O 13º signo e a morte da Astrologia

De vez em quando, levanta-se uma voz em alguma mídia  afirmando categoricamente  que existe  um 13º signo e que, portanto, a Astrologia está toda errada.

O correto seria que leigos e astrônomos que não conhecem a Astrologia se abstivessem de fazer declarações assim definitivas sobre um assunto que não conhecem, como há séculos sugeriu Sir Isaac Newton.

De Astronomia não conheço mais do que aprendi na escola, em várias enciclopédias, alguns livros de Astrologia, revistas, jornais e filmes. Logo, sou completamente leiga em Astronomia.

Ser leigo, entretanto, não é pecado, desde que o leigo trate de respeitar os limites de sua ignorância. Por isso, realizei uma modestíssima pesquisa  astronômica, apenas para tentar esclarecer aos leigos em Astrologia a diferença entre signo e constelação, e porque dez ou mil constelações aparecendo no Zodíaco não destroem o saber astrológico.

Procurei saber o que é constelação. Encontrei, no dicionário Aurélio: “uma das  88 regiões convencionais  da esfera celeste estabelecida  pela União Astronômica Internacional.”

Num dos livros  do astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, fico sabendo  que “as constelações foram estabelecidas nos primórdios da Astronomia com o objetivo de constituir um processo fácil de localização dos astros na  abóbada celeste, e desse modo facilitar a sua  localização”. Ele nos conta que os métodos de delimitação para as constelações eram deveras arbitrários, e eventualmente obedeciam até a critérios artísticos dos que desenhavam as cartas celestes. A partir de 1928, finalmente, a União Astronômica Internacional delimitou regiões no céu obedecendo a critérios científicos mais modernos,  que ficaram sendo as atuais constelações.

Esse livro a que me refiro é de 1982, e nele o astrônomo já se refere a 13, e não 12 constelações zodiacais. (A faixa zodiacal é a parte do céu onde o Sol, a Lua e os planetas parecem se movimentar, observados da Terra. As constelações zodiacais são aquelas 12 ou 13 entre as 88 que se situam na faixa zodiacal.)

Mais tarde, Mourão comenta que, a despeito dessa delineação das constelações, emprega-se até hoje  a divisão da trajetória  aparente do Sol em 12 partes iguais, de 30° cada, a partir do equinócio de primavera (no hemisfério norte). E que essas 12 partes são denominadas signos zodiacais. Ele nos lembra que quando os signos foram instituídos cada um continha a constelação de mesmo nome, o que já não ocorre mais por causa de um fenômeno chamado Precessão dos Equinócios. E continua dizendo que a sequência  dos signos zodiacais não apresenta nenhum  interesse astronômico atualmente, já que nada mais é do que a divisão mais elaborada  do ano em estações, na qual cada uma é dividida em 3 partes de mesma duração, ou seja, um mês aproximadamente.

Aí está: os signos não são as constelações! E assim como os signos não são importantes para os astrônomos, as estrelas e constelações, por si sós, não apresentam interesse para a Astrologia. Para esta ciência os signos é que são importantes, já que  se trata justamente do estudo dos ciclos, suas características, sua natureza e a interação entre ciclos diferentes.

Para nós, astrólogos, ciclo é tudo o que tem começo, meio e fim, e depois se repete, recomeça mantendo a mesma estrutura, mas num tempo e circunstância diferentes. Como as estações do ano, por exemplo, que não por acidente é por onde a Astrologia começa. Então, considerando como referência o ciclo do Sol (as estações), estabelecendo como seu início o equinócio de primavera, (hemisfério norte) e dividindo-o em 12 partes iguais, o 1º setor, isto é, o 1º signo, vai evocar sempre as características de COMEÇO, quaisquer que sejam as estrelas que ocupem esse lugar no céu.

A essa região chamaremos sempre Áries, porque esta era a constelação que lá se encontrava quando foram instituídos os signos. Compreendo que para os astrônomos  fique meio desconfortável dar a um setor no céu o nome de uma constelação que não se encontra mais lá. É uma questão para eles resolverem. Quanto a nós, astrólogos, ainda nos sentimos bem com essa nomenclatura. Mas nada impede que, num futuro, também pretendamos mudar os nomes dos signos, trocar por outros talvez mais expressivos nos tempos atuais do que os originais. De qualquer forma, o 1º signo estará sempre relacionado com o que represente COMEÇO, assim como o último sempre evocará DISSOLUÇÃO.

