ON/OFF no cérebro: chegamos ao nirvana!

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Recentemente, na década de 1980, as pesquisas sobre o cérebro e a neurociência se fizeram palpáveis; o avanço da ciência médica e informática forneceram as ferramentas para a pesquisa nessa área.

Nesta crônica vamos “arranhar” alguns resultados dessas investigações. Grandes homens e mulheres estão envolvidos, e para ser justos devemos mencionar alguns nomes, em diversas áreas, já que esses caminhos são de natureza multidisciplinar.

Roger Wolcott Sperry (Hartford, 20 de Agosto de 1913, Pasadena, a 17 de abril de 1994) foi um neurobiologista e fisiologista norte-americano. Foi agraciado, junto com David Hubel e Torsten Wiesel, com o Nobel de Fisiologia/Medicina de 1981, por pesquisas sobre a separação e identificação das funções dos hemisférios esquerdo e direito do cérebro.

Kimon Nicolaides (1891-1938), foi um professor grego de arte que emigrou para os EUA, onde lecionou desenho e pintura, trazendo técnicas revolucionárias aos seus alunos.

Betty Edwards (nascida em 1926, em São Francisco, Califórnia) é uma arte-educadora norte-americana e escritora, conhecida principalmente por seu livro Desenhando com o Lado Direito do Cérebro, publicado originalmente em 1979. Ela ensinou e pesquisou na Califórnia State University até se aposentar no final da década de 1990. Depois, fundou o Center for the Educational Applications of Brain Hemisphere Research. Drawing on the Right Side of the Brain foi revisado e reimpresso em 1989 e 1999.

Se o leitor quiser continuar suas pesquisas pode ter como boas referências iniciais os nomes anteriores e seus trabalhos relevantes em cada respectiva competência.

Hoje sabemos que temos dois cérebros (na realidade quatro, porém este é assunto de outra crônica) esquerdo ( associado com a fala, é simbólico…) e direito( arte, musica, desenho…), que se comunicam entre si através do complexo feixe nervoso chamado “Ponte de Baroglio”. Quando existem falhas de comunicação, podemos ter ataques de epilepsia.

Bem, o caso é que um deles predomina, quase sempre o esquerdo, e os pesquisadores descobriram que podemos “ligar” e “desligar” um dos dois, e, consequentemente, liberar as capacidades residentes em cada um deles.

Agora, como se faz isso? Devemos aceitar que algumas manipulações originárias de alquimistas, bruxas e similares poderiam funcionar, abrindo novos caminhos na mente? Hoje sabemos que certos estímulos sensoriais podem ativar zonas especificas no cérebro (sons, imagens e alterações deliberadas na percepção), tendo como resultado, desde a “iluminação” até tornar um ser humano normal num gênio das artes da noite para o dia. Evidentemente, dependendo do potencial natural.

Outra descoberta importante é que não se necessitam anos para chegar a resultados: é simplesmente uma questão de “on/off”. Vamos fazer uma pequena experiência para testar esses pontos. Dentre as muitas formas de se conseguir desligar o hemisfério esquerdo e ligar o direito temos uma segura e sem efeitos colaterais (Nicolaides & Edwards). Existem sim,  outras formas, digamos, “radicais”, para chegar a resultados também fora do normal, porém envolvem certos “riscos” e devem ser executadas com monitoramento competente.

Nesta experiencia, nosso objetivo é: desligar o hemisfério esquerdo e ligar o direito, e verificar que ao fazer isto nossa capacidade artística aumenta, especificamente o desenho. As explicações do como e por que são relativamente extensas, baseadas nas pesquisas referenciadas no início deste texto.

Vamos lá! A forma mais rápida de fazer a troca é apresentar ao cérebro esquerdo uma tarefa que ele não pode entender ou realizar, e da qual o direito seja mais capaz. Isso explica os complexos rituais da magia e religião.

Precisamos de três lápis de grafite comuns, papel sulfite, um despertador e uma imagem para fazer uma cópia. Sente-se num lugar tranquilo, onde possa ficar sem ser incomodado(a) por trinta minutos atrás de uma mesa sem nada que possa distrair sua atenção, e uma cadeira de madeira, de preferência .

Assumimos que estamos prontos para começar. Programe o despertador para tocar em trinta minutos. Coloque a imagem como ela está (sim! virada ao contrário! usar a imagem acima) e ao lado dela seu papel sulfite para desenhar, sem falar ou escutar música, em silêncio completo.

Comece a desenhar da parte superior à inferior. Antes, porém, olhe para o desenho por mais ou menos um minuto, perceba as linhas e onde estas se cruzam. Desenhe agora, linha a linha, sem se preocupar em dar “nomes” ou pensar, simplesmente olhe e desenhe; você vai perceber uma certa sensação “diferente”, e é precisamente o “off/on” para o cérebro direito. Continue sempre de cima para abaixo, no desenho original “invertido”, sem pressa e calmamente; em hipótese nenhuma vire o desenho para sua posição normal, pois se fizer isso o cérebro esquerdo tomará conta de novo de você! Continue até o fim ou até o despertador tocar.

Ao terminar, vire as duas imagens, a original e seu desenho. Se tudo for bem, ficará surpreso com os resultados. Como falamos anteriormente, este é um simples teste de teorias vencedoras do Nobel, que, neste século, orientam pesquisas de ponta na neurociência. Se quiser desenvolver sua habilidade no desenho, temos o vídeo completo do seminário de Betty Edwards.

Uma das questões mais polêmicas que isso levanta, sem sombra de dúvida, é que podemos aprender e aumentar nosso potencial quase “sem esforço”, usando as técnicas aplicadas a cada caso. Os grandes mestres da arte seguramente sabiam de forma acidental ou dirigida  da existência desses métodos, Kimon Nicolaides e Albrecht Dürer são exemplo. A cultura do ocidente se atrelou ao hemisfério esquerdo, desprezando o direito, aquele no qual os sonhos se tornam reais e onde as musas nos inspiram.

Pena que perdemos o manual de uso do cérebro, pois com ele poderíamos desenvolver em pouco tempo e quase sem esforço o ON/OFF! As possibilidades são muitas, e desafiantes. Recentemente, um cientista teve um derrame cerebral e perdeu o hemisfério esquerdo, pasmem, quando o hemisfério direito assumiu… Ele atingiu o nirvana!

Este relato assemelha-se, até aqui, a outros casos de derrame causados por hemorragia. A experiência vivida pela então pesquisadora da Universidade Harvard tem, no entanto, características únicas. Jill faz uma descrição impressionante do que passou em My Stroke of Insight (“O derrame da percepção“), lançado nos Estados Unidos. Conta que, durante o derrame, desapareceram suas preocupações. Uma intensa alegria a dominou. A percepção do mundo físico se transformou. Não distinguia mais os limites de seu corpo nem do que estava à sua volta  era como se as moléculas de todas as coisas se misturassem. Havia apenas um fulgurante campo de energia. Sua mente havia se desconectado do corpo, “como se fosse um gênio deixando a garrafa”. Era o nirvana.

Leia aqui a íntegra da notícia.

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