Três dias de paz …

Este é o nome do documentário que comprei há poucos dias: “Woodstock: três dias de paz e música”. Não vivi na época dos hippies, da luta contra a Guerra do Vietnã, da busca da paz e do amor. Venho de uma geração posterior; não cheguei a tempo de ver Jimi Hendrix e Janis Joplin cantarem ao vivo. Mas esse sonho que surgiu em terras americanas e ganhou o mundo nunca me pareceu tão presente. Afinal, ser hippie era ser livre de várias maneiras, mas principalmente livre de preconceitos.

No mundo atual, em que tudo nos é determinado, viver três dias de “loucura” e paz seria um sonho. Mas o sonho, como previu John Lennon – que infelizmente não tocou no festival –, acabou. Neste mundo plastificado, onde a censura e um falso moralismo predominam, viver três dias assim seria coisa de gente que não trabalha, de drogados e malucos. “O que esse pessoal está produzindo?”, diriam uns. “Povo à toa!”, gritaria a nossa sociedade de consumo.

Porém foi contra isso que aqueles jovens se rebelaram: o destino imposto, a obrigação de atravessar uma fronteira e matar alguém que não lhes fizera mal, de vestir uma gravata; eles queriam ir além.

“Mas essa cambada usava drogas!”, berram os guardiões da sociedade moderna. Sem querer entrar no debate, mas já entrando, beber pode, fumar pode, comer feito um louco pode e o resto não? Aquela turma não queria que todos fumassem maconha e fizessem amor ao ar livre, mas queria liberdade para que, se assim quisesse, pudesse fazê-lo. Pois a falta de liberdade, principalmente a falta de poder de escolha, é que mata. Pode demorar anos, mais de 80 até, mas mata. Todo dia levantar, tomar o café de sempre, olhar para a mulher ou o homem de quem já não se gosta tanto e ir trabalhar, sem saber por que, no escritório que se odeia, não era o ideal daquela juventude.

Esse era o quadro do futuro, que os jovens norte-americanos anteviram e não quiseram seguir. Hoje, vendo tanta gente que nem espera o avião parar e já liga o celular como se suas vidas dependessem disso, olhando o volume de carros na rua só aumentando, junto com a raiva de ficar preso no engarrafamento, percebendo a falta de cuidado na relação de uns com os outros, me dá vontade de voltar no tempo, deixar meus cabelos e barba crescerem, encontrar uma menina na estrada e ir curtir um som, fazer amor e viver três dias de paz.

 

13 comentários em “Três dias de paz …

  • 11/08/2011 em 20:16
    Permalink

    Muito bacana, Gu!
    Adoro os seus pensamentos!
    bjão

    Resposta
    • 12/08/2011 em 00:10
      Permalink

      Que bom Flávinha!
      Espero,que vc continue lendo meus textos!
      Bjo.

      Resposta
  • 05/08/2011 em 11:14
    Permalink

    Minha linda obrigado pelas palavras!,
    Bjo

    Resposta
  • 04/08/2011 em 18:26
    Permalink

    Que fantástico Gu!
    Acho que se eu fosse dessa época, com certeza seria uma “hiponga muito feliz!.”

    Resposta
  • 04/08/2011 em 18:08
    Permalink

    Parabéns ! De uma sensibilidade ímpar.

    Abraços,

    Cris

    Resposta
    • 05/08/2011 em 11:17
      Permalink

      Cris !Que bom que vc gostou!
      Abraço.

      Resposta
  • 04/08/2011 em 17:20
    Permalink

    adorei ! Quero tambem tirar 3 dias de paz e amor !
    bjo

    Resposta
  • 03/08/2011 em 20:02
    Permalink

    Amei. Foi um marco nas nossas vidas .
    Vc mandou super bem.
    Começou com o “pe direito”!!!!
    bjos.

    Resposta
    • 05/08/2011 em 11:20
      Permalink

      Va eu te encontrei na estrada alguns anos atrás.
      E continuo ouvindo a música!
      Bjo

      Resposta
  • 03/08/2011 em 18:27
    Permalink

    Defendo que todos nós temos um lado B. Eu adoro o meu!
    E meu lado B não pode caber só em três dias! Me dá mais um pouquinho?!
    Adorei!
    beijos

    Resposta
  • 03/08/2011 em 16:28
    Permalink

    Amei Guta! Esse documentário é show!
    Beijão da prima,

    Luiza Rocha.

    Resposta

Deixe você também o seu comentário