Entrevista com Noga Sklar

Caros, esta entrevista foi concedida à estudante de jornalismo da PUC-Rio, Samara Fernandes Moser. Achei interessante e quis compartilhar com vocês.

1-Quero conhecer mais sobre a história da KBR. A senhora era casada com Alan Sklar antes da criação da editora? Se conheceram na internet com motivação profissional ou pessoal (afetiva)? Quando a KBR entrou no mercado? A ideia de criar uma editora partiu de quem?
Éramos casados, sim. Nos encontramos por razões afetivas, muito antes de o Kindle existir. Quando a oportunidade apareceu, em outubro de 2009 (a Amazon liberou sua plataforma de autopublicação apenas para residentes nos Estados Unidos e o leitor passou a ser vendido para entrega no Brasil) Alan e eu decidimos aproveitá-la, e logo depois surgiu a KBR, ainda pretendendo apenas converter livros que já existiam. Aos poucos, foram aparecendo autores desejando publicar na Amazon e nosso perfil foi mudando. Em março de 2010 já tínhamos nos tornando uma editora completa, e colaboramos na criação das lojas digitais brasileiras como consultores.

2-Por que e-books? Por que literatura brasileira? O que quer dizer a sigla KBR?
Os ebooks mudaram, estão mudando e vão mudar mais ainda as relações entre autores, editores e livreiros. O mundo dos livros impressos não estava ao nosso alcance, digo, pelo método tradicional de grandes tiragens, o que inviabilizava o negócio para empresas pequenas e cujo capital inicial, como o nosso, era apenas de ousadia, know-how e criatividade. Também os autores foram liberados do fardo da obrigação de imprimir livros, e, finalmente, o livro, digo, o hábito de ler se expandiu e se espalhou pelo mundo: não é mais necessário ir a uma livraria, aguardar o correio e pagar pesados valores de frete e do próprio livro. O mercado se democratizou.
Por que literatura brasileira? Por amor, para mostrar o seu valor. O mundo dos best-sellers importados não precisa da nossa colaboração.
KBR é uma homenagem velada ao kindle, que mudou a nossa vida e possibilitou o nosso negócio: KindleBookBr, uma homenagem explícita, era o nome inicial da editora que mais tarde, por acordo com a Amazon, tornou-se KBR.

3-O que acha da Amazon no Brasil? Quais são suas perspectivas para o mercado de livros digitais?
A Amazon está pelo menos 10 anos à frente em termos de tecnologia. Com o Kindle, a empresa praticamente inventou o mercado do livro digital, que antes não saía do chão. E chegar ao Brasil, país que hoje está entre os de maior economia, foi um passo natural; sua chegada vai revolucionar o mercado com seu conhecimento e reconhecido trato caprichado dos clientes: é uma das empresas favoritas do público nos EUA e será aqui também. Já é a nossa. E, cá entre nós, também demos uma mãozinha, mostrando a eles a força do português desde que criamos a KBR. Dizem as (boas) línguas que até Jeff Bezos conhece Noga Sklar, essa pequena notável de Petrópolis, rsrs. Perspectivas? Vamos vender muito livro!

4-Como é a relação entre os autores e a editora? Vocês costumam procurar novos talentos?
Somos praticamente uma editora de novos talentos, que não só garimpamos, como ajudamos a crescer, amadurecer como autores. Cuidamos dos nossos como se fôssemos uma família, e aos filhos não se nega nada, não é mesmo? Damos ainda oportunidade aos que têm veia de cronistas em nosso blog.

5-Quantos e-books produzem por ano? Quantos são vendidos? Qual o custo de produção de um e-book?
Produzimos em média 3 livros novos por mês. As vendas ainda são tímidas, mas estivemos com alguns de nossos títulos no topo da lista nacional de mais vendidos, e não pretendemos sair de lá. O custo de produção de um ebook? Depende do livro, teor, tamanho, mas uma coisa é certa: uma vez o texto editado e o livro enviado ao distribuidor e às livrarias, tudo o que vem é lucro, não há frete, nem custo de papel, nem excesso de estoque, nada disso para atrapalhar.

6-Quem os produz/quantos e quais funcionários estão envolvidos?
Não temos funcionários, mas uma rede dinâmica de colaboradores online, uma equipe pequena, porém elástica. Podemos dizer que temos uma boa equipe de “softwares”! Eles são muito eficientes e nunca pedem aumento nem fazem greve, mas precisam ser atualizados a todo momento, por isso estamos adotando a partir do dia 6 de maio o Adobe Cloud: ele ganha salário mensal e não chateia com downloads, vamos colocá-lo como gerente! (Brincadeira, o Adobe Cloud é o novo sistema da Adobe de leasing de softwares na nuvem e compartilhamento de arquivos, ninguém mais precisa investir uma fortuna na compra de tecnologia.)

7-Qual o formato de e-book adotado? Por quê?
O ePUB é o formato universal. Mesmo o formato da Amazon é convertido hoje em dia pela empresa a partir do ePUB. Quanto à venda, o mercado está dividido entre o ePUB, de um lado, e o Mobi e KF8, mas isso tende a acabar, com a incorporação em um formato único que deve integrar o ePUB e o KF8, formato mais avançado da Amazon para o Kindle Fire.

8-Qual o perfil dos consumidores de e-book?
Olha, é amplo. E com a entrada no mercado dos ebooks para smartphones vai aumentar ainda mais. Todo mundo quer ler seu livrinho digital, e cabe às editoras prover ao público a necessária variedade de títulos e temas.

9-Qual o preço de capa? Como se calcula?
Nosso preço é calculado com base no que o mercado quer e pode pagar, e também em quanto vamos pagar aos nossos autores. Encaramos a fase de produção como investimento da empresa e dos autores também, desvinculado do preço de venda, o que é completamente diferente do livro de papel, que necessita eternamente de insumos, gente, material. O ebook uma vez no sistema não custa nada, e por isso o preço pode ser baixo. Não acreditamos que vender barato desvaloriza o autor, pelo contrário, o que valoriza um autor é vender, e vender muito! É nosso objetivo, por isso o baixo preço: nosso teto é R$12,00 e não guarda nenhuma relação de percentual com o preço do mesmo título em papel.

 

Leia mais: Parte 2 e Parte 3.

 

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

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