Sem medo de ser feliz

Antes de começar a escrever esta crônica quero me solidarizar com a combalida família que recebeu a notícia da morte prematura de seu filho que morava na Austrália, por uma incrível fatalidade. A perda de alguém tão jovem, cheio de saúde, vida e alegria nos abate sobremaneira. Num mundo ideal, nenhum pai deveria sobreviver ao filho. Infelizmente, não é o que acontece.

Isto posto, desejaria retornar a um tema que ultimamente tem se tornado recorrente na mídia, nas trocas de email e nas comunidades virtuais: a urgência de ser feliz e aproveitar a vida. Nesse afã muitos se perdem, já tendo experimentado de tudo e querendo ainda mais. O estado de espírito que os jovens atingem em suas decantadas baladas não pode ser algo de benfazejo quando se torna corriqueiro. As festas e comemorações são importantes para todos, desde que não se torne uma profissão. Vejo muitos que comprometem sua saúde, perdendo importantes horas de sono e descanso visando fazer muito mais do que o corpo e a alma comportam.

Nós, pais, fomos abençoados com a possibilidade e a responsabilidade de guardar essas preciosidades que são as vidas de nossos filhos, até que eles tenham juízo suficiente e experiência necessária para saber qual o verdadeiro sentido da felicidade. Pais, não tenham medo de perder o amor de seus filhos sendo exigentes e conservadores! Eles não vão deixar de amá-los – a não ser durante a adolescência – se vocês lhes derem amor e cuidados. Hoje, prolongamos a infância e juventude cada vez mais, e vemos filhos que antigamente já estariam, em sua idade, cuidando de suas famílias, sem tempo nem disposição para procurar encrenca, ainda fazendo cursos e esticando os estudos infinitamente. O trabalho fica para mais tarde.

Quem já teve a oportunidade de, com seu próprio esforço, adquirir seu primeiro carrinho, sabe que essa sensação de alegria, dever cumprido e orgulho não se compara à compra de nenhum outro que a vida lhe proporcione, por mais espetacular que possa ser. Vejo etapas queimadas na vidas desses jovens, tanto na parte afetiva como financeira. Muitos moços não têm tempo de escalonar sua lista de valores e já estão usando carros magníficos, que convidam a enfiar o pé no acelerador só pra ver até onde vai – longe e depressa. Muitos acidentes ocorrem nessa fase, quando a imprudência inerente à idade se cruza com a oportunidade. Outros insatisfeitos procuram nas drogas – qualquer uma que altere a percepção – estados de euforia que os tirem da monotonia, repito, monotonia das baladas, ficadas, bebidas, que ao fim já perderam a graça. Quanta emoção havia num roçar de mãos…

Pais, aguardem mais uns anos que seus filhos lhes trarão a oportunidade de estragar com mimos e permissões outras crianças, que nada sofrerão por causa desses desmandos dos avós. Quem os teve se lembra com carinho e saudades de todas as travessuras permitidas quando em suas casas, com cheiros característicos, objetos inusitados, comidas saborosas a qualquer momento que quisessem. Deem a oportunidade para que seus filhos se tornem grandes.

Quem ainda não sabe deve aprender: que quem ama educa.

 

 Publicado também no meu site

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8 Resultados

  1. Cármen Rocha disse:

    Querida, eis o nosso destino – o dos escritores – escrever para passar o q sabe, e ajudar a evoluir ; e educar, com os ensinamentos que a vida nos proporcionou e soubemos absorver.
    Sua mensagem é bela.
    Bjs, Cármen Rocha

  2. bel disse:

    Minha querida Priscila!
    Vc consegue atraves de palavras focar meus pensamentos e de muitos de nos que se deparam a cada minuto com as “barbaridades” que nossos jovens cometem. Será que é só falta da severidade na educação? Tenho tantas dúvidas e para não dizer “medo” do futuro de meu neto…………. Deus ilumine o caminho de todos para que tenhamos um mundo cada vez melhor. Bjs

  3. Pois é……dificil opinar aqui.!
    Fui uma mãe bem meio termo : eduquei, mas deixei livres.
    Dei a base, ensinei o certo e o errado, mas deixei que eles fossem bem cedo se aventurar pela vida.
    O mais velho, saiu de casa para a faculdade fora de SP com 17 para 18 anos…
    Nunca mais voltou a morar comigo!
    A do meio, morou na França, morou em Floripa..até que aos 21, foi embora para Natal, ficou lá 10 anos, conheceu e casou com um carioca e hoje mora em Niterói.Dela, tenho uma INTERneta!
    A mais nova, passou do intercambio nos USA, para uma tentativa de morar sozinha, aos 17, então
    PAI trocinada…
    Nunca mais voltou : de lá foi fazer faculdade nos USA, conheceu e casou com um americano elá está até hoje, junto com meus 3 INTERnetos !
    Nao sei como teria sido se tivessem ficado mais tempo, talvez tenha mesmo sido prematuro. Mas, uma coisa eu digo com convicção : NÃO aprovo esses “moços e moças”de 35 anos, que ainda moram com os pais.
    Acho que falta iniciativa, coragem de ousar, de até baixar um pouco o padrao de vida proporcionado em casa, e dar a carinha pra bater!
    Fico meio indignada quando vejo esses seres mamando no din din do papai, e na comidinha da mamãe.
    Mas, essa sou eu! Que aos 21 já era mãe de 1, aos 23, de 2 e, mais pra frente, aos 28, de 3 !
    Hoje, se ouço uma dessas eternas adolescentes de 37 dizerem : ainda não tenho estrutura pra sair de casa, respondo : na sua idade, meu bem, eu já tinha filho de 16 anos, trabalhava fora, e eles iam de busão para o clube ou para o inglês…a cada dia aprendendo como se cresce!

  4. Regina Mendonça disse:

    Olá, Priscila, paz!
    Muitíssimo pertinente o seu texto. Muito importante para pais e avós. Ideias claras e esclarecedoras que destacam nossa responsabilidade sobre as gerações que nos sucedem. Ser feliz não é urgente. Urgente é cultivar em nossos jovens não os valores deste ou daquele, mas cultivar os valores certos!
    Gostei!
    Um abraço

  5. Olá Priscila.
    No mundo de hoje essa urgência de ser feliz acaba tendo um efeito ao contrário.
    Sua crônica é bem esclarecedora sobre essa ssunto.
    Parabéns.
    beijo grande

  6. Me emociono muito……….

  7. Obrigada Paulo por seu comentário. Tratando-se de pessoa conhecedora do assunto e com experiência como você me estimula mais ainda em minha campanha. Nós somos responsáveis.

  8. Paulo Lima Soraggi disse:

    Muito massa, Priscila! Extremamente oportuno. Já dei aulas no sistema Anglo por 9 anos e sei da pertinência de suas ideias. Muito legal mesmo. Paulo L Soraggi.

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