Nas nuvens

Meio sem inspiração e cansada de um jogo de tênis ontem à noite, que, aliás, juntamente com minha superparceira ganhei, fui procurar inspiração nos sites de notícias, coisa que nunca faço e devo ter ido ao lugar errado, pois o melhor que consegui foi “ex-BBB”, “Miss Bumbum” etc., nem prossegui, resolvi falar mal da TAM mesmo, melhor dizendo, falar a verdade.

O que acontece com aquela companhia? Sou sua usuária há muito tempo, tenho cartão fidelidade e tudo, pontos a dar com pau, mas mesmo assim sou tratada desrespeitosamente.

Só para dar uma ideia do que está se passando, na última vez em que voei de Orlando para São Paulo, ao fazer o check-in no balcão fizemos a atendente saber que eu e meu marido temos direito a pleitear lugar especial no avião e pedimos a possibilidade de assentos junto à porta de saída de emergência. A atendente, muito solícita, nos disse que pediria autorização para seu superior. Aguardamos pacientemente e, quando ela voltou com um sorriso nos lábios, nos animamos. Disse-nos que nossa solicitação tinha sido acatada e lá fomos nós muito faceiros tomar nossos lugares. Quando lá chegamos, vimos que havia uma senhora sentada no lugar que pensamos ser nosso; conferimos o boarding pass e vimos que nossas poltronas não eram aquelas e sim as logo em seguida. Sentamo-nos calados, pensando que deveria ter ocorrido algum erro.

Passados alguns minutos, chegou um casal com uma criança pequena pleiteando o lugar daquela senhora. Ela, muito espantada, disse que a balconista tinha lhe informado que o assento dela era o da frente e então nem chegou a conferir, mas levantou-se e foi se sentar logo atrás de nós. Tudo bem, uma vez a gente entende, mas duas… já dá para desconfiar.

Começa o vôo e daí a pouco, em meio ao alarido da criançada, exausta pelos dias passados na terra da fantasia, lá vem o carrinho com a comida.

— Carne, frango ou pasta?

Pensei que não estava numa companhia aérea nacional, pois essa é a comida das americanas.

— Frango por favor.

— Acabou.

— ??????????????????

— Então pasta.

Lá veio aquela bandejinha lotada de vários recipientes cheios de gororoba. Que medo de derrubar! É difícil manobrar todas aquelas coisas com os bracinhos encolhidos. Parecíamos todos Tiranossauros Rex.

Enquanto comia aquela diminuta porção, fiquei imaginando como iriam se virar aqueles rapazes gigantes, provavelmente de algum time de basquete, com aquela merreca de comida que mais parecia isopor ensopado. O jeito era jogar todo o sal do pacotinho, mais o que tivesse de tempero, para disfarçar um pouco o insosso da refeição. O pãozinho estava gelado.  A sobremesa nem abri, pois já tinha provado na ida e tinha gosto de banha vegetal, não, obrigada. Gastar as calorias que posso ingerir para manter a forma com aquela porcaria? Eu não.

A chegada também foi infame. O avião parou no meio da pista do setor de carga e, no meio da chuva, os passageiros corriam na tentativa de apanhar o ônibus. Consegui entrar logo, mas via pela janela os outros no meio da escada do avião verem nosso ônibus sumir em meio à tempestade.

O caos estava instaurado na esteira de bagagens, várias mães tentando controlar seus bebês aguardando que todas as malas fossem descarregadas para depois aparecerem com os carrinhos que deveriam ter sido os primeiros na esteira.

Hoje fui tentar resgatar uma passagem de um voo que não pude pegar, pois era o último dia. Lá chegando, fui atendida por uma moça que estava de muito má vontade com a sua própria companhia, dizendo que o tal Black Friday anunciado, vendendo passagens baratas, era um engodo.

Resumindo, por causa de um tal ano bissexto, graças a um dia a mais (??????)— deveria ser o contrario —, não pude resgatar. Me ofereceram uns bilhetes por um preço pelo qual eu poderia conhecer todo o Velho Continente. Saí dali realmente desanimada: o preço decolou e o serviço aterrissou.

Lembro-me de que há poucos anos nos serviam refeições preparadas por chefs com especialidades em comida brasileira de primeira linha. Não vou nem comentar os serviços que prestavam outras companhias brasileiras, especialmente a VARIG, onde trabalhou como aeromoça uma moça muito simpática que agora virou escritora e conta com muito glamour como era viajar de avião: a Estrela Brasileira.

Ainda estou com a cabeça nas nuvens depois dessa.

 postado também aqui

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

4 comentários em “Nas nuvens

  • 25/11/2012 em 21:25
    Permalink

    Ao invés de deixar meu comentário, por ter várias experiências como as já citadas e não ter sido atendida em nehuma das minhas reclamações, escrevo simplesmente: SEM COMENTÁRIOS.

    Resposta
  • 23/11/2012 em 22:23
    Permalink

    Vou logo ser a primeira a deixar comentários! Já passei por várias situações ruins com a TAM também, como quando marcaram o assento do meu filho de 1,5ano separado do meu e a atendente disse que não tinha alternativa, que ele teria que viajar sozinho, ou no meu colo de grávida (eu tinha pago a passagem!), e é muito interessante tentar deixar uma reclamação na seção “Fale com o presidente” do site deles, pois nunca, jamais, está funcionando, já tentei seguramente umas 15 vezes, em dias diferentes, deixar uma carta,e não consegui… eles estão ainda muito contentes porque tem muita gente viajando com eles por falta de alternativa, mas logo esta alegria acaba e eu quero ver como eles vão lidar.

    Resposta
  • Pingback: Nas nuvens | Priscila Ferraz

Deixe você também o seu comentário