Segunda-feira, o jogo

Quis prestar uma homenagem singela a uma amiga e escritora, Cassia Cassitas. O nome “Segunda-feira, o jogo” é uma brincadeira com o livro Domingo, o Jogo, em primeiro lugar nas listas nacionais.

Segunda-feira, o jogo.

Acabei de assistir a um jogo de tênis incrível entre Nadal e Jokovic. A maioria das pessoas não se importa com o esporte, mas minha crônica tem mais a ver com outra coisa: a incrível capacidade que nossa mente tem de exercer domínio sobre nosso corpo.

São dois homens muito bem preparados física e tecnicamente, mas quem ganha o jogo é a mente, a mais forte, a que naquele momento está mais decidida: quando as pernas estão exaustas mandando mensagens ao cérebro ininterruptamente para que cesse o movimento e ainda assim a vontade de vencer determina que não, o jogo tem que continuar. A fadiga se apresenta e as dores surgem, mas mesmo assim o guerreiro continua… quando, de repente, um fato extraordinário surge quebrando a concentração.

Daí, um elo se rompe e vem tudo abaixo de repente. Aquele que não está preparado para isso, ou que tem uma personalidade mais ingênua, cai na armadilha. No caso desse jogo, especificamente, foi a entrada do fisioterapeuta em quadra para tratar de uma suposta lesão.

Podemos transportar esta mesma situação para outros eventos em nossas vidas. Desde cedo, nossos pais podem nos ajudar a fortalecer nossa vontade e caráter, fazendo com que assumamos as responsabilidades de nossas atitudes — estando ao nosso lado, para nos dar apoio, sem nunca assumir para si os encargos que podem ser suportados por cada criança e adolescente de acordo com sua capacidade naquele instante.

Hoje, em nossa sociedade brasileira, vemos pais que na ânsia de demonstrar seu amor pelos filhos se posicionam de maneira a servir de anteparo às pequenas mazelas, tomando as dores dos petizes contra professores, educadores ou técnicos esportivos, questionando sempre suas atitudes e deixando a criança perceber que tem costas quentes.

Ora, um dia isso vai acabar. Na vida adulta é impossível ter sempre quem tome providências em nosso lugar, e é aí que começam os problemas. Os mais fracos sucumbem às drogas, à depressão. Fracassam!

Importante é criar os filhos para o mundo que vão enfrentar. Quando forem adultos e bem-sucedidos, vão entender que todas as “maldades” que você fez, às vezes com o coração em frangalhos, foi em função de um grande desprendimento e generosidade. Só os egoístas e fracos são capazes de tomar atitudes para não desagradar os filhos e, assim, garantir o seu afeto. Mais tarde podem se arrepender.

O esporte muitas vezes é o responsável para, de maneira saudável e segura, ajudar no crescimento físico e emocional das crianças. Se o técnico for esperto, sempre deixará um espaço para que a criança desenvolva sua natural tendência à criatividade que, muitas vezes, fará a diferença na hora de sacar um golpe inusitado.

Meu jogo para amanhã já está marcado. Minha adversária que se cuide!

 postado também no meu blog

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

15 comentários em “Segunda-feira, o jogo

  • 22/09/2011 em 23:08
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    Priscila, você levantou uma bola importantíssima…achei o máximo!

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  • 22/09/2011 em 21:57
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    Espero que o exemplo que me deu a vida toda me ajude a criar meu filhote para ser um adulto forte e centrado! (E quem sabe um pequeno tenistinha!)

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  • 19/09/2011 em 18:59
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    Valeu!
    Muita gente precisa mesmo pensar na maneira como educa seus filhos e realmente prepará-los para a vida adulta.
    O esporte ajuda muito aprender a lidar com as frustrações, pois nem sempre dá pra ganhar tudo.

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  • 18/09/2011 em 11:48
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    Pri! Vc me surpreende a cada semana. É isso minha amiga, agora são nossos netos que tem como espelho os pais que educamos. Parabens

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  • 17/09/2011 em 12:52
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    Pri amei a sua cronica, parabéns!

    Bjs

    Ana

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  • 17/09/2011 em 11:31
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    Parabéns, Priscila. Sua crônica está muito bem escrita e muito correta. Faço minhas as palavras dos comentários anteriores e acrescento que, apesar de tudo, a capacidade de nossa mente de dominar nosso corpo é um fato. Vamos praticar esta força! beijo grande

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  • 16/09/2011 em 18:54
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    Priscila,

    Hoje vou fazer minhas as palavras de suas amigas que escreveram antes de mim, principalmente a Cris Celentano. Passei, e passo, por uma situação semelhante, mas, logicamente, invertidos os papéis.
    Uma coisa que você escreve e que acho importante na vida das pessoas é a prática de algum esporte.
    E até acho que inicialmente deve ser um esporte coletivo, de forma a que a pessoa (criança ou não) aprenda a conviver, dividir vitórias e derrotas, aprender a vencer e a perder. Depois um esporte individual para que possamos treinar melhor a mente para que seja mais forte, dado depender de você somente, como ocorre com o tenis.
    Digo isto pois foi assim que ocorreu comigo na vida. Até o cardiologista não mais me permitir esportes “violentos” como o tenis (hehehe) e recomendar caminhada.
    Que ajuda a manter a mente focada em outra ou outras coisas e, se você quiser, criar desafios para serem superados, como aumento de distância, tempo gasto no percurso, etc.
    Bem, chega de blá, blá, blá…parabéns por mais esta delícia de crônica e até a próxima semana.

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  • 16/09/2011 em 18:54
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    Estou de acordo que o esporte ajuda muito na educação de nossas crianças
    musica também vejo com resultados o trablho de Jõao Carlos Martins,
    é sensacional . Sempre pratiquei com meus filhos a educação antiga,
    a que eu tive, com muito bons resultados

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  • 16/09/2011 em 14:23
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    MANA VÉIA, VOCÊ MANDA MUITO BEM,NÃO SEI NA QUADRA ,MAS NO TECLADO …

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    • 16/09/2011 em 15:42
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      Mana Véia.
      Amanhã tenho campeonato de beachtennis. Torça por mim.

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  • 16/09/2011 em 13:53
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    Vc conhece a pessoa ……….na quadra!!!! bjs

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    • 16/09/2011 em 15:44
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      Verdade.
      Você na quadra é feliz, lutadora e correta. Gosto de jogar contra você e gosto de sua amizade.

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  • 16/09/2011 em 11:19
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    Correto, bem escrito e muito bem lembrado. Tive este tipo de problema na educaçao de meus 3 filhos : pai permissivo, mãe justa. Nunca fiquei do lado deles em situaçoes nas quais eles eram evidentemente culpados. Se doeu? um pouco, confesso.
    Mas eu sabia o que estava por vir : a vida fora do ninho…onde ninguem iria abriga-los sob as asas.
    Hoje posso dizer que, se fui severa, colho meus frutos. Os tres tem suas casas, seus empregos, lutaram por seu lugar na sociedade, cresceram fortes. Foi mais difícil no divórcio, pois o tal pai, já permissivo por conforto, virou ainda mais, por culpa. Teve filho que se rendeu…felizmente por pouco tempo.
    The money power ! Adolescente se rende fácil ! Mas, ao tornar-se adulto, enxerga a futilidade e a superficialidade de tal atitude paterna.
    Priscila, adoro ler algo tão bem escrito. Faz bem para a alma, e me lembra que, afinal, com tantas mulheres inteligentes nesse mundo, nem tudo está perdido ! beijos e Parabéns!

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    • 16/09/2011 em 15:43
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      Cris.

      Obrigada pelos comentários.

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