Vinte e cinco, francamente: um barato!

Um país se faz de homens e livros.
Monteiro Lobato

Foi um evento inédito, um susto de vendas mal compreendido a princípio pela livraria que corajosamente o abrigou. Afinal de contas, onde já se viu 25 livros lançados numa só noite? Nem mesmo os autores contavam muito com o nem tão esperado sucesso do dia: “Lançamento coletivo? Ah, calcula aí uma média por título de 5 livros vendidos.”

Pois é. Eram tantos os livros que às 5 da tarde de sexta, o dia do evento, eu ainda estava sentada no computador da Travessa do Leblon emitindo notas de entrada de livros, pois à última hora uma de nossas autoras se apavorou, percebeu que tinha poucos, pediu mais. E a Singular enviou, algo inédito, verdade, essa máxima agilidade quando se trata de imprimir e entregar livros.

Esther Frankel estava certa: vendeu tudo o que tinha de seu “Navegar é preciso”, e mais houvesse mais venderia.

Vitrine aprovada, banner pendurado, nosso K verde-amarelo calibrado, tudo mais ou menos sob controle — à força de muita reza e torcida —, fui para o hotel me preparar para a noite. Quando voltei, menos de uma hora depois e ainda bem antes da combinada que constava no convite, mal acreditei no que meus olhos viram. No mezanino da livraria, parecia que o mundo estava se acabando, ou que alguém estava dando dinheiro, sei lá, mas, gente, não era nada disso: era apenas Cláudia Vasconcelos, nossa Estrela Brasileira, autografando os seus livros.

A partir daí e pela noite adentro, confesso que me perdi nos acontecimentos. Era tanta gente, e tão interminável a fila à frente do caixa da livraria, tantos autores e convidados solicitando atenção que nem sei exatamente como as coisas se passaram, a não ser que permaneci de pé, salto alto e tudo o mais a que não estou acostumada — a KBR, vocês sabem, é literalmente uma empresa nas nuvens, as digitais e as das montanhas de Petrópolis — conversando e atendendo por mais de 6 horas seguidas, meus dedos do pé até hoje reclamando o acontecido, o mesmo tendo ocorrido, acredito, para muitos dos presentes ao evento.

A Farra do POD Rio, primeira edição — em maio de 2011 — da que hoje se prepara para parar o trânsito paulista, quero dizer, na Paulista, foi exatamente isso: um presente. Um presente para a KBR — a mais jovem editora digital do mercado e que cresce vertiginosamente, graças, em parte, a iniciativas inusitadas como a Farra do POD e à receptividade e dedicação de nossos parceiros e colaboradores —, um presente para os nossos autores, um presente da e para a Singular Digital, companheira incansável na trajetória de implantação dos PODs pelo Brasil afora, e, principalmente, embora alguns de nossos canais* relutem um pouco em nos receber a princípio, um presente também para as livrarias.

Do nosso ousado objetivo inicial de vender 500 livros numa só noite, encarado como loucura de iniciante — confesso, até mesmo por mim —, atingimos a marca de 396 livros vendidos, e a maior parte deles em pouco mais de 15 minutos: os leitores de Cláudia, pelo menos, ficaram em sua maioria a ver navios, quer dizer, a ver as nuvens passando, por fora da cabine do nosso avião. Era a KBR decolando no mercado pela força acumulada de sua comunidade de autores, e vamos nós! Em São Paulo essa falta de livros não há de se repetir! E ainda teremos a bordo novos autores e livros: Labirinto, Um tanto de Prosa e Capitalismo Humanista.

No momento seguimos viagem para São Paulo, e nosso advento promete. Geramos negócios não apenas para a nossa parceira Livraria Cultura, mas também para os hotéis e restaurantes da região, nem é exagero não, pois nossa Farra é também a Farra deles: vêm vários brasileiros do Rio, de Minas, do Paraná e outros estados sedentos por participar, fazer parte, fazer história, fazer parte desta história — a nova saga literária, por via digital ainda meio embrionária, do hábito de ler livros no Brasil.

E também no mundo, não custa extrapolar. Enquanto os arautos da queda vaticinavam, com a chegada do digital, um lúgubre futuro para os livros, verificou-se exatamente o contrário: uma excitação, uma vontade de ler, de crescer, de comparecer. É o renascimento cultural de um mercado leitor que em nosso país nunca foi devidamente formado, ou valorizado o suficiente, e que agora se levanta reconhecido, gigantesco e não mais adormecido, com um novo slogan literariamente correto: ler é cool, ui, já estou me repetindo, mas não é assim mesmo — repetindo e insistindo — que se forma um novo hábito ou comportamento?

No que depender da KBR, da Singular, e também da Livraria Cultura — que como o próprio nome diz, já entendeu há muito tempo que negócio é uma grande cultura, ou melhor, que cultura é um grande negócio —, nosso Brasil do presente e do futuro terá homens e livros pra Monteiro Lobato nenhum botar defeito, e estamos conversados, isto é, todos bem informados.

Que venha a Farra do POD em São Paulo, um sucesso líquido e certo pela qualidade e empenho profissional de todos os parceiros envolvidos, entre eles e em primeiro lugar o nosso excelente time de autores, um verdadeiro presente. Obrigada, gente!

* “Canal”, no jargão digital, significa “revendedor”, no nosso caso em especial, livraria parceira

 

***

 

Agradecemos ao Paulo Vanzolini a doação involuntária de seus belos versos, direto da “Praça Clóvis” para o título deste artigo, isto é, nossa praça de guerra na Paulista, guerra no bom sentido, claro. Em tempo: pra comprar os nossos digitais — ebooks e PODs —nem precisa de muito dinheiro na sua carteira, não. Oba.

 

 

2 comentários em “Vinte e cinco, francamente: um barato!

  • 28/07/2011 em 12:26
    Permalink

    Ele me encontrou sim. Dei umas dicas lá na matéria que ele estava preparando sobre tiragens e preços de livros, ebooks e tal, deve sair na Ilustríssima do próximo domingo, é a KBR conquistando Sampa! Tomara. vai ser uma Farra.

    Resposta
  • 27/07/2011 em 19:42
    Permalink

    essa evento da farra é um espetáculo. teve um repórter da folha de são paulo querendo saber sobre vc, da farra, da KBR. ele te achou?

    Resposta

Deixe você também o seu comentário