Quase morta no Mar Morto

A guia da excursão acenou com a possibilidade de um mergulho no Mar Morto, oportunidade imperdível, com direito a banho de chuveiro depois do banho de água salgada.  Saindo do ônibus, o maiô já vestido por baixo da roupa, foi só trocar os sapatos por um par de chinelos.  Ao perceber que, apesar do sol de rachar, a areia não estava assim tão quente, a garota de Ipanema aqui, acostumada às redes de vôlei e ao verão, dispensou os chinelos.  Se longe do mar a temperatura da areia era suportável, perto dela seria amena.

Essa suposição foi o primeiro erro do dia.  No Mar Morto, ao contrário do Oceano Atlântico, quanto mais você se aproxima dele, mais escaldante se torna a areia.  Os poucos e longos metros finais que me separavam da água foram percorridos aos pulos e seguidos de um mergulho instantâneo.  Sensação agradável a de flutuar naquele mar tão salgado.  Só não deu para descontrair muito porque eu não conseguia pensar noutra coisa a não ser na frigideira de areia que me aguardava no caminho de volta.  Decididamente, as minhas solas dos pés não têm vocação para ovo frito.  A corrida que dei para sair dali foi a mais rápida da minha vida, digna de uma Olimpíada.

O banho de água doce era numa espécie de vestiário mantido por um restaurante da orla.  Acreditar que tomaria esse banho foi o segundo erro do dia.  Os canos que vinham da caixa d´água passavam por baixo daquela areia abrasadora e o que chegava até nós era água fervendo.  Literalmente.  Não dava para ficar embaixo do chuveiro, só para rodar em volta dele, colocando a mão em cuia e salpicando o corpo com alguns pingos.  Ainda daria para administrar se fosse possível usar o sabonete, mas aprendi que sabão não faz espuma naquela temperatura.

Os poucos turistas que, como eu, tinham topado a aventura, a essa altura estavam mortos (sem trocadilhos, por favor, que a coisa foi séria) de ódio pela guia, que não só não tinha avisado sobre os desconfortos que iríamos enfrentar, como até acho que vi em seu rosto um sorriso discreto e maroto quando voltamos ao ônibus, cheios de sal e calor.  Era uma espanhola que, no início da excursão, contou uma história desagradável sobre turistas brasileiros, para que não houvesse dúvidas quanto à opinião dela sobre sul-americanos.  O terceiro erro do dia foi não ter enchido de porrada a tal guia.  Porrada psicológica, é claro, porque ela era maior do que eu e calçava quarenta e quatro.

Já me disseram que atualmente as coisas andam diferentes por lá.   Não o mar, a infraestrutura.  Qualquer dia pretendo conferir.  Merece.

 

 

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2 Resultados

  1. albertina disse:

    ri a valer….Toda a excursão tem sempre muitas passagens hilárias.Em Capri, eu e duas amigas nos perdemos do grupo.Eles tomaram a lancha e nós ficamos a ver navios.Quando acordamos era tarde.Tomamos outra lancha passados 15 eternos minutos e, em Nápoles tivemos que enfrentar a ira dos demais companheiros de viage.Foi horrivel.

  2. manuel funes disse:

    Hilário…
    Realmente, de forma geral la fora as coisas “NUNCA” se apresentam como compramos no “folheto promocional”.
    Os patifes “Turísticos” estão presentes de forma homogénea….

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