Era um garoto, que como eu, odiava Lady Gaga…

Lady Gaga na capa da Rolling Stone em junho de 2010

Dezoito anos eram pasta de amendoim para Art Spencer. Ele comia de colher, sem passar em nada. A fazenda onde morava, em Appleton, Wisconsin, tinha computador. Art não usava. Tinha medo de contrair doenças pelos germes do mouse, imaginava dedos oriundos dos mais sortidos orifícios.

Enquanto pensava em faculdade, Art ajudava a família com as batatas. Uma indústria comprava a produção de todas as fazendas da região e fazia os preços despencarem . Caminhonetes, cachorros e garrafas também viviam ali.

Era sempre bom gritar com os amigos no Potato’s Festival. A rainha e suas princesas sempre distribuíam seus corpos depois do concurso. Art foi ver o som que centrifugava as silhuetas de Appleton em uma tenda.

Sofreu uma colisão. Viu Lady Gaga num telão: um coquetel de santa aparecia numa túnica que fingia pureza; deitava-se e colocava na boca contas de um terço, que imitava o cordão de bolas para cloaca vendido em sex shop.

Gaga, passiva e ativa, se ensanduichava entre bombados. “Alejandro”, cantava a loira. A princípio, Art achou que ela era gostosa. Mas logo sacou que era uma feia com força.

Antípoda da sensualidade, Gaga desaguava em corpos numa orgia tão sem graça quanto sopa de envelope. A insinuação é que engendraria a imaginação, porém, quando muito, levava à constatação de que aquilo tudo era puro mau gosto, mesmo. E os rapazes de cuecas com ereção de biscuit… A produção tentava copiar a fase erotica da Madonna, mas Art saberia que Lady Gaga é chiclete de segunda mão perto da Material Girl.

Outro vídeo. Gaga, uma mistureba da cara de coitada da Annie Lennox com um Marilyn Manson versão Barbie. Art Spencer não entendia por que seus amigos dançavam com tanta doação. Ao dissecar o que estava ouvindo, flagrou um só fato desidratado: a música era ruim. Triste, ele ouvia Appleton inteira gritar: “Quero sua vara vertical. Sou uma vagabunda.”

Repetiu-se “Alejandro” e uma cena sacudiu o batateiro: a pomba-gira leitosa ostentava um sutiã cujos bicos imitavam fuzis. Art se lembrou de que fuzil é algo sagrado em seu país, Gaga não poderia cometer aquele sacrilégio! O garoto provaria que a grandeza da América não era uma dançarina de Jabba, o Horrendo.

Art Spencer pensou em se alistar, para aprender a matar com louvor no Afeganistão: juntar-se-ia a um bando de moleques mocados nas montanhas. Será que fumaria pitombas de maconha como seus patrícios no Vietnã?

O potato man de Wisconsin tomou bastante bourbon naquela noite. Acordou com a boca ruim e afastou a fúria nacionalista, despertada pela pior cantora da eternidade. Voltou a pensar naquilo que chamamos de realização pessoal e conseguiu ser aceito numa universidade.

Na primeira aula daquela manhã gelada, Art fazia anotações. Ao seu lado, a mochila de outro estudante. Dentro dela, um fuzil.

 

 

 

 

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