“Paris é uma festa”

Edward Hopper no Grand Palais, Paris, outono 2012.

Este é o título do livro de Hemingway, lançado em 5 de maio de 1964, quase quatro anos depois de seu falecimento e que tem o título mais do que feliz: Paris é sempre uma festa.

Cole Porter, em sua famosa canção, falava que amava Paris no inverno, no verão, no outono e na primavera. Tirando o verão, quando a cidade fica repleta de turistas — e com muitos restaurantes fechados, principalmente em agosto, época das férias coletivas; poucas exposições, diria até que nenhuma exposição importante; os bistrôs perdem muito do seu encanto, o vinho não desce tão redondo, a cidade se veste de bermudas e camisetas, o que me parece uma heresia com a cidade da moda; e, por incrível que pareça, até a francesa perde muito do seu charme — Cole Porter em relação às outras estações estava coberto de amor e razão.

Paris é minha cidade favorita, e se não fosse, seria puro masoquismo lançar pela KBR, no dia 10 de novembro, meu livro Paris para principiantes — no mundo digital e diretamente dessa encantadora cidade, esse livro onde Noga Sklar, com sua competência e inteligência, realizou um fantástico trabalho editorial e melhorou minhas fotos — inclusive três delas editadas em preto e branco, dando com isso um ar de certo mistério —, é um livro bem-humorado, leve, algumas vezes mordaz, narrando um pouco de tudo que se passa em Paris, não só o que é maravilhoso, mas também as greves, por exemplo. Descreve as grandes furadas que podem tomar de assalto o turista desavisado, fala de restaurantes que não figuram no dia-a-dia das revistas de turismo, tem um funcional glossário de comidas, temperos, modo de pedir e ser bem servido, informações úteis sobre museus, cinemas, teatros, transporte, enfim, uma compilação de dados, uma descrição de bons passeios, pelo menos dos que gosto.

É um livro que narra como e de que maneira sinto, respiro, vivo, critico, não aceito, adoro, detesto, amo essa cidade. É contraditório como o próprio autor, e os poucos que conhecem meus livros e crônicas sabem que meu estilo é leve, despretensioso, irônico, que ninguém para lê-los precisa procurar palavra alguma no Aurélio: palavras que demonstram profunda cultura ou pretensão a ela nunca entraram em meus textos.

Sigo a linha do meu amado poeta Manuel Bandeira, para quem a língua correta é a língua simples do povo. Procuro não assassinar o idioma, como fazia com enorme competência o nosso ex-presidente, mas também nunca busquei sinônimos complicados, palavras esdrúxulas, nem quero saber delas, muito menos do tal “data venia” — Stanislaw Ponte Preta, entre seus inúmeros personagens, todos amigos chegados da família dos Ponte Preta, citava sempre um ilustre causídico, o Doutor Data Venia, mais um dos grandes achados do mestre Sérgio Porto.

Mas estou aqui em Paris, tomando um vinho tinto no meu querido bar Odessa, já almocei maravilhosamente bem nesses dois primeiros dias, estou me preparando para uma maratona de grandes exposições — Van Gogh, “Rêves du Japon”, na Pinacothèque de Paris; Soutine, na Orangerie; Edward Hopper, no Grand Palais; e já procurando ingresso para a de Salvador Dali, que começa no dia 21 de novembro, no Centre Pompidou.

Faz frio, como deve ser em Paris. Para sentir calor, fico no Rio e suo em reais mesmo. E agora somente aguardo que vocês todos me ajudem a divulgar esse livro que, tenho absoluta certeza, será de enorme utilidade não só para marinheiros de primeira viagem, mas também para os que conhecem Paris e terão sempre algo de novo para descobrir, ver e até rever com outros olhos.
Para terminar, cito uma frase do saudoso cronista Henrique Pongetti com a qual abro meu livro:

Quem chega pela primeira em vez Paris já traz preconcebida uma Paris desenhada na alma por séculos de literatura. Ninguém é estranho em Paris. Seu corpo é que chegou mais tarde.

 

 

3 comentários em ““Paris é uma festa”

  • 19/11/2012 em 17:03
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    Paulo,
    fantástico.Sem comentários

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  • 03/11/2012 em 22:01
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    Paulo.
    Desculpe, mas fiquei com uma invejinha. Vou ter que saborear o vinho francês aqui em casa mesmo.
    Estou curiosa para ler seu livro. Já estive em Paris algumas vezes, mas tenho a sensação, a mesma que sinto em São Paulo de que não conheço nada.
    Sucesso
    Priscila

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  • 03/11/2012 em 11:54
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    Nada como acordar e ter como primeira leitura uma autêntica evasão literária com a evocação do título feliz de Hemingway!… Saiba, Paulo, que já me imagino passeando pela Paris celebrada em seu livro a partir do dia 10!… E, claro, o acessarei permanentemente durante toda a segunda quinzena de março de 2013, quando estarei na cidade de Cartier, habilmente adotada por Santos Dumont, Hemingway e Paulo de Faria Pinho.
    Posso imaginar que a vivência por você nestes dias já deve estar instigando a sua imaginação e o seu desejo do segundo volume de ‘Paris para principiantes’. Vou torcer para isso! Saudações franco-brasileiras.

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