Plutão: a ponte entre Astrologia e Psicanálise

Como vocês sabem, pratico Astrologia e Psicanálise. Muitos me perguntam como concilio na teoria e na prática estes dois saberes, aparentemente tão diferentes.

Foi  mesmo do nascer da Psicanálise que peguei um atalho para pesquisar uma conexão entre as duas. A psicanálise nasceu junto com a descoberta de Plutão: os dois vieram ao nosso conhecimento quase ao mesmo tempo (no inicio do século passado: Plutão foi descoberto em 1930), e lidam com elementos semelhantes: o oculto, os mistérios, a morte, treva, labirintos, sombras, transformação etc. Enfim, há um lado obscuro e desconhecido que faz parte de todas as coisas conhecidas.

Tanto Plutão quanto a Psicanálise tratam especialmente da sexualidade. Em princípio, é a expressão do instinto de preservação da espécie, que para nós é realizado através da reprodução sexuada. Este instinto tem uma finalidade específica, um alvo, que é o parceiro do sexo oposto para que seja realizada a cópula, e assim mantido ou aumentado o número de indivíduos da mesma espécie.

Até aí, estamos pois no mesmo patamar de uma série de outros animais. Mas há uma grande diferença: o ser humano aprendeu, para mim, misteriosamente, a refletir — a sair de si e se ver de fora, olhar no espelho e não achar que é outra pessoa.

Por sermos capazes de refletir, somos também capazes de perceber o imenso prazer que acompanha a realização do objetivo sexual. E por que um prazer tão imenso, descrito por muitos como próximo ao êxtase espiritual, à união com a divindade? Porque, caso contrário, ninguém copularia por livre e espontânea vontade e a espécie pereceria. Simples assim. Para que tanto trabalho?  Tanto gasto de energia? Uma chupeta serve para o bebê, na ausência do peito da mãe, enquanto a fome não é tão grande. Ele está satisfazendo o prazer de sugar, ligado ao instinto de sobrevivência que o leva a se alimentar, mamar, nessa fase do seu desenvolvimento.

Voltando ao prazer, o ser humano percebeu mais: que tal prazer poderia ser deslocado do objeto em si (o parceiro). Assim, nos apoderamos desse poderoso instinto para satisfazer não apenas a necessidade coletiva de preservação da espécie, mas para nossa própria e pessoal satisfação.

Para um animal, qualquer parceiro serve, desde que a fêmea esteja no cio. Mas para um humano, se qualquer parceiro servisse, ocorreria o que para nós, civilizados, seria considerado incesto e poligamia etc.

E o objeto passa por uma série de vicissitudes. Conforme a cultura do ser humano em questão, muita coisa pode se transformar em um objeto para o qual está voltada essa poderosa energia, na verdade inconsciente e incontrolada por nós: parceiros variados, dinheiro, poder, controle sobre os outros. Se pesquisarmos esses outros objetos, chegaremos à conclusão de que a base de qualquer desejo é a mesma da sua função primária: encontrar um parceiro que consideremos dignos de nós para a reprodução, a subsequência, a descendência, o destino.

Assim, se temos mais dinheiro, poder, estudo, status social, podemos encontrar parceiros mais adequados às nossas necessidades, além do puro e simples ato sexual.

Vemos então que a função de Plutão e da prática psicanalítica visa o gerenciamento desse desejo através da batalha renhida contra a autoindulgência; a entrega à busca só do que nos dá prazer, que é a raiz do nosso inferno particular.

Para isso, revelam um segredo. Geralmente depois de inúmeros revezes, decepções, frustrações e desilusões, a consciência nos revela que só o que podemos controlar são nossos músculos estriados esqueléticos, ou seja, a nossa ação. Por meios diversos, Plutão e Psicanálise forçam nossos “demônios” para a superfície consciente, para que sejam transformados e tenham seus resíduos eliminados. Por isso, Plutão é associado com a purificação, eliminação, regeneração, transmutação, morte, fim, purgação e todas as neuroses.

Deixamos de buscar fora o que só encontraremos dentro de nós mesmos: o nosso Eu. Nunca, em hipótese alguma, se deve ter como meta a obtenção do prazer. O prazer é algo que ocorre naturalmente; é uma decorrência do viver, e vem na proporção em que podemos suportá-lo. Quando nos entregamos à busca do prazer em si, chegamos a NADA, porque a função de desejar é contínua e tem a função de manter a espécie; o objeto desejado é como a linguiça amarrada no rabo do cachorro, que roda tentando mordê-la: nunca é alcançado.

A única maneira produtiva de agir, então, é agir como consideramos que seja o melhor para nós (o que nada tem a ver com a obtenção do prazer). Assim, tudo o que fizermos é abençoado pelas energias sutis do Universo e prospera. Nossa meta é o nosso Norte, mas paz de espírito e alegria podem e devem ser realizadas, aqui, e agora.

 

 

4 comentários em “Plutão: a ponte entre Astrologia e Psicanálise

  • 04/12/2011 em 12:25
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    Obrigada pelo seu comentário, Carlos. Esta matéria da folha combina com o que eu disse na crônica a respeito dos instintos, não?
    Abraços,

    Rosângela

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  • 03/12/2011 em 23:09
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    Rosângela,

    eu entendo pohneuma de psicanálise, zero de astrologoia, mas sendo homem penso que entendo algo de orgasmo femimino; orgasmo masculino é uma coisa pífia, tanto que quase não existem estudos sobre o gozo do homem – tamanha pobreza. A alma do Universo só pode ser feminina, e nisso Plutão, que foi desclassificado como planeta http://terragiratg.blogspot.com/2009/03/pluao-um-planeta-desclassificado.html, tem a natureza do óvulo – precisa e clama pela fecundação, quer ser grande, inchar e se expandir – Plutão também queria ser um planeta, mas é um anão.

    Voltando ao gozo feminino, por que será que as mulheres gozam mais gostoso quando copulam com homens poderosos? A natureza, ou Deus-Diabo, é muito esperta, nós faz pensar sempre que estamos gozando gostoso por que assim o procuramos. Mas o gozo também é uma função da natureza; as mulheres gozam e gemem para prender o parceiro, e gozam mais gostoso quando dão para homens com grana, poder ou dinheiro (sinônimos), artífícios para prender em suas pernas o homem! Veja se tô falando mentira em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u491746.shtml

    Salve,

    Carlos Peixoto

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  • 03/12/2011 em 14:49
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    Oi, Rosangela!
    Gostei. Vou reler outras vezes.
    abraço, Raul

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