Sexta-feira treze

Hoje é sexta-feira treze, mas não vou cair na tentação de escrever sobre maus agouros, nem gatos pretos sendo judiados, nem bruxas fazendo suas convenções anuais. Acredito que milhares de matérias conterão esse tema.

Quero falar sobre o café da manhã, uma de minhas refeições favoritas. As outras são almoço, jantar e lanchinhos, todos sabem que sou um bom garfo. Gosto muito de acordar sem compromissos nem horários; fico esperando até que uma força sobre-humana me jogue literalmente para fora da cama.

O café da manhã está sempre me esperando, servido na mesa da copa com meu jornal na cadeira do lado, aguardando para jogar para cima de mim todas as torpezas de nossa política, todas as bobagens sobre a vida dos outros, especialmente artistas, e que em nada me interessam; e vou seguindo até achar um bom artigo, e, principalmente, algumas crônicas saborosas que degusto juntamente com o mamão com granola feita em casa.

No caderno de esportes, fico sabendo tudo sobre o mundo futebolístico e suas maracutaias; sobra muito pouco espaço para os outros esportes. Os jornais, como já salientei em outro artigo qualquer, além de venderem e auferirem lucros deveriam ter também a função de orientar e educar o leitor. Vejam que nem estou falando de ciência, literatura e questões mais elevadas; falo aqui de esportes, que é um tema que circula por todas as classes e tem trânsito razoavelmente permeável.

O café tem um aroma convidativo, aliás, o aroma é até muito melhor do que o sabor, me lembra muito as comidas nos Estados Unidos: somos atraídos por um cheiro irresistível, mas ao saborearmos o alimento percebemos que compramos gato por lebre. Misturado com um pouquinho de leite, nos remete à infância, e quase mergulhamos o pão nessa mistura, para que a recordação seja ainda mais vívida.

Controlado esse primeiro impulso, de dentro da cestinha forrada com um guardanapo de renda sai o reizinho do desjejum, um pãozinho de padaria ainda quentinho. O ruído, ao ser partido, também nos traz muita satisfação. Só com um pouco de manteiga já seria demais, mas, vamos exagerar, uma boa fatia de queijo branco feito pela caseira da fazenda — se este faltar vamos nos conformar com uma de parmesão, mesmo. Com certeza ainda restou um pouco daquela geleia de jabuticaba do jardim, não vamos deixar estragar. A mistura fica sensacional.

Me distraio um pouco com o canto dos passarinhos, pois é, pasmem, São Paulo tem passarinhos… e retorno ao jornal. Acho que tenho que ter esse contraponto na minha manhã: coisas boas e coisas ruins.

Infelizmente, já sinto que tenho que ir terminando essa parte tão saborosa de meu dia, no mínimo preciso sair e ir praticar algum esporte, mas ainda tem a parte do jornal que é a sobremesa: as tirinhas, as palavras cruzadas e o sudoku. Afinal, temos que pensar também no exercício do cérebro.

A porta está aberta, e com um susto vejo a gatinha Samantha pular em meu colo. A danadinha vem em busca de carinho e, se eu bobear, de uns restos de queijo também. Ela é cinza e muito lindinha. Tenho certeza de que só me deseja o bem; na verdade, sou apenas uma agente de delícias para ela, portanto tenho que estar em forma para cuidar dela.

Saio nesta sexta-feira treze com a certeza de que terei um dia maravilhoso.

 

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Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

4 comentários em “Sexta-feira treze

  • 14/07/2012 em 22:59
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    Café com leite, pão com manteiga e o Estadão … E assim começa o dia !

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  • 14/07/2012 em 18:28
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    Que cronica sensacional, amei! Bj

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  • 14/07/2012 em 09:03
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    Sexta feira treze se foi. Já é sábado!
    Já tomei meu café da manhã que é a primeira coisa que faço todos os dias.
    Não sei começar o dia sem tomar café com leite, pão e manteiga!!!!
    Parece que é a alavanca para nos situarmos no mundo real depois de uma noite de sonhos.
    Linda crônica.
    beijo grande

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  • 13/07/2012 em 19:40
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    Estou com inveja! Saudável claro.
    Hoje nosso sistema ficou fora do ar … Dia inteiro !
    Esqueci as chaves do carro…. dentro !
    Meu cartão não funciona no banco….

    Bem… que inveja !

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