Hablemos Papa

Foto "O Globo".
Foto “O Globo”.

por Maria Anna Machado

 

Sou católica. Vou todo domingo à missa, comungo às vezes e esperava o novo Papa com a mesma curiosidade e esperança de todo católico. Quando minha filha, brincando, me disse, “Mãe, adivinha de onde é o novo Papa?”… Pelo tom dela, pensei… É do Brasil!

Mas quando ela explicou, “É’ da Argentina”, meu queixo caiu, e meu espanto foi demais. Explico.

Tenho certeza de que o próximo Papa  terá dias turbulentos, e não conseguia imaginar quem, apesar do enorme esplendor do cargo, teria a coragem de fazer propaganda de seu nome. Não havia “favorito”, e sempre há. Não havia pistas… os paparazzi sempre acham uma… e tenho certeza, não foi a “inesperada” renúncia do Papa anterior que pegou os católicos desprevenidos. Então… o que seria?

É com certeza um cargo cheio de enigmas. Mas sempre houve os que até matavam para ocupar tão elevado posto.

Então, por que esse desconforto com o novo Papa Francisco, um jesuíta até ontem desconhecido, pelo menos para a maioria? Porque os poderosos, e nós sabemos bem quais são, não se mostraram? Ou realmente devemos acreditar que o silêncio, a reclusão, o sigilo, o juramento dos comprometidos com a escolha foi e será uma verdadeira esperança de que temos “homens santos” zelando por nós?

A Igreja, para mim, foi e sempre será um lugar de refúgio, onde Deus parece ouvir melhor as vozes que rezam juntas, que chegam, oram e voltam para seus lares. Se os que ficam cuidam com zelo da Igreja, é um problema que muitos de nós desconhecemos, e nem sequer cogitamos em vasculhar.

E digo com muita clareza, não é por ser argentino, todo brasileiro sabe bem como nosso sentimento pelos nossos vizinhos são estapafúrdios; estranho é o sentimento de insegurança que isso passa para mim, e que nem sei explicar. Amei ver um jesuíta olhando por nós, amei que um latino agora cuida de nós, e por isso minha opinião fica comprometida, por não saber explicar essa sensação de que deixaram o barco correr livre e solto, somente Deus no comando e Francisco no leme.

 

 

 

Maria Anna Machado é pintora por nascimento e escritora por adoção. Suas pinturas são sua alma, seus escritos seu coração. Completou oitenta anos e se voltasse a nascer não mudaria um minuto sequer, pois todos foram vividos com intensidade, serenidade e amor. Pela KBR, publicou Atlants — atol das formigas e O Rei das Orquídeas.

 

 

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

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