Na rede

Como disse o poeta, “o tempo não para”!

Isso se torna evidente quando nos deparamos com as novas tecnologias e vemos a roda da vida em movimento. Viajante perene deste mundo, me vejo envolvido nesta viagem insólita e fantástica. Um dia é um iPad, no outro células-tronco, mais algum tempo e surgem carros elétricos, celulares com todos os recursos imagináveis, filmadoras e TVs em 3D e por aí vai.

Os carros já ligam sem chave, bebês são feito em proveta, sexo já acontece no computador. Se minha tia do interior ainda estivesse viva, me diria sem cerimônia: Misericórdia!

Se me espanto com tanta mudança, o que dizer dos que já estão mais à frente, e se viram de repente enviados para a nave de “2001 Odisseia no Espaço”, e olha que já estamos em 2012.

A mãe de uma amiga é um bom exemplo. No auge de seus 70 anos, resolveu se atualizar e se matriculou num curso de computador. Afinal se até no Jornal Nacional mandam entrar na internet para continuar vendo as notícias,como ela iria ficar de fora?

Animada, frequentou as aulas diligentemente, e quando conseguiu ver o capítulo da novela que havia perdido no portal da Rede Globo, se sentiu no paraíso. Feliz e alegre se sentia inserida no mundo moderno, até que numa tarde, junto às amigas do carteado se sentiu diminuída quando Catarina, logo ela, a mais metida da turma, lhe cortou a fala e seu entusiasmo de jovem internauta e lhe pediu assim, sem cerimônia:

— Paula, me passa seu e-mail!

Ela se fez de desentendida, e disse que ainda não tinha um. O sorriso da falsa amiga doeu mais do que ter perdido a queda do Buraco para ela. Pensou consigo mesma:

— Bandida, eu ainda lhe mostro!

Recorreu à sua consultora para assuntos especiais:sua filha.

— Cris, o que é esse tal de e-mail?

A filha sorriu compadecida, e explicou à mãe o significado e a função do mesmo.

— Mãe, hoje ninguém mais escreve carta. Usa-se o correio eletrônico!

Espantada com a informação, se viu obrigada a criar um endereço eletrônico, mesmo sem saber para quem escrever. Só não iria dar mole para a famigerada parceira de baralho.

Mas a vida segue, e absorto neste mundo de mudanças me esqueci de minha amiga e sua genitora. Até que a encontro um dia, numa festa, e a curiosidade me fez indagar:

— E aí, Cris, sua mãe já está cheia de amigos no Facebook?

Com certo constrangimento, mas sem esconder um sorriso, ela me confessou:

— Nem te conto, Eduardo! No início ela tava meio tímida, mas pegou gosto pela coisa! Vive no computador. Apesar de lhe dizer para ter cuidado, está pior que criança!

— Mas isso é ótimo! — exclamei, entusiasmado com o impulso juvenil da velha senhora.

— Nem tanto, amigo! Um dia desses ela me chamou para ver o lindo papel de parede que tinha colocado no computador. Quando vi o site em que ela estava inscrita, caí para trás! Era de relacionamentos gays! E o pior: mamãe já estava cheia de amigas! Ela me disse que adorou a cor rosa e o tanto de convites de amizade que recebia todo dia — disse isso sem conter o riso, sobre a ingenuidade materna.

Eu sorri também.

Afinal, é sempre bom fazer novos amigos.

 

 

4 comentários em “Na rede

  • 17/10/2012 em 15:25
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    Simplesmente amei ! Revivi toda situação, passo isso diariamente com minha amada mãe…Muito legal !! Abraços, Cris

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  • 17/10/2012 em 08:22
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    Quem sabe ela encontra umas namoradas? estou brincando, acho que a melhor maneira de se manter jovem é entrar para o mundo cibernético. Dentro de algum tempo poderemos estar entrando num disco voador e chegar rapidamente em qq lugar desta galaxia. Esta sabia senhora já esta se preparando.

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    • 17/10/2012 em 16:49
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      Rosane se vc passar pela cidade num disco voador ,me convide para uma volta!

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