Um bom primo à casa torna

Foram mais de dez anos se nos vermos, ele lá e eu aqui. Ele em Bogotá e eu no Rio de Janeiro. Ele na Colômbia e eu no Brasil. Ele com minha tia e eu com minha mãe. Ele falando espanhol e eu português. Eu queria estar lá e ele queria estar aqui.

No início quase não tínhamos comunicação. Mas os tempos mudaram, e as redes sociais nos uniram. Fotos dele? Quase nenhuma. Meu primo, meu priminho, meu primo-irmão. Mesmo sem a convivência diária, o sangue sempre falou mais alto. O laço familiar fez seu papel: nos manteve conectados de alma, mesmo longe.  Ao longo dos anos, vi meus outros primos, os irmãos mais velhos dele (meus irmãos também, de criação e coração), mas a ele… não vi mais. Era uma criança quando saiu daqui. O tempo passou, bem rápido, diga-se de passagem. E Francisco cresceu. Virou menino, virou rapaz e está virando homem.

Ontem, quando tocou a campainha de casa, eu sabia que era ele do outro lado da porta. Pela primeira vez, em muitos anos, nos reencontramos. De um lado, o sorriso solto da “irmã” mais velha. Do outro, o abraço doce do “irmão” mais novo. De um lado o “entra logo na minha casa e de volta para minha vida”. Do outro o “deixa eu entrar logo de volta na sua vida”. Não passou de um minuto para a gente perceber que nunca tínhamos saído da vida um do outro: taí, o laço familiar fazendo o seu papel mais uma vez.

Agora, ele só vai para longe de mim, digo, fisicamente, se eu for junto. Não quero mais Francisco longe. Chegou a hora de voltar para casa, de voltar para a família, de voltar…

Que venham os novos tempos, agora com Francisco do meu lado.

 

 

Deixe você também o seu comentário