Natal: da Era de Peixes para a de Aquário

Desde criança eu ficava confusa nas festas de Natal e Ano Novo, no Natal, principalmente, uma mistura de Papai Noel com presépio e árvores enfeitadas. Sendo a princípio de família cristã, frequentei missas católicas e depois a escola dominical no protestantismo. Aprendi que Natal era a comemoração do nascimento de Jesus Cristo, o Messias e Salvador da humanidade para essas religiões. Mais tarde, já tendo passado por várias seitas e vertentes do misticismo, do ocultismo e, principalmente, através de pesquisas pessoais, concluí que a festa contemporânea de Natal  era resultado de um amálgama de religiões e crenças.

Sem entrar na questão dos calendários para explicar o Ano Novo no dia 01 de janeiro, há muito se sabe que o Natal tem raízes pagãs. Entre os romanos, os festivais eram muito populares. O solstício de inverno marcava a Saturnália, em homenagem ao deus Saturno. Divindades ligadas ao Sol, em geral, também eram celebradas no solstício.

No hemisfério norte as festas de fim de ano se dão próximas ao solstício de inverno, que ocorre por volta dos dias 21/22 de dezembro. A palavra solstício vem do latim — Sol e sistere (que não se move). O solstício de inverno ocorre quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do Equador, uma data de grande importância  também para diversas culturas antigas, que a associavam simbolicamente a aspectos como o nascimento ou renascimento.

Com a introdução do cristianismo no Império Romano, a Igreja entendeu que devia cristianizar as festividades pagãs que os vários povos celebravam na altura do solstício de inverno. Os povos da Europa pré-cristã, chamados pelos católicos de pagãos, tinham grande ligação com essa data. Segundo alguns, monumentos como  Stonehenge eram construídos de forma a ficarem orientados para o pôr do sol do solstício de inverno e o nascer do sol no solstício de verão. Há indícios de que a data de 25 de Dezembro foi escolhida para representar o nascimento de  Jesus Cristo já no século IV.

O que mais me chama a atenção é como o evento do cristianismo domina a era de Peixes, signo ligado à necessidade da fé, da crença, para estabilizar as zonas mais profundas, obscuras e sensíveis da nossa alma, a psique, a parte nem palpável nem visível de nós que define o nosso bem-estar ou mal-estar emocional, sobre o qual não temos controle direto. Não podemos parar de sentir angústia porque queremos, nem nos impor paz de espírito quando queremos matar ou morrer. É o signo que nos mostra a única saída contra nossa impotência relativa às emoções: crer em algo; se entregar; se necessário, se sacrificar, se diminuir, lavar o chão, se submeter a um poder invisível e mais poderoso do que o poder mundano. Cada um sabe que monstros habitam o fundo de seu oceano emocional, que sereias de lá nos enganam. Em quem podemos confiar?

Em quem afirma que pode nos ajudar a atravessar esse abismo e subir até onde brilha o Sol, a Luz que tudo esclarece. Quando conseguimos confiar em alguém, por que não espalhar as boas novas para todo mundo?

A dúvida é uma ameaça tão grande que temos a necessidade de converter o outro para manter a nossa crença. Crença e confiança são sentimentos muito frágeis, porque uma falha já ameaça derrubar a paz de espírito a duras penas conquistada. Dessa forma o cristianismo, religião baseada na crença e na devoção, dominou os aproximados 2 mil anos da Era de Peixes.

Agora, o Natal já mostra pinceladas da nova era de Aquário. Aos poucos, e cada vez mais, vai se transformando numa festa de confraternização — primeiro na família, depois na sociedade e com toda a humanidade. É uma festa quase global. Um astrólogo conhecido meu certa vez comentou que o ideal de uma era só se realizava na próxima. Excelente.

Mas não vamos nos iludir com a era de Aquário: a tecnologia vai nos levar a novos mundos, mas talvez à custa de muita solidão e sacrifício da individualidade. Vamos buscar o que é melhor para os grupos, não para o indivíduo. A humanidade vai atravessar mais essa era levando vantagem. Nossos descendentes é que vão conhecer e viver mais esta aventura humana.

Por enquanto, desejo um feliz e caloroso Natal para o maior número possível de pessoas!

 

 

4 comentários em “Natal: da Era de Peixes para a de Aquário

  • 10/12/2011 em 16:20
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    Querida Rosangela,
    Interessantíssimo o que escreveste.
    Concordo contigo, continuaremos buscando o melhor para esta aventura humana.
    Gostaria muito de desejar voce, sua família, ” o grupo” um Natal harmonioso cheio
    de paz no coracao.
    Um beijo grande/saudoso e até breve no ( RIO) !
    Soraya

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  • 10/12/2011 em 15:16
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    Feliz Natal pra você também, Rosângela…
    E que “Papai Noel” traga o presente que você precisa…
    beijo,
    Raul

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