Museu Dali

Existe na Flórida uma cidade chamada Saint Petersburg, que abriga uma maravilhosa coleção de pinturas de Salvador Dali.

A coleção nasceu por iniciativa de um casal de Cleveland que, impressionado pelo trabalho do artista, adquiriu em 1943, ano em que se casaram, o seu primeiro Dali. Foi uma atitude arrojada, porque, em geral, arte contemporânea precisa de pelo menos uns cinquenta anos para ser apreciada — que o diga Van Gogh, que nunca vendeu um quadro na vida e morreu na miséria.  Não foi esse certamente o caso de Dali que, além de esbanjar talento e ter expressado a sua arte das formas mais diversas, era um exímio marqueteiro de si mesmo.

O Museu Dali de Saint Petersburg foi inaugurado em 1982 e já era visita obrigatória para quem admira arte. Em 2011 foi transferido para um prédio projetado especialmente para ele. A arquitetura desse novo edifício, pensada nos mínimos detalhes, é tão interessante que, não bastasse o acervo do museu, só a construção e o novo local onde está instalado já valeriam a viagem. Há cúpulas de vidro, mas cada uma das peças que compõem essas cúpulas tem um formato e/ou tamanho diferente, num magnífico trabalho de geometria que só se percebe num segundo olhar. No centro do museu há uma escada em forma de espiral de beleza indescritível, desenhada para lembrar também o formato do DNA.

Dali aprovaria tudo isso, porque dominava completamente os elementos geométricos e era fascinado pelo progresso científico.  Fora do prédio há um pequeno jardim para ser apreciado sem pressa, porque por toda a parte há referências ao trabalho de Dali.

O museu não é grande. A coleção está disposta em ordem cronológica, começando com alguns quadros expressionistas.  São originais, mas não arrebatadores. Aí você olha as datas e descobre que o autor tinha quatorze anos, e já buscava seu caminho artístico, desafiando o pai burocrático e a sociedade de um país arraigado a tradições.

Depreende-se que esse sofrimento de romper amarras perdurou por toda a sua vida; acima de tudo, Dali foi espanhol.

Na entrada do museu há uma fonte da juventude da qual não jorrava água, não sei dizer se por algum problema técnico ou para dar o recado de que a juventude eterna é uma quimera. Preciso voltar para tirar essa dúvida. E também porque o belo é essencial à vida.

 

 

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