Um dia de chuva

rain_boy_by_hekaru_karato306-d2zqmr5Ele olhou para fora e estava chovendo. Não devia sair, mas assim o fez, só pensava que se ficasse em casa iria enlouquecer. Desde que terminara o namoro não conseguia fazer nada direito. Só conseguia se lembrar dela dizendo:

— Acabou!

O resto ele não entendeu, saiu da casa dela sem rumo, andando pela rua sem saber para onde ir. Sabia que estava chorando, mas homem não chora, devia ser a chuva.

Também não queria sentir pena de si, mas não conseguia gostar de ninguém, só dela, e agora tinha acabado!

Num dia ele estava no paraíso, no cinema, de mãos dadas, no outro brincando de olhar as nuvens no céu. Este nunca fora tão azul e o dia jamais fora tão belo. Ele não se cansava de olhar para ela, seu sorriso, seu jeito de tirar o cabelo de frente dos olhos, os quais insistiam em voltar a cair no mesmo lugar.

Quando ficaram juntos pela primeira vez, sem saber onde o desejo podia levá-los, se deixaram ir, descobriram o amor. Ele achou que ia morrer! Mas se morrer fosse assim, não era ruim, era se perder no mar e não sentir sede, era cair, machucar o joelho e não sentir dor.

Só de olhar para ela, deitada a seu lado, tudo estava explicado. O mundo ficou tão mais simples, a cor do sol, o brilho das estrelas, o motivo pelo qual as formigas eram pequenas e o elefante era tão grande.

Mas aí… tudo mudou! As férias terminaram, e ao voltarem para o colégio, ela tinha que conversar com as amigas e ele só queria conversar com ela. Ele ligava para ela todos os dias, e o que antes era satisfação, agora ela achava que era insistência. Ele a esperava na saída da aula, ela ficava com raiva daquilo que antes era só alegria.

Ele só queria ficar com ela, ela queria ficar com todo mundo. Ele ficou com raiva dela por ela não ficar com ele, ela com raiva dele, por só querer ficar com ela. Aquilo que antes nunca fora motivo de briga, era agora razão de discussão, sem precisar.

Um dia ela não quis sair, ele perguntou por que, ela disse que não estava afim. A raiva chegou rápido, ele disse que queria falar com ela, ela disse que não queria falar com ele. Ele gritou que eles tinham que conversar, ela disse que não tinham nada para falar.

Ele perguntou, “Por quê? Ela respondeu: “Acabou!”

Continua chovendo, mas ele decide mesmo sair, não consegue mais ficar ali. Não consegue mais ficar sem ela, mas dela só ficou a falta, falta que ele não queria sentir, mas que permanecia, contra sua vontade.

Enquanto a chuva cai e molha seu rosto, ele se lembra de que não gosta da sensação de ficar molhado. A chuva cai mais forte, mas ele esquece que está sem guarda-chuva, só vai caminhando, procurando algum lugar onde sinta menos frio, não no corpo, mas na alma. Pois ela não estava ali, e ele sabia que era verdade!

 

 

5 comentários em “Um dia de chuva

  • 12/01/2013 em 11:48
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    A verdade é que Amor, Paixão na nossa especie não são eternos. Nem deveriam, é questão de momento, oportunidade. Os poetas e a sociedade nos enganaram… O amor é como chegar ao êxtase, e bom demais para ser suportado por muito tempo!

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    • 12/01/2013 em 13:52
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      Manuel concordo contigo em relação a paixão.Mas procuro um amor mais suave,mas com desejo ,sem ter que colocar pimenta malagueta para ficar bom!Que seja possível suportá-lo, ou vivê-lo por uma existência!

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    • 12/01/2013 em 13:49
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      … você ,Rosane, garota de Ipanema pode!

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