Táxiiiii…

É uma roleta russa: andar de táxi no Rio de Janeiro é uma incerteza do que vem pela frente. Podemos pegar um velhinho gente boa, um jovem malandro, um pai de família, um bêbado, uma moça legal, um louco varrido, um histérico, um cara mudo ou qualquer outra coisa — são mil e uma possibilidades. Tem taxista para todos os gostos aqui nesta cidade.

O que eu peguei há uns dias atrás quase me matou… de susto. Foram apenas 10 minutos, mas ele conseguiu me deixar meio desesperada. Primeiro, entrei no carro e mal conseguia falar por causa do som alto; achei, obviamente, que ele ia abaixar. Que nada, tive que gritar para dizer o endereço. Claro que ele não escutou de primeira. Não era mais fácil ter abaixado o som do que me fazer berrar nos ouvidos dele? Difícil de entender!

Depois, me saiu como um louco pelas ruas da Lagoa, freando em cima de todos os carros e correndo como se precisasse tirar o pai da forca. Grudei no banco e comecei a rezar. De repente, ele resolveu virar em um cruzamento… nem esperou o sinal fechar. Simplesmente foi, atravessou aquela avenida movimentada como se quisesse cometer suicídio… e homicídio, lógico, já que a passageira palhaça aqui estava junto.

Vi seis faróis praticamente em cima de mim, a poucos metros: eram três carros vindo como loucos da outra rua e, óbvio, iam pegar em cheio o lado onde eu estava, porque naturalmente o bonitão do motorista não faria isso se o dele estivesse na reta. Foi tudo tão rápido que nem deu tempo de pensar em nada. Só de sofrer.

Quando passamos e eu vi que estava viva ainda, disparei:

— O que é isso moço, pelo amor de Deus? Sabia que eu tenho um filho pra criar? Isso não se faz, eu quase morri do coração, agora ou esmigalhada por um monte de carros.

O cara de pau riu. Pode acreditar. E a resposta foi de uma falta de noção completa. Ele disse:

— Imagina. Você acha que se não desse tempo de passar eu faria isso? Tranquilo, estou acostumado.

Deve ser melhor escutar isso do que ser surda, não sei! O fato é que, ao invés de ele baixar a bola, continuou correndo feito um doido e me perguntando vinte vezes qual a entrada do restaurante em que eu queria ficar. Depois que cheguei sã (ou nem tanto) e salva ao meu destino, ele então conseguiu me pedir desculpas, depois de soltar um discreto “tudo de bom”.

Esse não foi o primeiro, nem será o último taxista estranho  que pegarei aqui no Rio. Claro que há alguns ótimos, que passam segurança e se comportam como pessoas normais. Porém, são minoria. A grande maioria consegue levar o passageiro ao nível mais alto de tensão.

Histórias não faltam para contar, há várias. Mas a roleta russa continua… só nos resta rezar!

 

 

4 comentários em “Táxiiiii…

  • 29/07/2012 em 08:35
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    SOU TAXISTA NO RIO A MAIS DE 15 ANOS, POSSO DIZER COM CERTEZA QUE A SUA DITA REGRA NÃO É VERDADEIRA
    INFELIZMENTE NA ZONA SUL DO RIO A NOITE CIRCULAM OS PROFISSIONAIS MAIS PROBLEMATICOS.
    EM RECENTE PESQUISA EM SP (http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/destinos/pesquisa-288-dos-taxistas-de-sp-falam-outro-idioma_80104.html) PODE SE VISLUMBRAR QUE A EXEMPLO DO RIO, SOMENTE 20% TRABALHAM A NOITE, E AI RESIDE O PROBLEMA. AO CONTRARIO DE SP, AQUI NO RIO TODOS OS PROFISSIONAIS QUE QUEREM PRESTAR MELHOR SERVIÇO SE REUNEM EM COOPERATIVAS E NÃO PONTOS DE ESQUINA. EM SUA PROXIMA VIAGEM DE TAXI, LIGUE PARA UMA COOPERATIVA E ESPERE NO MAXIMO 10 MINUTOS OU ENTÃO USE UM ENTRE TANTOS APLICATIVOS DE SEU SMARTPHONE PARA CHAMAR UM TAXI COOPERATIVADO, VC VAI MUDAR DE OPINIÃO EU GARANTO.

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  • 22/07/2012 em 16:36
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    os taxistas do rj são, com algumas exceções, vergonhosos. não têm modos, carros em estado ruim, fumam, correm…
    eu já peguei taxista que fumava, que o vidro do carro não levantava, que falava ao telefone, que corria que nem louco, que se recusou a me levar a lugar perto… de tudo!
    tenho vergonha quando algum amigo de sp vai para o rj. fico pensando como serão enganados quando mostrarem que não são cariocas.
    aqui em sp isso tb acontece, claro. mas é a exceção….

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