O Porco Feliz

Quando chega esta fase do ano em que o mundo vai acabar me sinto meio assim…

Está todo mundo alucinado, correndo de lá para cá feito barata tonta, ninguém tem tempo para nada e TEM que se confraternizar com muitos grupos de amigos, colegas de trabalho etc., dando a sensação de que tudo é um fardo. Isso, sem contar as inúmeras compras que se TEM que fazer para todo mundo, satisfazer uma lista interminável de familiares e agregados, mais funcionários do trabalho, colegas, funcionários do banco, do cabeleireiro, carteiros, entregadores de jornal, até os cobradores e medidores de luz e água são agraciados com qualquer “boderega” que se possa encontrar. Tem gente que não consegue parar, sempre TEM alguém faltando. Tanta má vontade só pode fazer mal. Melhor nem sair de casa.

É por isso que me sinto meio assim… Não sinto essa necessidade de comprar, aliás odeio fazer compras, então providencio o mínimo indispensável em outubro, inclusive considerando as embalagens, e, daí, relaxo. Meu marido não se conforma muito. Tadinho. Nasceu assim preocupadinho por natureza, se preocupa por nós dois e mais o resto do mundo. Quer agradar a todos. Tadinho outra vez, pois nunca vai conseguir, mas isso não o impede de tentar.

Vou confessar que me sinto meio por fora. Tenho a sensação de que estou perdendo alguma coisa, algo que os outros sabem e eu não.

Todos os anos faço a festa de Natal em minha casa e sempre dá mais ou menos certo, mas nem assim param de se preocupar. O cardápio é meio repetitivo, também, quem é que vai se lembrar de fazer presunto tender à Califórnia em outra época do ano? Nem peru, pois não temos o hábito salutar do “Thanksgiving” por aqui. Para mim todo dia é de agradecer até pelas coisas ruins, pois sempre poderiam ser piores.

Bem, este ano, como nos outros, resolvemos combinar um dia para resolver o menu. Decidimos, para variar, fazer um pernil. Daí, tem que comprar!! Onde? No açougue escorchante aqui perto.

— Nem pensar, cê tá louca? Compre no Mercadão Central.

— Louca é você. Não vou lá nunca, muito menos nesta época.

— Eles mandam entregar na sua casa, daí você põe no freezer até a antevéspera, depois tempera e põe na geladeira.

— Assim é melhor.

— Você liga pro Porco Feliz e pronto.

Fala sério. Que nome é esse? O pessoal está mesmo a fim de zoar com a gente. Me deu uma vontade de rir tão grande que resolvi desligar o telefone pra poder rir mais à vontade. E como imaginação é o que não me falta, já idealizei o logo da loja: um porquinho vestido de bailarina na pontinha do pé — ou patinha — segurando um cacho de uvas numa mão — ou patinha — e uma garrafa de cachaça, que estamos no Brasil, afinal. Tolinho, nem sabe o que o espera: em vez de uvas, uma maçã.

Já que estou no tema, vou aproveitando para desejar tudo de bom para meus leitores neste fim de ano, e no ano que vem também, pois na próxima semana só deus sabe sobre o que vou escrever.

Presentinhos, nem pensar, pois vocês não estavam na minha lista em outubro.

 

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4 Resultados

  1. emanuela disse:

    Creio que todos nós nos vemos um pouco nesse seu texto. Excelente !
    Ao longo da vida, já corrí bastante para comprar presentinhos em época natalina.
    Agora também faço dessa forma, nada de correrias de última hora, compro tudo bem antes e sem tanta pressa (com certeza vamos nos encontrar em outubro próximo fazendo compras…). Só assim comecei a curtir o espírito natalino de verdade, sem atropelos e de coração aberto.
    No Natal, o verbo TER não o uso mais nesse sentido, a não ser para TER que agradecer os presentes com os quais o Menino Jesus me contempla todos os dias.
    A você e família um Santo Natal de muita PAZ !

    abraço carinhoso,
    Manu

  2. Marcia Lima disse:

    Só com bom humor! Quem tem crianças e idosos não escapa mesmo. Agora o Porco Feliz é uma ótima banca do mercadão (não lembro do logo, mas de porquinhos pendurados). Já comprei muito pernil lá. Levava todos os anos pra festa junina da escola dos meninos. Eles têm enormes, daqueles que precisam ser assados na padaria. Boas Festas pra vc que já está tranquila, com tudo comprado e embalado. A mim só resta enfrentar. Bjs

  3. Adorei o texto e a linguagem humorada!
    Expressa com certeza como nos sentimos diante do comércio todo que são as chamadas festas de final de ano.
    Há um bom tempo faço exatamente desse jeito… compro algumas coisas para pouquíssimas pessoas e bem, ma sbem antes. E tem mais, procedo asism com aniversários, Dia dos Pais, Dia das Mães e qualquer data que se tornou tradicional (para o comércio, bem esclarecido!).
    A reflexão, a meditação, a oração, o elevamento espiritual (independente da religião) se perdeu…totalmente nesses dias!
    Que pena!
    Virando como bem expressou… quase que uma OBRIGAÇÃO!
    E tudo que é obrigado perde a espontaneidade, perde o viço, perde a alegria e perde o gosto…
    Parabéns pelo texto, descobri através do Grupo de Ayurveda no Facebook (o qual igualmente faço parte!) e pretendo visitar sempre o site!
    Abraço fraternal.

    Mauricio Franchi

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