Medicina à brasileira

remédio 2Passe no jornaleiro e peça A cura pelo alho. Se você odeia alho, tente A cura pela cebola, pela folha de mangueira, pelo espinafre, pela uva, qualquer coisa. Há sempre um livro que, se não for exatamente o que você procura, estará muito próximo.

Minha avó curava gripes com um preparado horrível. O gosto era tão ruim que, se me deixassem escolher, preferia a gripe. A avó de uma amiga tratava a mesma coisa com uma receita de mel e limão. Quando pegávamos gripe eu sempre queria trocar de avó com ela. O que mais me revoltava é que eu nunca ficava boa antes da minha amiga, nem vice-versa.

Aqui ninguém pode se gabar de ser imune à medicação caseira. Outro dia me aconselharam chá de hortelã para ficar com uma voz de fazer inveja à Maria Callas. A voz continua a mesma, mas já estou fazendo xixi verde. Não me assusto: quando o meu xixi ficou roxo e corri para o médico, ele mandou parar o chá de beterraba e voltei ao normal. Só não consigo me lembrar para que servia o chá de beterraba.

A realidade é que todo brasileiro conhece um arsenal de mezinhas para as mais diversas perebas. Novidades, muitas vezes absurdas, se espalham rapidamente. Se alguém disser que sopa de asa de besouro é boa para enxaqueca, espinhela caída ou dor de estômago, o povo nem discute: corre para comprar o ingrediente na feira. E, breve, num jornaleiro perto de você, A cura pela asa de besouro.

Enquanto a asa de besouro estiver na moda, é provável que alguém descubra um índio velho cuja sabedoria desafia a ciência, e esse índio afirme que, além de todo o resto, o besouro da Amazônia serve também para tirar o mau-olhado e trazer sorte no casamento. Aguarde um pouco e você poderá comprar a edição especial de A cura pela asa do besouro da Amazônia. Todo brasileiro tem um pouco de Rasputin ou de Maga Patalógika.

Neste país há cura de tudo que é tipo para tudo que é mazela. Se a cura é verdadeira, ou se, ela mesma, causa novos problemas, é outra história: efeitos colaterais a gente trata depois.

 

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