Mas por que o ciclo do Sol? Por que 12 partes iguais? Por que o equinócio? Estas já são questões da própria Astrologia, e as informações sobre elas estão disponíveis em inúmeros livros e cursos, para quem estiver interessado. A Astrologia não pretende fazer adeptos, pois não é uma seita. Qualquer pessoa pode adquirir esse conhecimento pelas vias normais, ou seja, estudando.

É claro que, por ser uma ciência ainda não oficial,  a Astrologia é um campo fértil para a ocorrência do fenômeno da livre-ignorância, que a vem denegrindo há séculos. Mas isso não se dá só com a Astrologia.  Acontece com qualquer pessoa ou grupo que faz considerações determinantes acerca de um assunto sobre o qual seu conhecimento é nulo, ou quase.

 

5 comentários em “O 13º signo e a morte da Astrologia

  • 30/08/2011 em 08:39
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    ASTROLOGIA, UMA CIÊNCIA DE AUTOCONHECIMENTO

    É indubitável a veracidade da Astrologia, pois ela trabalha com CICLOS. Podemos fazer uma analogia simples. Uma pessoa está no carrossel e quando este gira, ela vê num determinado ponto uma criança sorrindo. Este seria um bom aspecto planetário. Em um outro ponto, ela vê um cão bravo latindo. Este seria um mau aspecto planetário. Então, poderíamos dizer que os prognósticos astrológicos têm 99,99% de acerto, quando bem interpretados. Qualquer percentagem abaixo disso indica erro do interpretador e não da Astrologia. No meu livro CONHEÇA A ASTROLOGIA PARA MELHOR SE CONHECER publicado pela Editora Baraúna procurei dar as informações básicas desta maravilhosa ciência. Nele, lanço uma nova teoria sobre o zodíaco como sendo o próprio campo magnético terrestre que foi originado do CAMPO MAGNÉTICO CELESTE (Energia Cósmica) na FORMAÇÃO da Terra e que permanece IMUTÁVEL. Portanto, é uma energia que nada tem a ver com o campo ferromagnético da Terra que muda com o tempo. Os PLANETAS percorrem RAIAS ENERGÉTICAS em relação a sua estrela mãe, no nosso caso o SOL. Não importa sua distância elas fazem parte do TODO ENERGÉTICO UNIVERSAL que nos envolvem. Os planetas percorrendo essas raias dão equilíbrio ou desequilíbrio às energias pessoas, dependendo de sua angulação em ralação à Terra. Essas raias em si é que caracterizam os planetas que são apenas rochas perdidas no espaço, de forma que se trocarmos a posição da Lua com a de Plutão este assumirá as características da Lua e vice-versa.

    Um dos maiores motivos da descrença de alguns na Astrologia é a diferença entre pessoas do mesmo signo solar. Ora, o Mapa Astral de nascimento é construído com base na hora, minutos e local de nascimento. Ele é o retrato do céu no memento de nascimento da pessoa. Sendo assim, a personalidade é formada não somente pelo signo solar, mas igualmente pelo SIGNO ASCENDENTE (o signo que estava nascendo no horizonte na hora que a pessoa estava nascendo). Logo, é preciso a consulta ao astrólogo e não somente ler horóscopos de jornais e revistas, muitas vezes escritas por que nada entende de astrologia e cujos conselhos devem ser aplicado de forma geral para todos os signos.
    Quanto ao Serpentário ele não é um signo e sim uma constelação que está entre Escorpião e Sagitário e se existiu sua influência na formação da Terra ela foi incorporada às de Escorpião e Sagitário, ou então ela estava fora da eclíptica (caminho do Sol).
    Pedro Cabral Cavalcanti
    pcabralcavalcanti@gmail.com

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  • 04/08/2011 em 15:39
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    Muito bom. Bastante esclarecedor.
    Parabéns, Rosângela!
    PS.: Você vai escrever sempre às quintas-feiras?

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