O Sagrado Feminino – Cadê?

Meu pensamento é extenso, muito extenso, pode ir tão longe, para além das galáxias… Até onde o que a Cabala chama “véus da existência negativa”, onde tudo que existe tem que parar porque não pode reconhecer o que não existe.

Também é tão próximo, que busca o bem-estar para mim e os outros seres vivos no seu dia a dia. Parece uma enorme colcha de renda fina em movimento: com muitas faltas, retornos, caminhos abandonados, repetições inúteis, espaços aparentemente vazios, de todos os tamanhos e formas. Busca, busca… Até que algo lhe chama a atenção pela insistência em aparecer fora do contexto do meu pensamento, viciado nos meus assuntos.

Assim, aconteceu que tenho usado muito o Facebook, onde há uma produção de conselhos, palavras sábias e soluções múltiplas para o nosso mal estar raso, suportável, porém constante, e um deles me chamou a atenção.
Entre outros textos semelhantes, encontrei este que mais ou menos sintetizava os outros. Não sei sua autoria, e vou reproduzir:

“O planeta não precisa de mais ‘pessoas de sucesso’. O planeta precisa desesperadamente de mais pacificadores, curadores, restauradores, contadores de histórias e amantes de todo tipo. Precisa de pessoas que vivam bem nos seus lugares. Precisa de pessoas com coragem moral dispostas a aderir à luta para tornar o mundo habitável e humano, e essas qualidades têm pouco a ver com o sucesso tal como a nossa cultura o tem definido.”

Ao que se deve o “sucesso” da nossa civilização? Sim, pois que agora, companheiro, “somos todos um”, querendo ou não.  Nossa concordância ou discordância não tem a menor importância. Desde que de nossa mais nova civilização inaugurada — essa das máquinas — explodiu num crescimento que foi se acelerando e especializando, criando as maravilhas tecnológicas que hoje usamos e da qual dependemos para quase tudo — mesmo para esticar uma respiração mantida por aparelhos, quando o dono do corpo já não mora mais lá – mas seus parentes ou os cidadãos de seu país pagam uma fortuna por cada dia da sua pseudo-vida.

Será que ninguém ainda percebeu que a MÁQUINA, comercial, governamental, industrial, econômica, política, é quem realmente nos governa? Como naqueles filmes em que as máquinas canhestras, monstros que almejavam nos destruir para ter o poder terreno só para eles? E que em alguns deles, eventualmente, somos apenas usados como combustível (Matrix) — o substrato que fornece a energia para seu funcionamento?

Sinto informar que esta já é a nossa realidade: aperfeiçoar mais e mais as máquinas e encontrar, quiçá inventar novos usos para elas sugando para si a energia do nosso bem-estar. E o que houve, afinal?

Houve apenas o crescimento, sem reflexão, do poder do elemento masculino — a representação do fisicamente mais forte na psique humana: o conquistar, lutar, prevalecer, sobreviver; altamente necessário para estabelecer a espécie e abrir caminho para a realização dos nossos sonhos; criar maravilhas e sair da ignorância negra em que começamos.

Digo, sem reflexão, porque o poder corrompe. E quanto mais ignorância aliada à força, mais corrupção.

Assim, foi fácil simplesmente esmagar o elemento feminino da nossa psique, dispensando o acolhimento, o cuidar, a misericórdia, o amor em todas as suas variantes — tudo o que se chamou de amado era apenas objeto de satisfação de um dos sentidos. Atrofiou-se a ideia de aceitar e apreciar o que se tem; a receptividade, o bom senso, a cumplicidade com a natureza e o respeito aos ciclos; a fé, que como já comentei numa outra crônica não é a conclusão de um raciocínio lógico, mas uma emoção que surge quando desistimos de tentar controlar as circunstâncias ao nosso redor ou o resultado das nossas ações: é aceitar que não controlamos nada disso. Mesmo porque não controlamos! Os resultados não dependem de nós, dependem das forças e leis do cosmossistema em que habitamos, ainda complexas demais para o nosso entendimento.

O mundo mudou, gente. Mudou de paradigma — palavra que detesto, mas não achei outra melhor agora.
Acabamos assim: correndo atrás. Com saudade de um aconchego, de um descanso, de um carinho, de uma ajuda, de solidariedade, de dignidade, de honra. De saúde de verdade.

Os acordados já estão se mexendo; já estão surgindo inúmeros movimentos nesse sentido — proteger a natureza, os animais, dar um jeito no lixo, se amar a si e a mais alguém — para não falirmos pateticamente em humanidade. Agora temos, querendo ou não, que reaprender a respeitar o seio materno. E que surpresa: a Grande Mãe perdoa!

Felicidades a todos.

 

 

 

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3 Resultados

  1. Rosangela disse:

    Estamos dentro da MÁQUINA, Rosane. Somos combustível. Beijo e obrigada pelo comentário.

  2. Com frequência penso nessa mudança do mundo. Esta semana li no jornal que entre dez Brasileiros 3 tres mendigam ou vivem de ajuda governamental. Fiquei muito chocada, onde esta o tão prometido progresso? A estatística é de que uma entre tres pessoas sofram ou sofrerão de Síndrome do Panico.
    O mundo gira em torno de dinheiro, dinheiro, dinheiro….

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