Essa pequena do Chico Buarque

A velhice não é anunciada com trombetas. Ela chega de mansinho, uma coisinha aqui, outra ali, você precisa de óculos, as pessoas começam a chamá-lo de senhor, alguém oferece o lugar no metrô, e pronto: a velhice está lá, instalada. E para sempre. Sempre, neste caso, é figura de retórica, porque a primeira coisa que ela ensina a você é que o seu tempo é finito e está em contagem regressiva.

A velhice é ruim.  Só tem uma vantagem, significa que a pessoa ainda está viva, duas, na verdade: a outra é pagar meia entrada.

Se você não concorda, pergunte a qualquer velho, nem precisa ser tão velho assim, se ele não gostaria de se livrar da artrite.  Repare que nem a natureza gosta de ser velha: a renovação é constante. Se a velhice fosse boa, haveria fila de espera para namorar mulher velha, até o Chico ia estar numa fila dessas. Mas a música dele, ao contrário, reflete a consciência da finitude e o apreço que todos temos pelo que é novo. Tudo bem se você adora aquele seu chinelinho, mas já entrou em casa de velho, dessas que ninguém teve dinheiro e/ou energia para reformar?

A velhice é difícil. As pessoas buscam conforto em argumentos complicados, mas a velhice continua difícil.  Admiro os velhos, apesar de saber que a coragem deles vem da falta de opção. Cada um se vira como pode para driblar a velhice.

Angústia, depressão, saudosismo?  Melhor compor blues.  Ou rir de si mesmo.

 

 

 

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