Lições da vida

por Edegerdo Hardt Junior.

 

Como o sol estava forte, pai e filho pararam perto de uma árvore para descansar. O pai olhou firme para o filho e começou a contar mais uma história.

 

“Existiu uma época, num lugar maravilhoso, as montanhas de fundo com pico nevado e tudo, as árvores de um verde claro e escuro, com folhagens variadas, troncos finos e grossos; um mundão de campo limpo e pasto pra todo tipo de bicho, o céu, ora azul, ora nublado, e água em abundância.

Era o lugar de três povos diferentes: o homem do campo, o homem da mata e o homem da montanha. Cada um vivia bem em seu meio, mas um não chegava perto do outro, ou era só briga.

Certo dia, o céu ficou parado de frio e as montanhas congelaram, a mata ficou branca de neve espessa e os campos sumiram, sob o tapete gélido.

Os homens da montanha não tinham mais comida, só água. Os homens da mata não tinham mais comida e nem água, só madeira. E os homens do campo tinham provisão de comida cevada, mas lhes faltava água e o frio, com certeza, os mataria.

Os três grupos se encontraram e as armas se levantaram, mas a fome, a sede e o frio foram apaziguadores. Os grupos conversaram e decidiram, acertadamente, se unirem para o bem comum. Sobreviveram.

Pena que ao chegar o tempo bom os homens esqueceram as benesses do compartilhar, e na melhor época, se colocaram em guerra novamente.”

 

— Papai! Por que o homem faz guerra no melhor tempo? Quando o fruto do trabalho deles é bom, não seria melhor ainda, se continuassem a compartilhar? Será que esse bicho não aprende as lições da vida? — perguntou o filho, que em sua inocência via melhor que o homem.

— Não sei, pequeno. Mas é um pesar — suspirou o pai. — Talvez chegue um dia em que o homem aprenda a viver em paz. Basta ele perceber que já vive no paraíso.

 

Edegerdo Hardt Junior nasceu em Jacareí, São Paulo, em 1974. Aos três anos foi morar em Taubaté, cidade onde vive até hoje. Descobriu o maravilhoso mundo da leitura com a mãe; no colégio descobriu a vontade latente de escrever, a que deu vazão por intermédio da poesia. Formado em advocacia, atuou profissionalmente em Taubaté por sete anos. Em 2010, com o falecimento de seu avô materno aos 100 anos de idade, ainda jornalista ativo, voltou a praticar outros gêneros de escrita que não o jurídico. Seu livro de estreia, Algo para pensar, será publicado em breve pela KBR.

 

 

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

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