Retocando o passado

Começou o verão e um novo ano começará no dia 1 de Janeiro de 2012, segundo o calendário gregoriano, que é o que usamos. Essas marcações do tempo só fazem realmente sentido por causa das estações, que mudam ciclicamente, vão e voltam, e nós sentimos na pele e nos ossos os seus efeitos.

Num momento em que se fala de fim de um Ano Velho, gasto, e começo de outro, Ano Novinho em folha, é claro que é mais do que natural ter a ideia de deixar para trás o que não são boas memórias e pensar no próximo ano como um portal de esperança. Agora sim, teremos mais sorte, escolheremos os melhores caminhos, acertaremos a direção, o nosso alvo. Encontraremos o grande amor e a paz de espírito, e acabaremos com as nossas angústias, medos e demais feiuras! Vamos então comemorar!

É realmente um momento mágico, um hiato de tempo, uma fenda por onde nossos melhores sentimentos vêm à tona: boa vontade, amor, compaixão, alegria, gratidão, solidariedade, integração com o mundo em que vivemos e com a vida que levamos. Somos tomados por um espírito vencedor; afinal, ultrapassamos mais uma etapa de lutas e expectativas, sangue, suor e lágrimas. As dificuldades do ano que termina ainda estão frescas na nossa memória.

Aí entra o espírito da mudança, da esperança, para a qual precisamos de uma raiz, uma semente. Estendemos nosso sentimento de vitória ao passado mais remoto, lançamos a rede para pegar boas memórias. Ah, como era gostoso aquele tempo! Falando sério, como eu me diverti! Ri muito com meus amigos, ouvi histórias hilárias e contei as minhas também. Fiquei em silêncio com o meu amor e com os meus amigos, às vezes, saboreando momentos inesquecíveis. Vi paisagens maravilhosas; peguei chuva totalmente desprevenido; fiquei p. da vida, mas depois quase morri de rir ao olhar na vitrine a minha triste figura, todo molhado e escorrido.

Escapei de grandes perigos, saí ileso de enrascadas emaranhadas. E tudo o que sofri e chorei por aquela pessoa que me deixou, que bobagem! Passou! Quis me vingar, quis virar o jogo. Perdi tempo à beça, perdi alegria. Pensando bem, aquela pessoa não valia nem um centésimo das minhas lágrimas. Mas, mesmo assim, hoje não guardo mágoa nem rancor.

Guardamos uma secreta ou explícita sensação de nos termos dado ou termos recebido uma nova chance. Tudo pode acontecer, realmente. Vai começar o jogo outra vez, com um cacife intacto.

Nova chance: é tudo de que eu precisava.

Acho que podemos simplificar a nossa lista de resoluções para o ano novo, limitá-la a cultivarmos o sentimento que nos toma agora: o perdão. Para si, para os outros e para as circunstâncias. O perdão joga fora o que não serve e libera boa vontade, amor, compaixão, alegria, gratidão, solidariedade, integração com o mundo em que vivemos e com a vida que levamos, e tudo o mais que nos faz bem. É só prosseguir!

Vamos então comemorar com tudo! Boas festas e  até o próximo ano!

 

 

Um comentário em “Retocando o passado

  • 24/12/2011 em 14:49
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    Muito bom! É isso aí! Bola pra frente que atrás vem gente…
    Parabéns pela cronica e até 2012…
    Feliz Natal!
    Feliz 2012!
    Tudo de bom pra você!
    abraço,
    Raul

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