O casamento perfeito

Todas as semanas, na hora de escrever minha crônica semanal, entre outros problemas me vejo na dificuldade de escolher o tema. Felizmente, após alguns tropeções aqui e ali nas palavras, nos gerúndios de verbos mais do que imperfeitos, tenho ao longo do tempo amealhados alguns leitores que me acompanham. Alguns, timidamente, não fazem comentários, mas aqui e ali vou sabendo que leem o que escrevo; outros, mais dispostos a isso, criticam e compartilham com seus amigos, o que me alegra, pois vou abrindo meu leque de leitores.

A maioria é extremamente doce comigo e não fala mal. Agora dei pra ter alguns que sugerem temas, que eu rapidamente aceito — já que é do interesse do leitor e também porque me facilita muito, portanto, amigos, não se acanhem. O tema de hoje foi trazido à baila pela Cláudia, uma nova velha amiga, que sugeriu que eu falasse sobre o casamento perfeito. Deixem comigo. Eu sei tudo sobre isso, e já vou dizendo de uma vez por todas, ou melhor, gritando em letras garrafais:

CASAMENTO PERFEITO NÃO EXISTE!!!!!!!!!!!!!!

Quando você vê um casalzinho aos arrulhos, pode ter certeza de uma coisa: muito trabalho e inteligência, estratégias de dar inveja a qualquer Napoleão foram criadas e aplicadas, muito sapo foi engolido, uma paciência de deixar Jó no chinelo foi testada, noites de insônia dando tratos à bola para decidir se tudo isso vale mesmo a pena. A resposta, nesse caso, é sempre afirmativa. Os casais bem-sucedidos sempre perseguem, como predadores implacáveis, um único objetivo: Tem que dar certo.

Nesses casos, o que existe é comprometimento, uma vontade inexorável de que a relação seja um sucesso. Perseguir esse objetivo todos os dias, em todos os momentos, saber ler nas entrelinhas, conhecer o parceiro a ponto de saber quando este está a ponto de explodir e saber se recolher, deixar para voltar à conversa em outra ocasião — escolher continuar na disputa numa hora dessas é pedir encrenca; nunca se chegará a nada de construtivo a partir daí.

Nos piores momentos, aqueles em que você quer esganar seu par, lembrar-se de que você o ama e lembrar-se do porquê. No começo é mais difícil, mas, com o tempo, a prática ajuda: sempre beijar o sapo várias vezes, até que ele vire príncipe no caso das princesas; e no caso dos príncipes, esperar com paciência que aquela megera desconhecida volte a ser o anjo por quem ele se apaixonou. Nunca se perder nos percalços, e nunca entregar sua alma: esta tem que ser livre, tem que ser feliz, tem que ser altiva. Nunca abrir mão do que é realmente fundamental: não aceite ser um apêndice de seu companheiro. Ninguém ama um apêndice.

Eu soube de uma moça cheia de verdades e arrogância que estava procurando por alguém, mas antes mesmo de conhecê-lo afirmava que este teria que passar no teste do cachorro e da faxineira; se não se dessem bem, era melhor nem tentar. Fico imaginando quantas outras exigências existem nessa cabecinha. Resultado: vai ficar sozinha.

Primeiro, abra seu coração, entregue-se, apaixone-se sem medo de sofrer, pois, vai, nessa guerra só os valentes alcançam a vitória. Lembre-se sempre de que você está nesse relacionamento porque a alternativa é ficar só, o que não lhe interessou; mas se achar que trocar de parceiro vai resolver o SEU problema, se engana, este também virá com defeitos — e se for muito certinho, será esse o seu defeito.

Todas as premissas anteriores valem para qualquer outro tipo de relacionamento, mas, se for amoroso, o fator preponderante, o mais importante, o super, hiper, mega, hurra!, hurra!, ui!, é com certeza o SEXO. Cada casal tem seu timing, sua frequência, sua maneira; só tem que funcionar bem para os dois. A maioria dos problemas será resolvida depois do sexo, principalmente para os homens, e isso não é uma crítica: simplesmente é assim.

Não faça propaganda, se não quiser perder o produto para a concorrência; e, por falar nisso, evite aqueles amigos que estão sempre perto — muitas vezes isso gera intimidades não desejáveis, já vi muitos casos do melhor amigo!

— Nunca esperei isso, justo dele!!!!!!!

Esperava de quem? Do bonitão da novela? Aquele é impalpável. Só se cobiça o que está sempre por perto: a secretária meio feiosa, o colega de trabalho etc…

Nem vou falar sobre respeito, porque é assunto muito batido, mas lembre-se sempre de que respeito não se exige, se conquista. Não existe casamento perfeito, mas a alternativa nunca é tão interessante. Eu recomendo.

 

 postado também no meu blog

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

17 comentários em “O casamento perfeito

  • 31/01/2012 em 01:14
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    Muito bacana……… parabéns!

    sem palavras…

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  • 06/11/2011 em 21:30
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    Tenho que admitir que acho seu blog surpreendente, pois seus posts são sempre muito bem escritos. Cansei de pesquisar mais notícias sobre esse tema e você tirou tudo de letra. Já marquei nos favoritos seu blog e irei segui-lo daqui pra frente.

