Livros para ouvir

audio livro

Além dos livros em papel e dos livros eletrônicos, existe um terceiro formato que recebe pouca atenção: o audiolivro.

Essa forma de leitura não é muito divulgada, mas ouvir livros é um hábito que cultivo de longa data. Descobri a existência dos audiolivros no exterior e vislumbrei a oportunidade de melhorar o meu inglês capenga. A possibilidade de repetir a narração até eu entender (ou desistir) se mostrou bastante útil. Na verdade, matei dois coelhos com uma só cajadada, porque passei a ouvi-los no rádio do carro, aproveitando melhor o tempo perdido em deslocamentos.

A oferta de títulos em áudio sempre foi muito menor que a de livros em papel, mas é possível achar, por exemplo, Agatha Christie, cujo inglês é relativamente simples e sem gírias (não confundir simplicidade com falta de qualidade) e clássicos como as irmãs Brontë ou Jane Austen. Foi assim que li obras primas como O morro dos ventos uivantes, Jane Eyre e Orgulho e Preconceito.

Há uma coleção específica, a Penguin Readers, para quem deseja aprender ou aperfeiçoar o inglês. Nesse caso, os CDs vem acompanhados do livro em papel (ou será o contrário?) e os títulos são classificados pelo grau de dificuldade, de 1 (mais fácil – requer vocabulário de apenas duzentas palavras) a 6 (mais difícil – requer vocabulário de três mil palavras).  A coleção é boa, mas os textos são adaptados para satisfazer os critérios didáticos. Como gosto de ler os livros completos, do jeito que foram concebidos pelo autor, só uso a Penguin Readers em época de vacas magras, já que é possível encontrá-los no Rio.

Acostumei-me a trazer audiolivros sempre que viajo para países de língua inglesa, mas quando os rádios dos carros deixaram de tocar fitas cassete perdi a maior parte de minha biblioteca falada. Em compensação, agora posso adquiri-los em CD pela internet.  Confesso que só o fiz uma vez.  O correio me notificou para ir buscar a encomenda na agência e, quando fui retirá-la, cobrou-me uma taxa que superava em muito o valor do livro. A alfândega entendeu que, se eram CDs, eu estava comprando música, e aplicou uma alíquota elevada de imposto de importação. De nada adiantaram meus argumentos e explicações. Paguei, mas desisti de comprar pela internet. Isso já faz algum tempo, talvez os fiscais tenham mudado seu ponto de vista sobre o assunto, porém, continuo traumatizada.

Começou pelo inglês, mas acabei viciada na coisa. Ao comprar livros aqui no Brasil procuro saber se há versão em áudio. Às vezes dou sorte: li 1808 e 1822 do Laurentino Gomes dessa forma. A leitura tradicional seria muito mais demorada porque, com tanta solicitação digital à nossa volta, cada vez sobra menos tempo para nos concentrarmos nos livros. Por essa razão estou há semanas lutando com as seiscentas páginas da biografia do Steve Jobs, que ganhei na versão impressa. Se fosse em áudio… Para alguma coisa servem os enormes engarrafamentos do Rio, onde já não se vai a lugar nenhum sem perder horas no trânsito.

Há sites que vendem audiolivros por download.  Comprei alguns, mas para ouvir no carro é necessário produzir um CD a partir do arquivo baixado. Junto com o arquivo, o site enviava a licença de uso que dava direito a fazer uma única cópia. Invariavelmente, meus CDs resultavam deficientes e eu era obrigada a pedir a renovação da licença. O pessoal até acreditava, e me atendia na maioria das vezes, mas era desgastante. Insistia para que me vendessem o CD já pronto. Inútil: não dispunham dessa opção.

O livro falado é usado nas instituições para deficientes visuais. Nesse caso, editoras e autores abrem mão de seus direitos e a leitura é feita por voluntários. A gravação é inacessível às pessoas comuns porque esse audiolivro não pode ser comercializado.  Seria ótimo se, em lugar de ceder direitos, as editoras produzissem e vendessem os CDs e doassem alguns para tais instituições. Seria melhor, principalmente, para os deficientes visuais, porque a leitura por um amador e a gravação sem fins comerciais guardam uma distância enorme de um trabalho profissional. No mercado há narradores tão bons (vários são atores de teatro) que você quase jura que ali está um elenco inteiro ao invés de uma única pessoa.

Não sei por que há poucos livros em CD, se é tão prático e prazeroso ouvir um livro enquanto executamos atividades como passar roupa, andar na esteira ou dirigir. Ao longo dos anos, alguns conhecidos ficaram sabendo desse meu costume de ouvir livros e aderiram. Levando o assunto a público, tenho esperança de angariar mais leitores e despertar o interesse das editoras para ampliar a oferta de (bons) títulos em áudio. Topam?

 

4 comentários em “Livros para ouvir

  • 06/02/2013 em 15:10
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    Obrigada, Claudia! Um abraço.

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  • 03/02/2013 em 19:12
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    A tradição oral se perdeu com a invenção do alfabeto e a escrita, sempre que ganhamos alguma coisa, temos que abrir mão de outra. Na realidade acredito que a tecnologia nos levara de volta a tradição oral e esquecimento da escrita!

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  • 03/02/2013 em 17:39
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    Claudia, obrigada por compartilhar essas informações tão preciosas! Já venho pensando nos audiolivros há um tempo porque minha avó, de 94 anos, que adora ler, está tendo dificuldades para fazê-lo por causa de uma degeneração da visão. Você poderia informar os links para os sites que vendem audiolivros por download? Obrigada.

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    • 03/02/2013 em 23:22
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      Débora, eu usava o site voolume.com.br, mas dei agora uma olhadinha na internet e vi que está (acho que temporariamente) apenas com uma página de rosto.
      Mas se você der uma pequisada na internet verá que agora a maioria das livrarias oferece também alguns audiolivros. Tenho certeza de que sua avó vai se beneficiar muito com eles. Um abraço.

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