Não me engane que eu não gosto

falsa 1Procuro ter cuidado com os e-mails que repasso, e para quem repasso. Tenho amigos de todos os credos, felizmente, então procuro não ofender nenhum deles e não desperdiçar seu tempo com abobrinhas. São os mesmos amigos que fazem a gentileza de abastecer minha caixa postal com assuntos interessantes, portanto, merecem respeito.

Há muita bobagem circulando na rede, muita coisa falsa.  Tento não cair nessas armadilhas, porém, de vez em quando, escorrego. Esta semana repassei o vídeo de uma águia tentando pegar uma criança. Acreditei de boa-fé, mas logo algumas pessoas me alertaram de que se tratava de uma montagem bem feita.

Existem sites com informações sobre a veracidade de mensagens que circulam pela internet. Conheço um, o Quatro Cantos, que consulto vez por outra para tirar dúvidas. Deveria fazê-lo com mais frequência, mas, no dia-a-dia, a preguiça ou a pressa nos fazem esquecer a cartilha. O resultado é disseminar e-mails de águias que tentam raptar bebês.

A ingenuidade das pessoas que leem e repassam certas coisas, eu incluída, é espantosa. Desde a invenção da internet recebo apelos para encontrar crianças desaparecidas, sempre as mesmas. A julgar pelo tempo há que isso circula, algumas já devem ter idade para serem avós.

Fico envergonhada e revoltada comigo mesma quando cometo tais deslizes. E olhem que só estou me referindo ao lado cor-de-rosa da internet. Mensagens falsas de pessoas querendo tirar proveito financeiro ou de outros tipos criminosos, como os pedófilos, são assunto sério demais para uma crônica despretensiosa.

Sempre pergunto que tipo de gente produz essas mensagens anônimas. Talvez a autoria tenha se perdido na rede e eu esteja sendo injusta, mas, em princípio, suponho tratar-se de pessoas talentosas, imaturas o suficiente para não direcionar sua energia para atividades mais produtivas.

Compreendo os hackers que buscam autoafirmação e ocupam o cérebro, em geral brilhante, com desafios. Até acho que seu trabalho é de vez em quando aproveitado em boas causas (em ruins também, como os vírus que nos assolam). No entanto, quem monta e-mails sobre criancinhas desaparecidas só pode ser um desocupado querendo parecer inteligente.

Essas pessoas não causam danos maiores, apenas se comportam como se todo o dia fosse Primeiro de Abril. O ato de enganar os outros por diversão está enraizado na humanidade, inclusive jornais sérios publicam manchetes falsas nesse dia. A diferença é que ao final a mentira é revelada, enquanto os anônimos da internet escondem suas intenções.

A sensação de poder embutida no ato de enganar o próximo, triunfando sobre o supostamente derrotado, deve incentivar esse comportamento. Ao vencedor, o troféu de se autoconsiderar mais esperto que todo mundo. Não lhes importa acentuar a crueldade da vida: quem puder que se defenda.Também não lhes pesa na consciência o fato de contribuir para desacreditar os legítimos pedidos de auxílio.

Talvez o sonho desses “heróis” desconhecidos seja conquistar reconhecimento e respeito. Melhor que continuem desconhecidos. Mostrando a cara, correm o risco de serem considerados ridículos. Ou de despertarem compaixão. Escondidos, só me deixam zangada.  Touché!

 

 

Um comentário em “Não me engane que eu não gosto

  • 27/01/2013 em 12:44
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    Perfeito. Coisas como você voltar a vidas após a morte. Paraísos cheios de anjos para os bonzinhos e infernos com muitos demônios para os que não cumprem as regras. Infalibilidade do papa. Justiça para todos os homens. Nações que devem liderar, e espalhar sua democracia ao mundo. Líderes mundias de grande valor. Realmente existe muita bobagem na web!

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