Fé: adeus às ilusões

Em fevereiro de 2012 o planeta Netuno entrará no signo de Peixes, do qual é regente, ou seja, com o qual tem grande afinidade. Este é um planeta lento; permanece em torno 14 anos num signo. Desta vez, só sairá deste signo no início de 2026, fechando o último portal da finda era de Peixes. E daí?

Daí que, do ponto de vista da Astrologia pode-se dizer que é uma longa oportunidade (14 anos) para dar um significado que torne mais fácil para lidarmos com nossos incômodos psíquicos, das neuroses à loucura.

O signo de Peixes é o último, e portanto representa a dissolução de todas as fronteiras, a percepção de que tudo o que a nossa consciência alcança está interligado e é interdependente.

E Netuno é um planeta relacionado ao engano, à ilusão, à fantasia, mas também à fé. Muitíssimo se falou no poder curativo, regenerativo e até milagroso da fé.

É simples ter fé. Mas não se pode dizer que seja fácil.

Fé não tem nada a ver com acreditar ou não acreditar em algo: Deus, deuses, gnomos, razão, ciência etc. Podemos, por exemplo, acreditar num Deus todo-poderoso e não termos nenhuma fé. A fé não é a conclusão de um raciocínio: é uma emoção que surge quando desistimos de controlar as circunstâncias ao nosso redor ou o resultado das nossas ações. É aceitar que não controlamos nada disso. Mesmo porque não controlamos! É saber que podemos apenas fazer a nossa parte o melhor possível, mas os resultados não dependem de nós, dependem das forças e leis da vida e do cosmo-sistema que habitamos, complexas demais para o nosso entendimento.

A fé é relaxante. Tira o grande fardo de ser Deus (o que tudo sabe e tudo controla) das nossas costas. É a grande desinfladora do Ego. Podemos parar de soprar o Sol para que ele continue brilhando. Permite que deixemos de lado a bobagem de querer que as outras pessoas mudem, e ficarmos magoados quando não o fazem; não ficamos ofendidos nem injustiçados quando acontece algo que nos contraria, e – o mais importante – diminui radicalmente a ansiedade, que é a expectativa nervosa dos resultados, do desejo de que nossas ações ou aspirações aconteçam do modo como planejamos; medo do resultado negativo e ânsia pelo positivo, como se pudéssemos alterar este resultado apenas com o nosso sentimento de querer que assim seja. Como uma criança.

A pessoa sem fé na verdade é um idólatra, adora um ídolo, e mais especificamente um ególatra, porque adora e deposita toda a sua confiança nas suas próprias e restritas capacidades, comparando-as, claro, aos acontecimentos do cosmo-sistema.

É simples falar sobre o abrir mão deste nosso pseudocontrole (só nós acreditamos nele), mas, na prática, isso só é possível mediante  treinamento contínuo. E nós sabemos como é difícil esse treinamento, essa determinação, essa perseverança — a cada expectativa, lembrar que já fizemos todo o possível para que o que desejamos se realize.

Podemos não ter sido perfeitos, e quase certamente não o fomos, mas fizemos tudo o que pudemos. E agora devemos relaxar, porque não adianta mesmo nos preocupar. É uma questão de prática e disciplina, assim, terminada a nossa parte, soltar o comando. Muitas vezes. Todos os dias.  Até que a fé torne-se parte da nossa natureza.

 

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