Entrevista com Noga Sklar, parte 2

Gente, deve ter um professor na PUC-RJ que gosta da gente. É o segundo aluno do curso de jornalismo que nos procura para uma entrevista, desta vez o Pedro Figueiredo, do 8º período. Segue.

Quando a KBR entrou no mercado digital de livros?
A KBR entrou no mercado em outubro de 2009, quando a Amazon disponibilizou o Kindle para entrega no Brasil.

Quantos e-books possui?
Nosso catálogo no momento conta com 66 títulos e 3 em fase de acabamento.

Quem os produz? Quantos e quais profissionais estão envolvidos? Há um setor específico?
Temos uma rede de colaboradores online, mas a maior parte do trabalho de edição e conversão é feita pessoalmente por Noga Sklar, a editora da KBR. São basicamente pessoas envolvidas com tecnologia e design de livros e de web.

Qual o formato do e-book? Por que deste formato?
ePUB. É o formato universal, e mesmo para a Amazon, que tem seu formato próprio, o Mobi, enviamos arquivos no formato ePUB, a conversão é interna.

Como é a relação autor x editora x livraria/distribuidor?
Com os autores, mantemos uma relação quase familiar, de mãe (Noga Sklar) para filho (até agora, são 65). Todos os assuntos são discutidos em uma comunidade secreta do Facebook e não só acompanhamos passo a passo a distribuição e aceitação dos livros, como influímos na construção de uma carreira literária. Temos apenas um distribuidor digital, a Xeriph, com quem mantemos relação de parceria e em quem depositamos a nossa confiança. Quando a relação com a livraria é direta, como no caso da Amazon e Saraiva, mantemos o mesmo estilo de amizade, família e confiança. É o estilo da KBR.

Qual é o perfil dos consumidores?
Amplo. É cool estar lendo um ebook, entende? E com a entrada no mercado dos ebooks para smartphones vai aumentar ainda mais. Todo mundo quer ler seu livrinho digital, e cabe às editoras prover ao público a necessária variedade de títulos e temas.

Qual o custo da produção de um e-book? (Equipara-se com o custo de um impresso?)
De jeito nenhum, pois não há matéria-prima envolvida no projeto, apenas know-how e horas/homem. Consideramos o custo como um investimento da KBR num mercado novo e ousado em nosso país.

Qual é a média dos preços de capa? Como se calcula?
Nossos preços de capa se baseiam no senso comum e intuição do que o mercado pode e quer pagar. Não há cálculo, pois como disse, a etapa de produção é considerada um investimento, e o livro pronto um “ativo móvel” da editora. Nosso preço máximo é R$12.

Quantos e-books já foram vendidos? O que isso representa no faturamento?
Por enquanto, a venda é incipiente. Esperamos que este quadro mude com a entrada da Amazon no país, no segundo semestre de 2012. Por outro lado, sendo a KBR uma editora essencialmente digital, onde os livros de papel, no formato POD (impresso sob demanda), são apenas um complemento da edição, os ebooks representam em torno de 70% das vendas. Já tivemos uns 2 ou 3 best-sellers que faturaram razoavelmente.

O que acha da Amazon no Brasil? A Amazon entrou em contato com a editora? Como foi?
Como já disse na parte 1 desta entrevista, a Amazon está pelo menos 10 anos à frente em termos de tecnologia. Com o Kindle, a empresa praticamente inventou o mercado do livro digital, que antes não saía do chão. E quando chegar ao Brasil, país que hoje está entre os de maior economia, vai revolucionar o mercado e se tornar rapidamente uma favorita do público, como já é nos EUA. Nosso relacionamento com a Amazon é antigo, data de 2009. Portanto, foi evoluindo ao longo do tempo, e quando se começou a ventilar a vinda para o Brasil já estávamos em contato próximo com os executivos envolvidos. Não se trata de quem procurou quem: foi um encontro, de timing e interesses. Negociamos o contrato e somos hoje a primeira editora brasileira a ter seus ebooks na plataforma profissional da gigante americana. É ótimo!

Perspectivas para este mercado? Opiniões?
Crescer, crescer, crescer. Nossa opinião é que, em vez de representar a destruição do objeto livro, o advento do livro digital representou o renascimento do hábito de ler, e só vem coisa boa por aí.

 

Leia mais: Parte 1 e Parte 3.

 

 

Noga Sklar

Editor, KBR Editora digital

2 comentários em “Entrevista com Noga Sklar, parte 2

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