Fim de férias

lakeEstá chegando a hora. Infelizmente, amanhã é o último dia. Dá uma tristezinha!!!

Viajar é sempre muito bom. Tudo começa com um sonho, depois vem o planejamento, os preparativos, deixar tudo encaminhado para a saída.

Me pergunto por que é tão importante sair de casa e ir para bem longe. Acredito que a saída da rotina é a principal justificativa, encher nossos olhos de novidades, abarrotar nossas mentes de ideias novas e interessantes, conhecer povos de outras culturas e ficar fazendo as comparações, aprender muito, trazer conosco e tentar implantar em nosso próprio lugar coisas que nos impressionaram. Nos dias de hoje, ficar comparando os preços e nos irritarmos muito com a carestia que impera no Brasil. Por que, me pergunto, temos que pagar tão mais caro pelos bens de que necessitamos? Com certeza para sustentar a burocracia e a corrupção.

Amanhã será a última manhã, doces manhãs de nasceres de sol impressionantes, de cores nas gamas de vermelho. O ruído de passinhos corridos pelo andar de cima deixará minha saudade ainda maior depois de amanhã. O chorinho, seguido de gorjeios de risos, avisando que o dia já começou cedo, deixará em minha lembrança uma nostalgia agridoce. A azáfama da manhã, com a preparação do café cheiroso e mesa farta deixará pela última vez um acúmulo de gramas indesejados. Os passeios pelo bairro, que mais parece uma maquete de tão perfeito, com caminhadas, corridas de bicicletadas, serão recordados na academia tão desalmada.

A alegria da família toda reunida numa mesma casa trouxe de volta uma juventude que já não há, mas o sentimento de conforto e segurança que esse congraçamento nos traz esquenta a alma. Por um lapso de tempo, podemos mais uma vez estar com nós mesmos, eu e partes de mim que há muito se desprenderam de meu corpo para viver minha vida longe, muitas vezes sem que eu mesma tome conhecimento.

Desmontar a árvore de Natal — no meio de janeiro, já que era tão linda e nos alegrava — mostra muito bem a falta de comprometimento com datas e convenções. Aqui tudo é permitido, aqui não é a vida real e sabemos muito bem disso. Esta nos aguarda logo na chegada, bem na esteira de bagagens totalmente desnorteada, não mais a organização comprometida e pessoas respeitosas, mesmo aquelas que aqui estiveram e viram como o respeito é muito melhor .

Resta o consolo do clima. Voltar para o calor do sol e das pessoas, os amigos e parentes queridos, que estarão quase todos no mesmo lugar e da mesma maneira, menos um que, me fará muita falta e de quem não me despedi. Minha casa, minhas coisas, meus funcionários, já me fazem falta, e anseio pelo momento de entrar em minha casa e dormir na minha cama.

Mas, hoje, ainda dormirei no silêncio, ao lado da beleza da paisagem de um lago plácido e um vento gelado balançando os pinheiros logo depois de um pôr-do-sol magnífico.

Alô, Brasil!

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Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

2 comentários em “Fim de férias

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