Mercado esquentado

Na Folha de sábado há o anúncio de que a editora L&PM está lançando seus livros “de bolsinho”. O slogan publicitário da coleção 64 páginas não poderia ser mais direto: “Do tamanho do seu tempo. E do seu bolso.”  Todos os títulos têm 64 páginas e são vendidos por R$5 em papel e R$3 em e-book. Na última semana fui atropelada por um deles, que está em 1º lugar entre os e-books da Livraria Cultura. Peças Fragilizadas mantém o segundo lugar. UFA! Continuamos lá!

Quanto ao e-book, há muitas notícias boas. A primeira é que a Amazon cravou uma data para começar sua operação de comércio eletrônico no Brasil: 1º de setembro. Segundo o Publishnews só não veio antes por causa de briga com a Saraiva, que vê na Amazon uma fantástica concorrente!

Para os que ainda acham que os livros digitais não estão “vingando”, a Livraria Cultura informa ter, atualmente, 5 mil e-books nacionais e em português disponíveis para compra. É quase 12% mais do que a rede oferecia no fim de janeiro, quando tinha 4.501 títulos no catálogo. Naquele mês, de acordo com pesquisa da Simplíssimo, a Gato Sabido era a maior livraria de e-books do país, com 7.292 livros em português, seguida da Saraiva, com 6.058. A Amazon tinha 3.849. Este mês, com a entrada em operação da Iba, do grupo Abril, o mercado ganhou mais um concorrente, que foi ao ar com 6 mil e-books. A Cultura também informa ter em seu catálogo 261 mil e-books importados. E ainda tem gente falando que o mercado de livros digitais é pequeno!

O fim da versão impressa da Enciclopédia Britânica, anunciado na última semana, é mais uma das provas irrefutáveis das mudanças que ocorrem no mercado livreiro: quase um quarto de milênio de impressões sucessivas da Britânica não foram páreo diante de hábitos desenvolvidos na última década e meia. O que fica claro é que hoje navegar por um site é mais natural do que correr com os dedos uma longa lista de verbetes gravados numa folha de papel. Além de hábitos, há evidências numéricas. Os 32 volumes da edição de 2010 (a última a circular) trazem 120 mil verbetes. A versão inglesa da Wikipédia beira os 4 milhões, e é gratuita.

No atual estágio, um empreendimento impressionante como a Wikipédia, por mais preocupado que seja com a checagem das informações que distribui, ainda está longe do apuro de um processo editorial como o da Britânica, além de sofrer com sabotagens de cunho político e ideológico. A Britânica aposta nesse diferencial para continuar a vender assinaturas de sua versão eletrônica. A grande questão, que em muito também atormenta jornais e revistas, é saber se o consumidor atual está disposto a pagar por uma informação que se habituou a conseguir de graça.

Apesar disso, jornais famosos estão lançando livros digitais. O La Vanguardia, um jornal catalão, lançou nada menos do que 100 títulos de e-book desde novembro. O jornal inglês The Guardian já tem mais de 20 e-books publicados, e a Cosmopolitan já lançou diversos livros digitais cujo alvo são as próprias leitoras da revista. Nesta semana, a National Geographic lançou seu primeiro e-book.

Só falta a Amazon chegar com os tablets a preços baixos para o mercado esquentar para valer! Que bom que estamos nesta!

Até a próxima.

 

 

Um comentário em “Mercado esquentado

  • 27/03/2012 em 14:17
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    Vera, muito interessante a sua crônica. Apenas gostaria de acrescentar que informações diretas da cúpula da Amazon desmentem essa data de 1º de setembro, qualificada por eles como pura especulação, embora o restante da matéria da “Isto É” tenha pontos relevantes e procedentes. Bjs!

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