Seca e vírus, dedo e saúde

A região não tem seca das brabas; a secura é do ar e arranha a garganta. Sofrem mais os senhores de idade e as tenras crianças, principalmente se a tal rinite vem estragar a felicidade: é um tal de tosse de cá, tosse de lá, e uma tosse insistente, persistente, que vai minando a paciência e as forças dos alérgicos.

Por infelicidade ou ciclo de amargura, este ano não está sendo diferente, batendo recorde como se fosse vencer as olimpíadas; o ano teve seu meio frio, e em continuação a seca e o calor trouxeram a estação das tosses, o perrengue atingindo seu clímax com a chegada dos vírus oportunistas.

As filas dos prontos-socorros crescem a olhos vistos, e a contaminação segue se espalhando. Chega um com tosse e sai com diarreia. Vem outro com diarreia e toma tosse de quebra. Nessas trocas de virulência, e talvez também de bactérias, os pobres inocentes são os mais atingidos.

São pais chorando por um horário em todo tipo de consultório, médico de socorro, convênio e particular, no afã de encontrar a cura para seu pequeno, na ilusão de que o dinheiro vai curar. E não é que dinheiro ajuda? Se não fosse por ele a vaga não sairia, ou se saísse não traria o remédio de ponta. O desespero já está instalado: como um dos filhos da doença, acomoda no caixão os que dele se servem, tirando o viço e fazendo pais definharem no vazio da culpa.

Há culpa para se achar, sempre há! E de tanto matutar, aparece uma escolha malfeita, e a solução é esperar para apostar na cura, na cura do dedo, do voto, que trará outra realidade, e talvez, um dia, a saúde seja melhor para todos, e não só para os que têm.

 

 

Edegerdo Hardt Junior

Edegerdo Hardt Junior nasceu em Jacareí, São Paulo, em 1974. Aos três anos foi morar em Taubaté, cidade onde vive até hoje. Descobriu o maravilhoso mundo da leitura com a mãe; no colégio descobriu a vontade latente de escrever, a que deu vazão por intermédio da poesia. Formado em advocacia, atuou profissionalmente em Taubaté por sete anos. Em 2010, com o falecimento de seu avô materno aos 100 anos de idade, ainda jornalista ativo, voltou a praticar outros gêneros de escrita que não o jurídico. Seu livro de estreia, Algo para pensar: uma aventura diária, será publicado em breve pela KBR.

Um comentário em “Seca e vírus, dedo e saúde

Deixe você também o seu comentário