Nem vem que não tem!

Tem certas coisas que fica muito difícil entender. Sinceramente. Como, por exemplo, o programa que assisti esta semana, que inclusive eu gosto muito, mas que, francamente, foi muito infeliz. O tema era o Complexo do Alemão, comunidade aqui do Rio pacificada há um ano em uma megaoperação contra o tráfico de drogas, que imperava há anos no local, como todo mundo sabe.

O início até que foi interessante, quando estavam mostrando outros problemas como os “gatos” de luz e água, o andamento das obras do PAC e as bases militares na favela. Porém, o negócio pegou mal, bem mal, quando começou a ficar clara a real intenção do programa: mostrar o “outro lado” da pacificação, ou seja, o lado ruim.

Claro que tudo tem seu lado ruim, mas não era hora de ficar levantando questões sobre a ocupação dos militares na semana em que a polícia invadiu a Rocinha para também pacificar e todos, ou, pelo menos, a grande maioria da população do Rio, estão esperançosos, acreditando em um projeto do governo (finalmente, depois de anos e anos de abandono descarado do estado). Os repórteres, que, óbvio, nem do Rio são, fizeram de tudo para jogar os telespectadores contra as forças de pacificação. A edição inclusive colocou no ar um morador dizendo que na época dos traficantes certas coisas não aconteciam, dando a entender que era melhor antes. Precisava?

Não estou aqui afirmando que agora eles, os moradores, não têm problemas, e até outros tipos de problema na comunidade. Claro que têm. Todos temos, em nossos bairros, condomínios, ruas etc. Mas daí a vir um programa do próprio Brasil, que deveria estar apoiando totalmente a causa — já que é para o bem geral —, criticar a ação policial, é demais para meu coração carioca. Fala sério! Que falta de patriotismo! É por isso que a gente não vai pra frente: sem união, não há solução.

Agora só me falta fazerem um programa mostrando como o Nem era generoso e bonzinho com seus súditos na Rocinha… Nem vem que não tem!!!

 

 

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