Um molde à Platão, ou algo melhor

Cada vez que observamos um rosto, vemos amigos, os não tão amigos e os desconhecidos. Mas, no fundo, sabemos que não há real desconhecido entre os homens, apenas aqueles que não se aproximam o suficiente. Basta um contato, mesmo que casual, e mudamos de status em relação ao outro.

Nascem a cada segundo milhares de ligações de conhecimento entre humanos neste pequeno planeta, e o maravilhoso é que o ato de multiplicar conhecidos, contatos, amigos — e os não tão assim —, faz parte da simplicidade de existir.

Pra deixar a coisa mais fácil de entender, vou usar a alegoria do “ver para crer”. E mesmo vendo, não creio, mas vivo muito bem com as sombras, estas que vejo e fazem parte do meu mundo da realidade.

Vije! Fácil deixar complexo e não se fazer entender. Platão foi quem inventou este mundo perfeito de “ideias” e o que os sentidos nos mostram são apenas estas sombras, pálidas versões da realidade idealizada. Pois eu concordo com ele quanto à proporção de sombras que nos visitam diariamente, não sendo nem de perto a ideia do ser perfeito, da ideia na sua plenitude e imortalidade. Mas discordo quanto a não ser possível encontrar uma sombra que seja melhor do que a ideia perfeita, pois o tal do amor faz cada coisa com nossas cabeças… não é difícil encontrar um ser humano que não tenha encontrado uma dessas ditas sombras — outro ser humano, que suplantou a tal imagem ideal e, de longe, pode ser substituído, ou mesmo copiado.

Quando a “ideia máxima”, a imagem perfeita, a utopia quista se fizer distante da sombra — não por ser a sombra, a parte pálida, que dá um quê do que se copia, mas sim quando a sombra passa a ser a fonte de luz e suplanta em muito o molde —, é que achamos, certamente, o amor.

E tudo isso para dizer que amar é reconhecer o maravilhoso em sua simplicidade, ver o além através dos sentimentos que, normalmente, não alcançam o ideal.

 

 

Edegerdo Hardt Junior

Edegerdo Hardt Junior nasceu em Jacareí, São Paulo, em 1974. Aos três anos foi morar em Taubaté, cidade onde vive até hoje. Descobriu o maravilhoso mundo da leitura com a mãe; no colégio descobriu a vontade latente de escrever, a que deu vazão por intermédio da poesia. Formado em advocacia, atuou profissionalmente em Taubaté por sete anos. Em 2010, com o falecimento de seu avô materno aos 100 anos de idade, ainda jornalista ativo, voltou a praticar outros gêneros de escrita que não o jurídico. Seu livro de estreia, Algo para pensar: uma aventura diária, será publicado em breve pela KBR.

3 comentários em “Um molde à Platão, ou algo melhor

  • 26/09/2012 em 21:19
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    muito legal e especial, ter alguém próximo de nós, que consegue expressar em palavras, e de forma simples, nossos atos e ações enquanto seres Humanos.

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  • 04/08/2012 em 17:27
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    Há sempre uma maneira de ver as coisas e de senti-las quando as vemos com amor.
    Não deixe de escrever seus textos.

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  • 31/07/2012 em 19:09
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    “Parece, antes, ó Trasímaco, que não dás nenhuma importância a nós que aqui estamos, pouco te preocupando que vivemos melhor ou pior, na ignorância do que dizes saber….Meu amigo não guardes para ti a sua ciência; somos um grupo numeroso, e todo benefício que nos conferireis te será amplamente recompensado…” (Republica)

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