O fim do mundo

Finalmente chegou. É oficial: 2012 está batendo na porta e agora o mundo acaba mesmo. Vi ainda hoje no jornal depoimentos de pessoas “muito importantes” dizendo o que fariam se o mundo fosse mesmo acabar este ano. Fiquei impressionada. Deveria ter ido logo para as tirinhas de desenho. Teria ganhado mais.

Não estou preocupada, pois já passei por muitos fins do mundo e até que não foi tão difícil. A maioria se lembra de pelo menos um, o fim do mundo da virada do século, bem, se o mundo não explodisse, no mínimo seria atacado pelo virus do milênio. Esse atacaria o homem em sua parte mais sensível. O que seria da humanidade sem computador? Melhor morrer mesmo.

Eu tenho cá pra mim que cada um tem seu fim do mundo próprio. Explico: quantas vezes ouvi que a juventude de hoje é impossível… Essas coisas que eles fazem!! Eu mesma fui esse tipo de jovem, os mais velhos não se conformavam com as saias curtas e muito menos com os cabelos compridos dos rapazes. “É o fim do mundo!”, diziam. Agora é a minha vez de me escandalizar com os jovens, mas, no meu caso, eu tenho razão. Outros não se conformam com a carestia. Esses impostos exorbitantes elevam os preços às alturas. Está tudo pela hora da morte. É o fim do mundo! Tem alguns, tolinhos, que ainda se escandalizam com a pouca vergonha de nossas instituições públicas.

Depois de ler alguns daqueles depoimentos que eram o fim do mundo eu mesma desacorçoei. Melhor acabar com tudo de vez. Pra isso, o jornal tem espaço. Isso, e as tragédias. Fosse eu tentar divulgar meu livrinho lá… Ah! Ah! Isso não. A não ser que eu me dispusesse a fingir que ia me atirar do viaduto do Chá. Não vou dar trela e contar o que foi que eu li. Vou poupá-lo, meu caro leitor, que você não merece.

Dessa história toda, o interessante é pensar que o mundo não deve acabar tão cedo, mas que para cada um de nós vai, portanto, em vez de ficar esperando pela catástrofe-mãe para finalmente realizar nossos mais profundos desejos, melhor seria arregaçar as mangas e partir para a felicidade de uma vez. Eu, que sou pessoa simples, gosto de minha vida como é. Portanto, venha o que vier. Não vou pensar de última hora em sair correndo para Paris olhar a calamidade do alto da torre Eiffel. Muito menos me atirar das Cataratas do Iguaçu para prevenir ou adiantar, vai que o mundo não acaba e eu me dou mal. Posso até perder o Corinthians sendo campeão mais umas vezes!

Toda essa comoção, graças à previsão da extinta civilização maia de que o mundo iria acabar em 21 de dezembro de 2012. Cá entre nós, eles não eram assim tão bons em prever o futuro, caso contrário teriam desconfiado daquele povinho estranho, vestido de alegoria de escola de samba de quinta e falando espanhol. Isso por si só já me deixa muito mais tranquila, fora o fato de que ainda temos quase um ano para tomar providências. Se levarmos em consideração o espírito do brasileiro de deixar tudo para depois de amanhã, vide a copa do mundo, é tempo à beça. Sempre podemos dar um jeitinho.

Queridos leitores. Foi um prazer escrever para vocês durante os últimos meses, todas as sextas-feiras. Espero contar com todos no ano que vem. Aproveito para desejar a todos vocês um fim de ano glorioso e alegre, celebrando cada conquista do último ano e já antevendo as vitórias do próximo, fazendo as escolhas certas, pois sempre depende de nós.

 

postado também no meu blog

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

2 comentários em “O fim do mundo

  • 01/01/2012 em 15:03
    Permalink

    priscila,
    e se a gente pegasse o tal do 21 de dezembro e, à maneira do sarney ou do itamar, (nao lembro agora quem foi o estrupício que mudou os feriados de quarta e quinta para segunda e sexta) e colocássemos no DIA FORA DO TEMPO, que foi a solucao encontrada pelos maias para a sobra de horas ao final de cada dia?
    assim nao deixamos os maias bravos e damos jeitinho brasileiro nesse final de mundo!!!

    Resposta
  • 01/01/2012 em 14:04
    Permalink

    GOSTEI MUITO DESTE ARTIGO, COM TANTA COISA ACONTECENDO É UM ASSUNTO PRA SER DISCUTIDO E PENSADO.

    Resposta

Deixe você também o seu comentário