Leitura digital

A Revista VEJA de 14 de março de 2012, que recebi no último sábado, veio com uma sobrecapa: era o anúncio da nova plataforma para leitura digital, a iba. Apresentada como uma nova maneira de ler, é a gigante ABRIL entrando com força total no mercado da leitura digital.

Se você se cadastrar, como eu fiz, tem que baixar o aplicativo e ganha 5 revistas, um jornal e 10 livros.
Não estou fazendo propaganda gratuita para eles, mas acho muito bom isso que está acontecendo. Estão doando muita coisa boa como uma forma de fazer com que os leitores se acostumem à leitura digital. São nossos concorrentes, mas também estão nos abrindo mercado, criando mais leitores digitais.

Muito se discute sobre a leitura digital. Alguns acham que o livro de papel vai acabar, outros que a leitura digital não vai vingar. O futuro a Deus pertence! Mas o livro digital está chegando com força. Temos que nos acostumar. Eu mesma, na batalha de promover Peças Fragilizadas, tenho dado muitas explicações aos meus leitores de como baixar o aplicativo e depois o livro.

Em geral, fala-se como se o surgimento do e-book fosse acabar com o livro impresso e também com a cadeia de produção. Isso quer dizer, objetivamente, que as gráficas teriam que encontrar formas alternativas de utilizar a sua força produtora de livros comuns, investindo em técnicas de produção mais elaboradas para diferenciar seus produtos ou em impressos para outros segmentos. As livrarias, por sua vez, passariam a focar também em outros produtos (como já fazem) e a fortalecer seu braço virtual.

Acredito que um livro para ser “o livro”, continua precisando de todas as etapas: obviamente, o escritor, o editor, o revisor, o diagramador, designers, agências de marketing com estratégias de lançamento etc. A diferença é o suporte: sai o papel e entra o tablet. O conteúdo básico do livro é o mesmo, e as qualidades, também.

Podemos dizer que o futuro a Deus pertence, mas o passado é conhecido. A Kodak, gigante da fotografia, insistiu que seus clientes queriam fotografias em papel, quando o que eles queriam eram imagens. Quando a tecnologia permitiu a livre transmigração das imagens, com as câmaras digitais e os arquivos jpg, deu-se o lamentável “momento Kodak”: sem alternativas, ela teve que aderir às fotografias digitais. O mesmo aconteceu com a outrora poderosa indústria fonográfica, que queria vender discos, quando as pessoas queriam comprar músicas.

Estaria a indústria editorial fadada a seguir os passos que levaram a indústria fonográfica ao abismo? Ou será que encontraremos novos caminhos para vender o livro, em um mercado multiformato? Particularmente, acredito que haverá lugar para todos. O livro impresso jamais deixará de existir e coabitará em perfeita paz com o livro digital.

O que acho importante ressaltar é que em toda a discussão sobre a leitura digital, fala-se do livro digital como uma coisa menor, uma autopublicação sem as qualidades necessárias ao livro. Só para lembrar, um dos maiores sucessos recentes, A Cabana, foi originalmente uma autopublicação; Diário de um banana, um blog; e Meu pai diz cada merda, um twitter.

Claro que todos eles para entrarem no mercado editorial tiveram editores, revisores, diagramadores etc. etc.
Os novos formatos dão a autores que não eram conhecidos a chance  de entrar no mercado, reafirmando que o livro que merece ser publicado é aquele que tem público interessado em lê-lo.

Vamos aguardar o próximo lance, que deve ser a gigante Amazon chegar ao Brasil! E desta, nós da KBR já fazemos parte.

Até a próxima.

 

 

 

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