria o problema de vez.

Fechada no trânsito?  Atire a primeira pedra quem nunca quis jogar o carro em cima do cretino.

Gente mentirosa que prejudica os outros?  Só espancando.

Vizinho implicante?  Amordaça e abandona num local deserto.

O encanador viria, sem falta, na segunda-feira consertar o vazamento da cozinha.  É a terceira vez que ele promete a mesma coisa e não cumpre.  Se você não precisasse tanto do cara, aposto que o receberia a vassouradas, quando e se ele aparecesse.

O feirante vendeu gato por lebre e você só descobriu quando chegou em casa.  É ou não é o caso de voltar lá e jogar tudo na cara do espertinho? O gato e a lebre.

A liquidação diz em letras garrafais: DESCONTOS DE ATÉ 50%.  Você entra na loja e percebe que só duas coisas horrorosas estão realmente pela metade do preço e que todo o resto continua custando os olhos da cara.  Diante do seu desapontamento, a vendedora, que ganha um salário de fome, olha para você com total desprezo.  Aposto que o seu único pensamento é se vingar no ato, de preferência com requintes de crueldade.

Pois é: se eu fosse do tipo armário dois por dois acho que o racional não falava tão alto e haveria grande chance de eu acabar nas manchetes policiais.  Mas tenho quase certeza de que minha vida seria bem mais divertida e meu analista perderia a cliente.

 

 

Um comentário em “Violenta, eu?

  • 18/03/2012 em 13:38
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    O feirante vendeu gato por lebre e você só descobriu quando chegou em casa. É ou não é o caso de voltar lá e jogar tudo na cara do espertinho? O gato e a lebre.
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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