Em algum lugar do futuro

Será que daqui a duzentos anos alguém vai desenterrar a embalagem do meu shampoo e fazer conjecturas sobre o estilo de vida do Século XXI?

Bobagem: no futuro, o problema não vai ser a falta de informações, mas o excesso.  Atualmente qualquer pessoa pode descrever seu dia-a-dia e publicar essas banalidades.  Se nada for feito no sentido de coibir tal comportamento, em pouco tempo não haverá mais espaço (físico ou virtual) para armazenar tanta asneira.

Existirá documentação em tão grande quantidade, que a arqueologia, como a conhecemos hoje, fará pouco sentido.  A menos que alguma catástrofe atinja a raça humana: sempre resta a possibilidade de uma guerra nuclear ou de um meteoro se chocar com a Terra.

Enquanto a profissão de arqueólogo está ameaçada de extinção, outras precisam ser formalizadas com urgência.  Por exemplo: o especialista em filtragem, para evitar que as pessoas se afoguem num mar de informações, e o autenticador de internet, para bloquear todas aquelas mensagens falsas sobre criancinhas doentes e/ou desaparecidas.  Na prática esses profissionais já existem, mas de forma muito precária.

Voltando ao meu shampoo: por precaução, é melhor deixar alguma coisa escrita dentro de cada embalagem vazia.  Se os humanos ou os meteoros saírem da linha, um desses bilhetes pode fazer a glória de um arqueólogo do futuro.  Sem falar no especialista em línguas mortas, porque escrever em português já é meio caminho andado para a extinção literária.

 

 

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