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  • 01/11/2011 em 08:06
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    Muita sabedoria neste artigo! Adorei! é isso mesmo! bjo

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  • 31/10/2011 em 17:54
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    EU, DO ALTO DOS MEUS 34 ANOS DE CASADA, POSSO DIZER QUE NÃO SÃO SÓ FLORES…MAS VALE O JARDIM!!!
    AS VEZES A GRAMA SECA, AS FLORES MORREM, MAS A GENTE VAI CUIDANDO, REGANDO, ADUBANDO E QUANDO MENOS SE ESPERA, OS PASSARINHOS VOLTAM A CANTAR SOBRE AS NOVAS VIDAS!!!!
    VALEU MANA. MUITO BOA A SUA CRÔNICA. BEIJÃO

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  • 31/10/2011 em 17:30
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    Querida amiga

    Todos os porém que você citou estão perfeitos, de acordo que não existe casamento perfeito,bem ao contrário. Tanto em Montevidéu onde eu vivi por
    18 anos onde o divorcio estava na ordem do dia, principalmente casos de
    traição com os melhores amigos,a troca de chaves nas temporadas de Punta Del
    este, enfim levaria muito tempo para enumerar tantos porém. Parabens pela sua crônica

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  • 30/10/2011 em 22:40
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    Com base, no início da crônica, mais precisamente em: …… “tropeções aqui e ali nas palavras, nos gerúndios de verbos mais do que imperfeitos”…… teço meu comentário. O casamento e os tempos verbais podem ser caracterizados como “primitivos” (mais antigo, primeiro, inicial. original) e os “derivados”, aqui permito-me uma risadinha kkk. Um tempo verbal é a categoria gramatical que diz respeito ao tempo. E o casamento ? Também não o é !!!! A grosso modo, os verbos distinguem-se em 03 tempos, o passado, o presente e o futuro, e não é que o casamento também ? Mas como nada é o que realmente parece, vamos lá:
    O verbo/casamento no presente pode ser pretérito perfeito, imperfeito ou mais que perfeito e não é que pode ser futuro ? (simples, composto, e até futuro do pretérito).
    No futuro……. não, chega de conjugações ! A única que ressalto ainda é o imperativo, independentemente de ser o negativo ou o positivo, pois é com ele que a “porca pode torcer o rabo”, já que para formá-lo você vai precisar do presente e da segunda pessoa, então muita calma nessa hora, e seu casamento terá tudo para dar certo !!!!!
    A título de curiosidade, para a formação dos tempos “derivados”, observar o tempo primitivo, com cautela……….. pois afinal de contas só o que muda mesmo é o endereço.
    O amor por uma pessoa deve incluir os corvos do seu telhado. Provérbio Chinês
    Aos católicos, Provérbios 18:22 “Quem encontra uma esposa acha uma coisa boa; e alcança o favor do Senhor.” “Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela.” Efésios 5:25

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  • 30/10/2011 em 19:56
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    Priscila tenho lido suas cronicas assim como tive a oportunidade de folhear o seu primeiro livro. e gostei muito. Parabens alem de tenista vc é uma ótima escritora. sobre essa ultima cronica o que tenho a declarar é que sou casada (com o mesmo marido) há 55 anos uau!!! e até agora nos damos bem. sou amiga da Elisa .

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  • 29/10/2011 em 22:56
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    Oi Pri, gostei muito da crônica! Super verdadeira, concordo com você em gênero e número e olha que tenho experiência, descasei e casei com o mesmo homem! O casamento vale muito a pena sim, isso sem contar que é o relacionamento que mais pode proporcionar crescimento pessoal…e haja superação das diferenças, não é!!
    um bjão e continue escrevendo, vc faz isso muito bem.
    Luana

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  • 29/10/2011 em 22:14
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    Olá amiga
    Tema perfeito,principalmente para os dias de hoje,em que casamento já vem com data de validade e geralmente é descartado antes do vencimento.
    Muitas vezês nos esquecemos da importância do verdadeiro amôr e colocamos nosso “EGÔ” em xeque mate.Bobagem pois o que importa mesmo é a nossa capacidade interior de renovarmos tudo.
    Amar é antes de mais nada deixar os nossos sentimentos fluirem em total liberdade e com livre arbitrio para que possamos optar pela sublime permuta “Amar e SÊR AMADA”.
    Bjs.

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  • 29/10/2011 em 20:51
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    Adoro quando chegam suas cronicas, Pri. É como a hora do recreio; a gente rouba instantes do turbilhão do dia pra refletir sobre o banal, o óbvio, o cotidiano… esses temazinhos básicos que eriçam e/ou embranquecem nossos cabelinhos… Delícia de leitura! Obrigada pelo deleite! Beijos da fã! Cris Cris

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    • 30/10/2011 em 00:09
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      Voce leu a da semana passada onde eu cito minha amiga Ana Maria?

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  • 29/10/2011 em 09:11
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    É isso ai amiga, vc consegue enxergar la longe, o que so quem ja passou por mais de um casamento sentiu na pele, entretanto errar e humano mais permanecer no erro é burriceeeeeeeeee.
    kkkkkkkkkkkk

    Bjs.

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  • 29/10/2011 em 09:03
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    Leio sempre suas crônicas. A de hoje aborda um tema que é presente e nos leva a refletir diariamente sôbre essa cumplicidade .

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  • 28/10/2011 em 22:13
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    Gostei da abordagem que você deu ao tema.

    Acho que é mais ou menos assim: beijar o sapo pensando no príncipe, pode levar a ter que engolir o sapo num dia que não é de príncipe. Nem de princesa.

    Como sempre, estou aguardando a da próxima semana.

    Bjs

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  • 28/10/2011 em 21:02
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    De escritora para escritora, obrigada. Sempre leio suas crônicas.

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  • 28/10/2011 em 12:49
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    MANDOU BEM Priscila!!!! Casamento é isso tudo aí mesmo!

    Adorei a parte do “Não entregue sua alma”

    Muito bom!!!!

    bjs

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