Seguidores famosos

Ao observar o gênero policial, podemos ver que os autores bem sucedidos foram usando a fórmula com sabedoria e agregando detalhes da época.

Os seguidores da fórmula criada por Poe foram muitos. Pretendo falar de alguns deles, hoje Rex Stout (1886-1975). Ele criou uma fórmula que repetiu 46 vezes, sem escrúpulos, e vendeu muitos milhares de livros, que se desdobraram em filmes e séries de TV, 46 histórias com o famoso detetive Nero Wolfe, considerado o mais cerebral de todos os detetives americanos: gordo, gastrônomo, leitor de poesias e criador de orquídeas.

Nero Wolf jamais deu um passo fora de casa para resolver as equações de sangue e mistério que lhe eram apresentadas. Isso ficava por conta do narrador das histórias, a exemplo de Dr. Watson, seu assistente Archer Goodwin. Ele era jovem e esbelto como manda o figurino, encarregado de arrebanhar para a casa (com orquidário e um cozinheiro invejável), no coração de Manhattan, todos os protagonistas e antagonistas da encrenca em pauta. Ali, reunidos diante da escrivaninha de Wolfe, eram submetidos à astúcia dedutiva do nosso detetive até que, do entrechoque das versões e contraversões, de confissões e atos falhos, desabrochava, como uma flor do seu orquidário, o irrefutável culpado.

Você que está lendo esta crônica, com certeza já leu uma dessas histórias! Muitas delas foram publicadas no Brasil! Eu li e reli nem sei quantas! Além de gostar demais de Nero Wolfe como detetive, gosto do seu charme nas refeições; quando nem se falava em harmonizar vinhos, cervejas e comidas, ele o fazia com maestria.

Mas vamos começar do começo. Rex Stout nasceu no estado de Indiana, de uma antiga e tradicional linhagem de quakers. Pouco depois do seu nascimento,  seus pais, John Wallace Stout e Lucetta Elizabeth Todhunter Stout, mudaram-se junto com os seus nove filhos para o estado do Kansas. Seu pai era professor e encorajou-o a ler. Diz a lenda que ainda na infância Rex leu a Bíblia inteira por duas vezes. Aos treze anos, foi campeão estadual do concurso de soletrar. Mas ele era bom mesmo em matemática.

Estudou na Universidade do Kansas. De 1906 a 1908 serviu na marinha dos Estados Unidos, e durante os quatro anos seguintes trabalhou em cerca de treze empregos diferentes em seis diferentes estados americanos. Esporadicamente, vendia poemas, histórias e artigos para diversas revistas, entre as quais a All-Story Magazine. Em 1916, devido à sua fluência em matemática e à invenção de um sistema bancário escolar, ganhou dinheiro suficiente para lhe permitir extensas viagens pela Europa. Tratava-se de um sistema de registro de poupanças efetuadas pelos alunos, pelo qual recebia royalties, e que foi adotado em cerca de 400 instituições de ensino dos Estados Unidos. Em 1929, em Paris, escreveu o seu primeiro livro, How Like a God. Regressou aos Estados Unidos e começou uma carreira literária que incluía romances policiais, contos e ficção científica.

Foi em 1934, com quase 50 anos e a publicação de Fer-de-lance (no Brasil, Serpente ou Picada Mortal), a primeira história protagonizada pelo detetive Nero Wolfe, que ele atingiu reconhecimento da crítica e do público. Esse livro foi adaptado dois anos depois para o cinema sob o título de “Meet Nero Wolfe”, dirigido por Herbert Biberman, com Edward Arnold no papel principal e Lionel Stander como Goodwin.

No ano seguinte, Stout publicou The League of Frightened Men (A Confraria do Medo), que foi adaptada para o cinema com Walter Connolly no papel principal e mantendo Stander como Archie Goodwin.

O escritor foi presidente do Author’s Guild e dos Mystery Writers of America. Em 1959 recebeu o Grand Master Award. Stout foi ativo em causas liberais e ignorou uma intimação da Comissão das Atividades Antiamericanas, no auge da era McCarthy. Anos mais tarde, perdeu muitos amigos liberais devido à sua posição em favor da intervenção dos Estados Unidos na guerra do Vietnam. No auge do sucesso, mudou-se para a França. Dizem que ele trabalhava em seus escritos três a quatro meses por ano; no resto do tempo cuidava da fantástica villa em que vivia.

Suas histórias foram publicadas e venderam muito. Também se transformaram em filmes e séries para TV. Nero Wolfe foi representado no cinema entre as décadas de 1930 e 1980. Em 1981, Nero Wolfe, representado por William Conrad, deu título a uma série de televisão de 14 episódios produzida pela Paramount Television e transmitida pela National Broadcasting Company (NBC). Em 2001 foi iniciada uma série televisiva com Maury Chaykin no papel de Nero Wolfe e Timothy Hutton representando Archie Goodwin. Esta série transmitiu 29 episódios em duas temporadas.

Nero Wolfe era tão bom que o escritor Robert Goldsborough tentou revivê-lo nos anos 1980, mas não obteve sucesso. Rex Stout morreu em 1975 na sua suntuosa villa no Mediterrâneo.

Como se vê, uma fórmula bem adaptada pode dar certo!

 

5 comentários em “Seguidores famosos

  • 19/09/2011 em 17:41
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    Vera,

    Gostei muito do artigo, obrigado!

    Para conhecer Nero Wolf, ler 2 ou 3 livros está bom 🙂 A repetição da fórmula que faz sucesso lembra a máxima “para que mexer no time que está ganhando”, não é mesmo?

    Embora tenha feito grande sucesso, esse autor foi de uma geração que em nada inovou. Na verdade, o tema policial já estava consagrado e o autor soube como poucos capitalizar esse sucesso. Ele é o representante de uma época em o romance polícial alcançou seu merecido lugar ao sol.

    Quando penso nele, lembro de uma citação em um livro que compara a geração dele com os dinossauros. Imagine aqueles dinossauros gigantescos que dominaram de forma soberana o planeta há 60 milhões de anos. Essa foi a geração do Rex Stout 🙂

    Um abraço!

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  • 14/09/2011 em 22:54
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    Olá Vera…. é claro que li e fiz comentário sim, mas no Grupo do James…. e sou fã com certeza do inesquecível Nero Wolfe… abração….

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  • 14/09/2011 em 11:39
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    Queridos Gustavo e Alexandre. Fico bem feliz que meu texto tenha despertado em vocês a vontade de rever essas histórias que nos pegam na prímeira página e nos levam sempre a um final feliz. Com o detetive apontando o culpado. Boa leitura. Beijo grande.

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  • 13/09/2011 em 16:23
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    Vera
    Muito bacana!Vou recomeçar a ler policiais por sua causa!
    Bjo,
    Gustavo.

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