Quando o errado dá certo.

Era o aniversário de 86 anos da bisavó do meu filho, um convite para passarmos com ela um fim de semana agradável no Hotel Arvoredo, batizado originalmente como fazenda Santa Maria. Na última sexta-feira pela manhã, toda família estava a postos para o início de uma viagem perfeitamente planejada, o filho ansioso, pedindo para ver os bichinhos desde a noite anterior. O Hotel, que mantém todas as características originais de uma fazenda do ciclo do café, é bastante tradicional na região do Vale do Paraíba. Tinha tudo para dar certo!

Já na estrada, despenca um temporal, daqueles de não se enxergar um dedo a frente. Passou. Veio a paradinha para comer. Pão com linguiça (e óleo escorrendo). Para o meu filho, nada apetece. Entuchei nele um pão de queijo do tamanho de um hambúrguer, enquanto continuávamos a viagem. Aí apareceu minha melhor amiga, a cólica, aquela braba, toda mulher que a tem sabe do que estou falando. Mas, tudo bem, Postan está aí para isso.

Chegando lá, no Hotel, nos deparamos logo na entrada com a má conservação da propriedade. Quartos velhos, sem reformas aparentes há muitos anos. Rústico? Não, velho mesmo, e com banheiros do tempo de Dom Pedro II. Cada um dos 4 quartos que ocupamos nos reservou uma surpresa. Em um, achamos de início que não tinha água quente para tomar banho, no outro um par de sandálias (de outro hóspede) jogadas em baixo da cama, no meu areia no lençol, e por aí foi. Na televisão, apenas dois canais, e sem controle remoto. Ar condicionado então, nem pensar. Só um ventilador de teto tosco, com um barulho frenquente que vinha de dentro — no mínimo um morcego dando o ar de sua graça em cima da minha cabeça. Tudo para dar errado!

Podia mesmo ter dado tudo errado. Mas a divindade é tão boa, que cedeu ao ser humano um negócio chamado humor. E quando este está bom, na medida certa, pode o mundo despencar que nada dá errado. Para cada notícia ruim, dez risadas em retorno.

O ápice foi no restaurante. Ninguém para nos atender na mesa. Depois um ser apareceu, mas era como se não tivesse aparecido. Desisti da bebida e fui me servir no buffet. Voltei para a mesa sem mal conseguir falar de tanto rir. Mostrei a todos o prato que peguei na pilha dos limpos: estava cheio de gordura, cheio de sujeira. Ainda na área gastronômica, um dos nossos achou um objeto não identificado no meio da comida, disse que era uma unha. Enquanto uns faziam cara de “vou vomitar agora”, outros tentavam resolver o caso. Enfim, era um pedaço de dente quebrado (dele mesmo, que fique bem claro). UFA!

Para fechar a noite com chave de ouro, além do superbingo, onde eu não ganhei nem um alfinete, descobrimos um febrão nas crianças, meu filho e meu afilhado. E dá-lhe Novalgina nos dois. No dia seguinte, a piscina suja, o bar sem atendente e as cadeiras da área externa implorando por um sapólio.

Mas o incrível é que o errado deu certo e, apesar dos inesperados, ou justamente por causa deles, o fim de semana em família foi hilário e delicioso, como o esperado!

 

 

2 comentários em “Quando o errado dá certo.

  • 19/03/2012 em 10:32
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    Julia! Que pena que esse hotel ficou ruim. Fui duas vezes para lá. Há 9 anos e há 4. Era ótimo! A comida excelente e aquele casarão me remetia à época colonial.Bjs

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  • 19/03/2012 em 10:31
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    Julia! Já fui duas vezes para esse hotel. A última foi há 4 anos. Estou chocada como ficou ruim. Que pena. A comida era ótima e aquela casa é tudo.
    Bjs

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