Nu com a mão no bolso

O Rio de Janeiro continua lindo, como nos ensinou Gil tantos anos atrás. Cercado de montanhas, com o mar banhando suas encostas, a cidade parece molhar os pés na água. Ao fundo,  a floresta (ou o que resta dela) colore e contrasta com essa beleza inata da natureza. Não conheço tantos lugares no mundo, mas dos poucos que vi, nenhum se compara à beleza carioca.

Sou apaixonado por essa terra, talvez por ser mineiro e ainda ficar extasiado com o mar, com a natureza, mas, principalmente, com o povo da terra de São Sebastião. Há algo de leve nas pessoas que moram aqui, talvez seja a brisa do mar, talvez o balanço das águas, talvez o doce sorriso de suas meninas que passam sem pressa em direção à praia.

Quando Vinicius nos mandou olhá-las, mal sabia ele que não era necessário o aviso. É simplesmente impossível não acompanhar a mulher carioca no seu caminhar em direção à água e o sal. Mas no Rio há mais, há uma liberdade implícita que supera o costume vigente. Se é o carnaval, o samba e o futebol, eu não sei, mas há algo nessa terra que deixa os corpos mais lânguidos, o sorriso mais fácil e a vontade de fazer amor no ar.

Por isso não me causou surpresa quando li no jornal do dia 15/10 que uma banhista entrou nua no mar do Flamengo: era segunda-feira, e em vez do trabalho, o deleite. Dizem que era turista, alemã, mas não importa, nas fotos que vi, é uma bela mulher, que mostra um belo corpo. Ao seu lado, um  rapaz felizardo desfruta de sua companhia. A moça nua não se mostrou tímida ou com remorso, simplesmente tirou o biquíni e entrou na água.

Seria fruto dos ares de liberdade que permanecem vivos no espírito carioca, que embriaga a todos que em suas terras aportam? Não sei dizer. Mas, mal refeito da insólita notícia, leio outra de igual teor explosivo e sexual. No dia seguinte ao do banho da Eva Germânica nas águas cálidas do aterro do Flamengo, algo mais insólito ocorreu na praia de Ipanema.

A manhã mal despertava de seu sono letárgico e a estudante Yulle Araújo parou seu carro na orla, eram 06h30 da manhã. E enquanto se preparava para sua corrida matinal, viu uma cena que chamou sua atenção e das pessoas que, como ela, têm o hábito saudável de acordar cedo para correr na praia. No local, a poucos metros do Posto 9, um casal fazia sexo na areia!

Se fosse em Minas, na cidade do interior de onde minha família é originária, e na época em que eu era criança, esses pobres moços iriam ser queimados em praça pública. O chão do desfrute abominável seria benzido pelo padre, em procissão convocada para este fim.

Mas os tempos são outros. Apesar disso, confesso que me causou surpresa a desenvoltura do casal.
A estudante, mais curiosa do que eu, e, por que não dizer, com algo de voyeur, resolveu fotografar o casal. “Achei que iriam parar quando percebessem, mas eu cheguei bem perto e eles nem ligaram”, ela nos esclarece.

Não sei o que me causou mais espanto, se a indiferença dos amantes ou o desejo de se aproximar do casal demonstrado pela jovem carioca. Vai saber o que sentem e pensam as pessoas… O que é claro para mim é que, este ano, o verão promete ser quente. Sob a benção do Cristo Redentor e a proteção de todos os santos, os homens e as mulheres irão às praias, sem medo de serem felizes!

 

 

 

7 comentários em “Nu com a mão no bolso

  • 03/11/2012 em 10:39
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    Gente boa estes cariocas!
    Tb me pergunto, o que será que a menina achou tão estranho no casal?
    Vai ver que a sua origem não é do Rio…rs….
    Faz tempo que existe uma tradição entre as praias cariocas e os namorados, principalmente antes do sol nascer…
    Abraços de um Paulista que em alguns meses vai virar carioca!
    Nirav
    PS:Tomei a liberdade de colocar seu artigo: http://br.groups.yahoo.com/group/EncontroNiravKanan/message/9458

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    • 03/11/2012 em 14:31
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      Swami
      Ser carioca acredito ser um estado.
      É ser livre e caminhar comtra o vento “sem lenço nem documento”!
      Abrs,
      Gustavo

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      • 03/11/2012 em 15:25
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        Verdade Gustavo.
        Todas as 4 vezes que fui ao Rio nestes últimos 3 anos, me senti assim, leve e solto.
        Bem diferente de SP. Até piada fazia de improviso…rs…
        Estava no calçadão de Ipanema qdo acabei tropeçando.
        Logo vi dois cariocas olhando com um sorriso para meu caminhar tropicante.
        Percebi que era hora do carioca dentro de mim surgir…. e como surgiu!
        Falei alto, em bom tom, com meu amigo, nossa só pq tomei 3 garrafas de cerveja, não era para estar tropeçando assim, sem mais nem menos. Só vi de longe os dois amigos rachando de tanto rir.
        Claro que eu não fiquei para trás…rs…

        Abraços

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  • 24/10/2012 em 21:18
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    Sorte a deles que deixaram a fantasia aflorar…
    Bjs

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    • 03/11/2012 em 14:32
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      Sorte mesmo Tamara!
      Ainda tem gente de coragem neste mundo!
      Bjs

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  • 24/10/2012 em 09:34
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    Não so fiquei nua, como ja transei na Prainha. Quando vimos uns pescadores chegando nos vestimos e fomos continuar a namorar no Fusca.
    Adorei a cronica.

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    • 24/10/2012 em 12:28
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      Rosane seria um prazer te conhecer nesta época!
      Bjos,adorei sua resposta!

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