Kindle Kindle

kindlesemCaros, eu entendo, pra vocês e pro resto do mundo é apenas mais um gadget, um gadget bonitinho, baratinho, útil, talvez, visto que nele se podem ler livros com algum conforto e sem cansar os olhos — hoje mesmo Paulo Pinho me escreveu num email que estava “lendo meu livro sem graus de separação meia hora por dia para não cansar os olhos”, bem, isso agora acabou, não é mesmo?

Muitas outras coisas se acabaram, uma longa espera de três anos, longa, agitada e muito nervosa nestes últimos dias, entendam por que: a KBR foi sonhada, vislumbrada, profetizada e planejada instantaneamente no primeiro momento em que vi um Kindle aparecer, nos Estados Unidos, em 2008.

Pensei: é a solução para todos os meus problemas! Naquela época, é claro, problemas de leitora e, principalmente de escritora engavetada, se é que vocês me entendem.

O Kindle foi por algum tempo apenas um distante e muito almejado objeto de desejo, por mais ou menos um ano, até que ficou disponível no Brasil e eu, que não tinha um tostão na época pra chamar de meu, ganhei um do meu irmão de presente de aniversário, o melhor que já ganhei na vida.

Sabem aquela história de não dar o peixe, mas ensinar a pescar?

Esse meu irmão que eu adoro tinha me causado uma grande dor em 1998 — e olhem, garanto a vocês que ele nem percebeu que tinha feito isso, porque é um cara totalmente do bem, quem conhece sabe — quando me recusou o empréstimo de R$3 mil para que eu “autopublicasse” o meu primeiro livro, “Eu, xamã”. Eu quis matá-lo, juro, e ainda esta semana estava me lembrando de tudo isso, eu sou ruim de perdoar, fico voltando e voltando pra cima de qualquer coisa que a qualquer tempo tenha me ferido, e a revivo de verdade, uma doença, eu sei. Mas agora entendo melhor: como alguém de minha família iria saber que depois de ter me formado em arquitetura, sido comerciante e designer de móveis por uns bons 8 anos, depois designer gráfica, produtora de workshops esotéricos, designer de joias, diretora de arte em publicidade e quase no final da jornada variada assistente de Mauricio Sette na Fundição Progresso, onde peguei finalmente o “vício” da informática, era também excelente escritora, desculpem a falta de modéstia?

Tudo na minha vida indicava que eu estava me tornando um picareta profissional, me desconcentrando em tantas aventuras diferentes, todas em busca de um verdadeiro negócio que me falasse alto na mente.

Bem, pra encurtar a história, pouco tempo depois meu livro foi publicado por uma grande editora paulista. Vendeu a tiragem todinha — nem me perguntem quantos — e eu recebi aí por volta de uns R$60 de direitos pela coisa toda. Dei uma palestra sobre “pêndulo” (juro!) na Saraiva do Rio Sul, na zona sul do Rio de Janeiro, e isso foi tudo.

Mas esse mesmo irmão, que é meu único, deve ter visto alguma coisa diferente quando resolveu me dar um Kindle de presente e o encomendou nos Estados Unidos para mim. Falta esclarecer: ele é um homem de negócios muito competente, representante da Porsche no Brasil. Não é pouca porcaria, e tudo nascido de seu próprio sonho e esforço, pois como eu sempre amei os livros ele sempre amou os carros e seus motores barulhentos!

Pois quando o Kindle chegou — vamos combinar, é o “Porsche dos e-readers” — como eu já disse até em vídeo, e em entrevista na TV, fiquei maluca. Num primeiro momento comecei a ler um monte de livros em inglês sem ter que esperar três meses e pagar mais pelo frete do que pelos livros propriamente ditos. Mas logo em seguida comecei a matutar (matuto, sim, coisa de mineira) um jeito de colocar meus livros na Kindle Store.

Não vou contar essa história de novo que só de lembrar cansa. Só preciso confessar que nunca sonhei nesta vida em criar algo grande e importante como a Editora KBR, desculpem de novo a falta de modéstia.

Nestes três anos sofri com a falta de softwares, de alguma base de conhecimento, de competência; tive que inventar tudo, e tentei como pude: cada loja de livros digitais, ou distribuidora ou profissional do ramo de conversões neste país poderá lhes confirmar que em cada uma delas tem o meu dedinho. Fui aprendendo, e ajudando todo mundo a aprender.

Bem. Estou na última etapa. Nas últimas duas semanas venho ajudando um monte de gente a comprar livros na loja Kindle, baixar aplicativo, abrir conta na Amazon BR, essas coisas. Mas esta manhã chegou o Kindle, e, francamente, até uma criança de dois anos pode comprar e ler livros num Kindle, de tão ridiculamente fácil que é, muito mais fácil que sair da sua casa, pegar um trânsito ou andar até a próxima livraria, olhar os livros, pedir informações, chegar ao caixa, tirar o cartão da bolsa, digitar a senha, fazer todo o caminho inverso e esperar o dia acabar para finalmente poder começar a ler um livro. Que dirá receber um “email de confirmação” e ficar lutando uns três dias com a embromação para, finalmente, conseguir “baixar” o diabo do livro. Argh.

Meu trabalho educativo está feito, não preciso ensinar mais nada, ah, como não. No bojo desta louca experiência aprendi a ser editora de livros, e hoje não somente os publico, mas ensino todo dia os meus autores a pescar seu peixe. E eles vão indo muito bem, obrigada, podem perguntar a qualquer um deles por aí.

E nem precisa: desde que abriu a Kindle Store no Brasil a KBR nunca deixou de ter pelo menos 25 títulos na lista dos 100 mais vendidos, tendo ainda honrosamente os 2 ou 3 primeiros lugares insistentemente. Estamos brilhando, porque houve quem tivesse planejado isto cuidadosamente, desculpem o ato falho esotérico, “em todos os planos do universo”.

O resultado taí. Agora licencinha que vou me dedicar a escrever e editar livros, ok?

E um bom primeiro mundo para sempre aí com vocês. Chegamos lá, e vocês também poderão experimentar como é bom lidar com gente competente.

Momentinho tardio para o comercial: meu livro sem graus de separação vai indo bem na fita, e tenho com ele uma nova missão, mostrar pra todo mundo que sexo e erotismo são coisas do coração, da sobrevivência, da mais profunda emoção, nada a ver com certos contos de carochinha com amantes belos, ricos, de pênis avantajado e mentalmente doentes, se é que vocês me entendem, tenho certeza que sim. Leiam meu livro! Vocês vão amar, literalmente!

E tchau procês!

 

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1 Resultado

  1. 20/12/2012

    […] O resto, aqui. […]

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