Mulheres da verdade

Hoje até que eu estava pretendendo escrever alguma coisa mais amena, engraçada, até, mas a vida nos direciona para onde bem entende. Achamos que somos donos de nossos destinos; entretanto, não é bem assim. Vou contar o que aconteceu.

Anteontem fui a um magnífico jantar realizado para a entrega de um prêmio a uma mulher que há muitos anos vem pesquisando e desenvolvendo técnicas que permitiram chegar a um produto alimentício de grande produtividade e recheado de vitaminas, que ajudam no combate à fome oculta – nome dado às carências alimentares resultantes do consumo de alimentos de baixo poder nutritivo.

Sou obrigada a confessar que os discursos foram muitos e árduos, mas o jantar esteve excelente e a companhia ainda melhor. Tive a oportunidade de encontrar amigas que há muito não via, pessoas especiais que lutam por uma sociedade melhor, mais ética, menos corrupta, lutam pela melhoria da qualidade de vida de muitos que não têm condições para tanto.

Fui acompanhada de uma mulher especial: bonita, digna, trabalhadora, mãe e avó exemplar, esposa dedicada e companheira e que ainda arranja tempo para suas grandes obras sociais.  Além de tudo, é muito divertida e amenizou as intermináveis horas dos exercícios de oratória na cerimônia de entrega do prêmio. Essas mulheres fazem parte de uma associação chamada Mulheres da Verdade, e estão há muitos anos lutando para disseminar a ética e a cidadania em nossa sociedade. Muito se tem conseguido, mas o desânimo permeou nossas conversas. A geração que se seguiu à delas não acompanhou seu interesse por esses temas, e hoje o que se vê são adultos de meia idade muito comprometidos com suas próprias vidas, sem perceber que estão dentro de uma cesta com muitas maçãs podres.

As participações políticas em qualquer âmbito deveriam ser, numa sociedade ideal, de cunho meramente idealista, visando o bem maior da sociedade ou associação a que se pertence; entretanto, o que vemos é uma batalha, muitas vezes travada com as armas da mentira e do engano, na ânsia de se tomar o poder, mesmo sem que se tenha qualificações adequadas  – simplesmente pelo poder, ou mesmo visando ganhos econômicos e financeiros.

Deixo aqui minhas felicitações a essas senhoras que bem poderiam estar acomodadas, mas ainda, poucas que são, saem à luta carregando bandeiras de estímulo à ordem e à decência.

Obrigada, Vera, Berê, Terezinha, Cleide, Liz, Raquel, Cecília, Bia, Eliana, Helena etc.

Semana que vem, se o destino assim o permitir, vou tratar só de alegrias. Já sei que vou falar sobre o dia das filhas.

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Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

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