Mistério

Há algum tempo decidi escrever outro livro, agora no gênero policial, e até comecei, mas não gostei do que estava fazendo, era muita realidade para o meu gosto e o linguajar que eu teria que usar não me agradava, portanto dei um pause”, mas estava meio inconformada até que li um artigo sobre a grande dama dos policiais Agatha Christie e recordei como eram agradáveis as leituras de seus livros.

Li praticamente toda a sua obra durante minha juventude, e tenho até hoje muitos exemplares em minha casa que, certamente, se tornarão artigos de museu em poucos anos graças à revolução do livro digital que já bate à nossa porta com todas as suas facilidades, por exemplo, dos confins do mundo, tarde da noite, resolvi baixar um dos livros da grande escritora para reler e analisar e voilà, em questão de poucos segundos já estava de posse do exemplar.

Voltando à Sra. Agatha, ela com certeza foi um dos grandes motivos de eu me interessar por literatura. Era capaz de passar horas e horas pregada diante das páginas, que tomavam vida. Suas personagens eram instigantes e variadas, e algumas tornaram-se ícones inspirando a feitura de vários filmes.

Quem não se lembra de Poirot, figurinha esquisita e hilária? O grande herói, gênio que adquiria contornos absolutamente humanos com suas neuras, era bastante vaidoso e detalhista, mas não conseguia perceber como era cômico de se olhar.
A ambientação dos livros, Londres e arredores, também nos trazia novos conhecimentos sobre a geografia, o clima, e os costumes da época, fins do século XIX e começo do XX, e aquelas vestimentas tão formais e até ridículas para nossos padrões também eram estimulantes. Miss Marple, outra figura interessante, que, apesar de ser pessoa corriqueira e meio matrona também tinha uma capacidade incrível para desvendar os casos mais misteriosos.

Muito bem, meu novo policial vai ser no gênero romântico de meu ídolo da juventude. A adaptação terá que ser imensa em tempos de tecnologias avançadas, que, apesar de bastante longeva, a escritora não chegou a conhecer.

Como substituir os bilhetinhos e cartas pelas mensagens eletrônicas? No nosso tempo, quase nada mais fica escondido com as câmeras e filmadoras que já vêm incorporadas em nossos celulares, e estes, por sua vez, nos conectam instantaneamente a qualquer parte do planeta, portanto, vejo que será uma obra portentosa fazer algum mistério a partir desta nova realidade.

As personagens já estão sendo elaboradas, inspiradas no cotidiano da cidade de São Paulo, e a ambientação será uma ilha em seu litoral ou em Angra dos Reis. Sempre que possível, mandarei notícias para vocês.

Desejem-me sorte nessa empreitada.

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Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

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