Quando você está perdido, qualquer vento é favorável

Quem descobriu Portugal?

Essa era uma pergunta que eu me fazia quando estava estudando história e a pergunta normal era “quem descobriu o Brasil”.  Eu achava que todos os países eram descobertos.

Bem, eu descobri Portugal.         

Em uma viagem de dez dias, conheci o país de minhas origens e uma dicotomia ainda maior do que a do Brasil. O passado deles é muito mais antigo, e o presente dentro da comunidade europeia é muito mais futuro.

Nas pequenas cidades costeiras onde ainda se podem imaginar caravelas, quase umas casquinhas de nozes, singrando ondas que se arrebentam contra os penhascos de pedras negras, fica-se imaginando a coragem daqueles homens movidos pelas necessidades de sobrevivência numa Europa conflituosa, onde a belicosidade os obrigava a construir fortalezas que hoje testam as panturrilhas e joelhos dos turistas mais bem preparados.

Em cada um daqueles senhores e senhoras, ainda vestidos como no século XIX, eu podia ver as atitudes de meus avós, a maneira de falar e os gestos abruptos tão característicos, mas que aqui no Brasil são entendidos como agressivos. A coragem e a força que muitos brasileiros têm para trabalhar vêm deles, e mais, a maneira tão direta de responder as perguntas por nós formuladas, deixando bem claro que se você quiser uma resposta correta, melhor perguntar direito.

Nos trabalhos caprichados de artesanato pode-se notar uma criatividade inesperada, aproveitando toda sorte de materiais recicláveis com engenhosidade e beleza. As cidades pavimentadas com pedras brancas e brilhantes, dando a sensação de pós-chuva, ficam sempre muito claras, e mesmo seus becos mais estreitos nos convidam a apreciar as casas com balcões de ferro fundido, coalhadas de vasos de flores.

Nessa minha jornada tive a incrível felicidade de compartilhar a companhia de minha filha, que por um feliz acaso do destino teve um tempo entre suas atribulações e pôde me acompanhar. Foram muitos quilômetros rodados trocando ideias, outros tantos num silêncio compartilhado tão característico dela como meu.

Saborear a cozinha típica em qualquer pequeno restaurante, ou até nos mais sofisticados, é sempre um prazer. Os pratos são em sua maioria de frutos do mar, já que durante todo o percurso se podia divisar o oceano e a quantidade enorme de pescadores. As bebidas mereceriam um capítulo à parte, pois os vinhos de excelente qualidade podem ser degustados com alegria, compondo com a comida uma incrível parceria .

De lá eu trouxe muitas fotos, lembranças e algumas garrafas de vinho que vão ajudar a mitigar um pouquinho essa saudade tão antiga, que eu nem sabia que tinha.

Isso dava um fado, hein?      

 postado também no meu blog

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

Um comentário em “Quando você está perdido, qualquer vento é favorável

  • 21/10/2011 em 00:06
    Permalink

    Conforme já lhe comentei, Priscila, e as comidas? E as receitas? Os temperos, os sabores? Os doces e tudo o mais. Só esta foto que ilustra a crônica já vem com aromas e sabores embutidos. Ou em zoom. Como nos reencontramos quando em Portugal, não?

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