É O FIM DO MUNDO!

Eros-e-ThanatusQue mundo?

Fiz uma pesquisa modestíssima. Recolhi: “universo”, séc. XII. Do latim mundus. Depois, tem várias acepções, que vão desde: a totalidade dos astros e planetas; firmamento, universo; o cosmos; o planeta Terra; totalidade do que existe na terra; raça humana; totalidade das pessoas; humanidade. Universo de todas as realidades existentes ou imaginadas. População em geral; povo. E até… limpo — o oposto de imundo!

Com uma conotação filosófica, encontrei: totalidade integrada e coerente na qual habitam todos os objetos materiais, seres e realidades existentes; universo, cosmos.

São coisas diferentes. Qual desses está, vira e mexe, prestes a acabar?

Como já mencionei em crônica anterior, o Amor, o impulso de viver, de vingar, de querer, de realizar, de crescer, de progredir, nunca está sozinho. Está sempre acompanhado da sua contraparte, sua alma gêmea, a Morte, o Fim, o descanso eterno que imaginamos que existia antes de nascermos; queremos, com a mesma volúpia, voltar pra casa, ao encontro de tudo que parece ser com o passado, a casa, a origem, Eu mesmo!

Este desejo de morte geralmente cresce e se fortalece numa pessoa por uma única razão: a conclusão de que não tem mais saída para aliviar um mal estar que é dela. Como peças de uma coletividade, é quando sentimos que aquela sociedade, aquele grupo em que vivemos se corrompeu de tal forma que não há mais como reverter a situação e caminhamos para o desregramento total. Do qual somos cúmplices, pelo menos com a nossa indulgência, medo ou silêncio, social ou político.

Já conhecemos esse filme: a queda de grandes civilizações (Egito, Roma), de grandes impérios e de grandes nações se deu sempre pelo mesmo motivo: corrupção incontrolável, impunidade e abuso das autoridades. A inversão total de valores domina exata e diretamente o poder.

Não sou historiadora. Falo só do que ouço, vejo e sinto.

Não tendo a quem recorrer, vendo a bola de neve da destruição e a impunidade dos poderosos crescer sem freios, nos sentimos totalmente impotentes. A vida fica muito difícil em tempos como estes. É uma luta feroz, cansa. Os problemas se acumulam e as soluções escasseiam, então, muitos desejam acabar com aquilo tudo! Mas não desejam morrer de verdade. Sonham que os outros, os poderosos, sejam capazes de acabar com este “mundo”, que é o nome do lugar onde habitamos, seja ele qual for. Para que alguns eleitos sobrevivam, e aí sim, sejam capazes de criar um “mundo” melhor, de justiça e igualdade; e respeito aos valores que os farão retomar a paz de espírito e o gosto de viver.

Este estado de coisas me faz lembrar uma cena do filme “Titanic”, em que o navio já está naufragando como uma imensa agulha para um abismo aquático negro e profundo. O navio está embicado e parado. Vai finalmente afundar. Então, uma mulher da 3ª classe (pobre) que está segurando num ferro e com o filho na mão olha para aquele panorama e diz a ele: “Vai terminar logo”, para consolá-lo e a si mesma. E o navio afunda.

É esta mesma a sensação de alguns, lutando pela sobrevivência neste “mundo” em decadência onde estão. E então, se juntam em grupos e começam a encontrar datas e profecias nos escritos antigos, ou nas últimas descobertas da ciência, para justificar a sua certeza (desejo) de que o mundo vai acabar.  E saem a alertar “aqueles que sabem ouvir”.

Eu penso que o “mundo” não vai acabar agora. Mas vai ter que mudar radicalmente, a começar pelo comportamento das pessoas, pois que o “mundo” é o reflexo do nosso interior, enquanto coletividade. Eu já estou nessa.

Bom fim de semana pra vocês!

 

 

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