Poluição?

coruja— Vrum… tum! — e o barulho continuava noite afora.

— Papai! Não consigo dormir — reclamava o pequeno filhote de pássaro.

Ao que o pai respondeu:

— Tente, caro filho.

E veio o barulho novamente, com novas batidas. De repente a voz de barítono quebrou o silêncio que já estava perturbado.

— Mas assim não é possível!

Resoluto, o pai passarinho saiu de seu ninho e foi ter com a coruja. Chegando à entrada da casa da coruja, o passarinho chamou:

— Dona Coruja! — e de pronto foi atendido.

— Oi, amigo passarinho! Não queres tomar um chá comigo?

— Desculpe-me, cara amiga! Sei que a senhora dorme durante o dia e assim sendo, como seu vizinho de árvore, sempre tentei fazer o mínimo barulho possível — o passarinho respirou fundo e complementou: — Desculpe-me novamente, amiga, mas não conseguimos dormir com essa poluição toda.

— Poluição… — disse a coruja, como a pensar.

— Não sei se a amiga já passou por algo parecido, mas não dormindo estou estressadíssimo e meu corpo começa a adoecer.

A coruja se desculpou e disse ao passarinho:

— De hoje em diante vou fazer o mínimo barulho possível. Realmente, nunca pensei que o som, este divino e maravilhoso amigo que tanto me ajuda na vida cotidiana, poderia ser a pior das poluições.

E desse dia em diante, a árvore em que moravam a coruja e os passarinhos ficou livre do grande mal que é a poluição auditiva.

Como todo tipo de poluição, seu acúmulo pode trazer sérios riscos à vida dos seres vivos. Por isso, pense duas vezes antes de produzir a poluição auditiva: alguém pode estar sendo prejudicado, inclusive você mesmo.

 

 

Edegerdo Hardt Junior

Edegerdo Hardt Junior nasceu em Jacareí, São Paulo, em 1974. Aos três anos foi morar em Taubaté, cidade onde vive até hoje. Descobriu o maravilhoso mundo da leitura com a mãe; no colégio descobriu a vontade latente de escrever, a que deu vazão por intermédio da poesia. Formado em advocacia, atuou profissionalmente em Taubaté por sete anos. Em 2010, com o falecimento de seu avô materno aos 100 anos de idade, ainda jornalista ativo, voltou a praticar outros gêneros de escrita que não o jurídico. Seu livro de estreia, Algo para pensar: uma aventura diária, será publicado em breve pela KBR.

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