Prima volta

Prima volta para KBR

Rosimêre Fonseca de Moura, nova autora da KBR

Há sempre algum nervosismo na primeira vez. Para todos. Aposto que o Sr. Barack Obama tremeu ligeiramente na base, um instantinho antes da abertura da cerimônia de posse. Afinal, era a primeira vez que tomava posse para um segundo mandato, o que difere bastante da primeira do primeiro. Alguma dúvida?

Tente recordar a primeiríssima vez em que fez qualquer coisa. Andar de bicicleta, por exemplo. Havia o medo do tombo, das risadas alheias, havia a vontade de dominar aquele aparelho, o desejo de pedalar pelas ruas com o vento no rosto, veio de dentro uma pitada de raiva, uma dose boa de ousadia, um punhado de coragem e lá foi você, sem ajuda de pessoas ou rodinhas. Que beleza.

Agora chegaram as bicicletas elétricas e você cresceu. Sabe perfeitamente como fazer, coloca-se sobre uma delas, põe as mãos no guidom e aí estão todos aqueles sentimentos de volta. Embora elétrica, a coisa ainda é só uma bicicleta, velha conhecida, e um ligeiro tremor agita os órgãos internos. É a primeira vez, de novo, é outro momento. É mais do mesmo, mas não é igual. Aliás, como bem disse o Sr. Obama em seu discurso, “igualdade é uma coisa a ser construída”.

Falando em construção, se tivéssemos igualdade de exigências e de fiscalização quanto às normas de segurança em casas de entretenimento, não estaríamos horrorizados face à tragédia em Santa Maria. E note-se que eventos do passado, e uns poucos olhares mais detidos a instalações do presente, estão sempre a anunciar desgraças desse tipo. Elas se repetem. E, novamente, causam o impacto da fatalidade em primeira mão. Tristes semelhanças. Falemos de amenidades.

Por acreditar que somos todos semelhantes, insisto na tese do nervosismo para todos diante de uma estreia. Sinto-me assim. Apesar de contar com outros textos publicados periodicamente, centenas deles, trata-se de minha primeira vez aqui no blog da KBR Editora. Então me acomete certo desconforto, uma ansiedade, um frio na barriga levemente menor do que o da hora de cantar. Sim, cantar, subir ao palco, experimentar a força de todos os olhares e orelhas voltados para você e aquela mistura de prazer e medo, algo parecido com um autor lendo o primeiro capítulo de seu novo livro para uma audiência de corpo presente. Nesse caso, cantar e ler podem ser ações muito assemelhadas.

Evidentemente, escrever não é ao vivo. É aos poucos, quase sempre com tempo para rever, para corrigir. Escrever não é em público, é para o público. É um ato mais recatado e mais confortável. Publicar o texto é exposição. É soltar a voz: não há retorno possível. Não há como retomar as rédeas, porque não há mais rédea por segurar. O bicho está solto e o escritor não conta com a avaliação imediata de uma plateia. Todo escritor deve ser mestre em confiar e esperar, verbos que, às vezes, são empregados como sinônimos. O mesmo poderia ser feito para estrear e estrelar. Porque a hora de se expor, de entregar seu trabalho, também pode ser a hora de brilhar.

Pensando assim, digo que estrelo esta coluna com a honra e com a alegria de quem vê seu nome nos créditos principais de um filme, ou na capa de um CD. E com a mesma apreensão, também. Alguém dirá que forcei a barra da Semântica. Permitam-me esse deslize de estreante. Afinal, embora a Gramática fale em sinônimos perfeitos, nunca li um texto onde os pudesse encontrar exatos.

 

 

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3 Resultados

  1. Patricia disse:

    Que delicia! Sucesso certo nessa nova empreitada! Mil beijos da sua admiradora!

  2. manuelfunes disse:

    Bem o das casas de show(boates) é demagogia! O de Obama é cumplicidade! E todos nos escrevemos por mera necessidade psicológica!

  3. mannachado disse:

    Oi. Voce disse tudo…a espera do _aplauso_ e’ mais dificil do que enviar para a KBR ….so resta esperar….

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